{"id":349986,"date":"2025-03-12T08:20:32","date_gmt":"2025-03-12T11:20:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=349986"},"modified":"2025-03-12T09:16:39","modified_gmt":"2025-03-12T12:16:39","slug":"quando-o-medo-me-faz-devanear-e-me-provoca-vertigens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quando-o-medo-me-faz-devanear-e-me-provoca-vertigens\/","title":{"rendered":"Quando o medo me faz devane[ar] e me provoca vertigens"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre assim, s\u00f3 de pens[ar] em ter que sair come\u00e7o a pass[ar] mal. A espira\u00e7\u00e3o agita, o cora\u00e7\u00e3o acelera, a vis\u00e3o embaralha, sinto vertigem.<\/p>\n<p>E<\/p>\n<p>hoje n\u00e3o est\u00e1 sendo diferente. Acordei agitado e me recuso a levant[ar] da cama.<\/p>\n<p>O b[ar]ulho da rua me empurra para fora do meu alicerce. Tomo coragem e levanto.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..Aproximo meu olh[ar] da janela,<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..mas<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..o corpo (in)<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; volunta<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; &#8211;ria&#8211;<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;mente<\/p>\n<p>me faz caminh[ar] at\u00e9 l\u00e1, espreito o movimento da rua, a (in)seguran\u00e7a invade o meu ser. Afasto da janela, passo diante do [ar]m\u00e1rio, evitando<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.enc[ar]r[ar] o espelho. Hoje recuso confront[ar] comigo mesmo e os meus medos. Em outros tempos, pararia diante dele e me contemplaria, tal qual Narciso. Mas neste instante, n\u00e3o tenho coragem de despir a minha sensibilidade humana. Para complet[ar] a minha (in)seguran\u00e7a, ou\u00e7o ao fundo a buzina do vendedor ambulante e o movimento do tr\u00e2nsito, isso aumenta a minha tens\u00e3o.<\/p>\n<p>Apalpo cada espa\u00e7o do meu qu[ar]to com os olhos, preciso urgentemente registr[ar] na mem\u00f3ria cada objeto, planta, livro&#8230; e quanto mais olho mais fico ansioso, a vis\u00e3o distorce, o daltonismo reaparece. Por breves instantes enxergo tudo verde. \u00c9 sempre assim, quando fico fr\u00e1gil emocionalmente o daltonismo ataca, as imagens duplicam, quadriplicam.<\/p>\n<p>De&#8211;ses&#8211;pera&#8211;da&#8211;mente olho cada m\u00f3vel,<br \/>\n&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.cada objeto,<br \/>\n&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.cada detalhe como se fosse a \u00faltima vez que os contemplaria. Anseio registr[ar]<br \/>\n&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.cada detalhe nas minhas retinas assustadas, cansadas, dalt\u00f4nicas e exaustas desse aprisionamento. Quero por que quero aprision[ar] este momento.<\/p>\n<p>PENSO:<br \/>\nnem o Coringa pode me ajud[ar]. E as minhas estantes cheias de conhecimento? E as minhas plantas? Acendo um incenso para acalm[ar] e purific[ar]. Purific[ar] o qu\u00ea? O [ar]? Os meus medos? A vis\u00e3o emb[ar]alhada? A minha sensibilidade?<\/p>\n<p>A contra gosto decido sair do qu[ar]to. Ca&#8212;&#8212;&#8212;-mi&#8212;&#8212;&#8212;-nho at\u00e9 a porta. Quando vou aproximando dep[ar]o com esta frase: \u201ca morte te espera l\u00e1 fora\u201d!<\/p>\n<p>ES &#8211; TER &#8211; ME &#8211; \u00c7O. Quem a escreveu? Quando? N\u00e3o tenho tempo pra isso.<\/p>\n<p>Abro a porta, decidido a enfrent[ar] os outros ambientes\/mundos.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;[Ar]quejo de [ar]repio, minha vis\u00e3o altera novamente. O daltonismo me assombra. Visualmente o c\u00f4modo fica verde, as imagens se repetem. Meu cora\u00e7\u00e3o palpita, mesmo assim decido percorrer a casa.<\/p>\n<p>Andando pelo corredor, a cortina fechada agu\u00e7a a minha curiosidade, por um momento fico tentado a enfrent[ar] o mundo l\u00e1 de fora, mas o medo invadi e me impede de abri-la. Saio imediatamente dali com a respira\u00e7\u00e3o acelerada. Ou\u00e7o os meus p a s s o s.<\/p>\n<p>Entro no banheiro em busca de coragem. Sigo em dire\u00e7\u00e3o a \u00e1rea. Miro os pr\u00e9dios vizinhos, em busca de um olh[ar]compreensivo, c\u00famplice, incentivador. N\u00e3o encontro. Dou meia volta, ando em dire\u00e7\u00e3o a cozinha e repito o ritual, registr[ar] o m\u00e1ximo de imagens poss\u00edveis em minhas pupilas&#8230;..a&#8230;&#8230;fli&#8230;..tas.<\/p>\n<p>O emocional continua incontrol\u00e1vel, pois est\u00e1 aproximando a hora, a t\u00e3o fat\u00eddica hora de encar[ar] a rua. A vis\u00e3o embaralha novamente. Mais uma vez, retorno a enxerg[ar] de forma diferente. O meu daltonismo insiste em me humilh[ar].<\/p>\n<p>Pego a m\u00e1scara, minha [ar]ma contra a morte.<\/p>\n<p>Reflito:<\/p>\n<p>como um ser (in)vis\u00edvel e min\u00fasculo ao olho humano, mas vis\u00edvel aos olhos\/lentes dos microsc\u00f3pios pode ceif[ar] tantas vidas? Apes[ar] do nervosismo ainda reflito.<\/p>\n<p>Pego o lixo resmungando mentalmente, pois minha respira\u00e7\u00e3o ficou mais o f e g a n t e. Est\u00fapido lixo, tu \u00e9s o respons\u00e1vel por todo esse flagelo que estou vivendo. O &#8211; fe &#8211; go novamente. Tomo coragem. Apes[ar] do medo, abro a porta, espreito o corredor, e na maior pressa deixo o lixo ao lado da porta da entrada. Fecho-a o mais r\u00e1pido que posso. Procuro o \u00e1lcool. O desespero quase me cega, enfim o encontro, borrifo-o nas m\u00e3os lavando e desinfetando-as da morte. Mesmo assim continuo ansioso.<\/p>\n<p>Saio da cozinha, paro no corredor, ainda euf\u00f3rico devido a aventura de ter colocado o lixo do lado de fora. Respiro, por um momento miro o p\u00f4ster do Coringa. Neste breve instante nossos olh[ar]es se cruzam.<\/p>\n<p>Tenho a estranha sensa\u00e7\u00e3o, que ele est\u00e1 gargalhando de mim, da minha humanidade. Ele deve est[ar] ca\u00e7oando por eu ter medo de um ser (in)vis\u00edvel, min\u00fasculo e mortal. Eu que quando crian\u00e7a sonhava em ser super her\u00f3i, us[ar] m\u00e1scara e enfrent[ar] todo tipo de inimigo para salv[ar] a humanidade.<\/p>\n<p>Devaneando nestes ir\u00f4nicos e pat\u00e9ticos pensamentos, sigo o corredor em dire\u00e7\u00e3o do meu alicerce, do meu ref\u00fagio que \u00e9 o meu quarto, meu t\u00e3o amado &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. qu[ar]to.<\/p>\n<p>Quando vou aproximando do meu porto seguro, desvio o olh[ar] desse personagem que tanto admiro. Adentro o c\u00f4modo, sento na cama para descans[ar] dessa epop\u00e9ia. Mesmo agitado sinto que mais uma vez sobrevivi.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;.De repente, um leve [ar]repio percorre a minha coluna, de s\u00fabito a vista escurece. Estreme\u00e7o de p\u00e2nico. Pressinto a morte a espreita.<\/p>\n<p>Tendo<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;ago[ar]<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..r<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. [ar]<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.a<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre assim, s\u00f3 de pens[ar] em ter que sair come\u00e7o a pass[ar] mal. A espira\u00e7\u00e3o agita, o cora\u00e7\u00e3o acelera, a vis\u00e3o embaralha, sinto vertigem. 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