{"id":350743,"date":"2025-03-25T01:31:31","date_gmt":"2025-03-25T04:31:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=350743"},"modified":"2025-03-24T20:32:30","modified_gmt":"2025-03-24T23:32:30","slug":"de-advogado-escritor-e-louco-todo-mundo-pra-variar-tem-um-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/de-advogado-escritor-e-louco-todo-mundo-pra-variar-tem-um-pouco\/","title":{"rendered":"De advogado, escritor e louco, todo mundo, pra variar, tem um pouco"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 imaginou cara que n\u00e3o l\u00ea e que, pior ainda, n\u00e3o escreve? Pois esse \u00e9 o J\u00falio C\u00e9sar Rodrigues, Isso at\u00e9 que, aos 15 anos, por uma dessas gratas surpresas do destino viveu lendo, lendo, lendo e escrevendo, tamb\u00e9m em triplo, o que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o fazia. Tanto fez, que virou joralista e logo depois um dos advogados mais respeitados de sua cidade, no Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Para os amigos, \u00e9 simplesmente, Juninho. E ele explica o apelido &#8211; seus pouco mais de 1m60. Quer saber mais sobre esse g\u00eanio? Leia a entrevista a seguir.<\/p>\n<p><strong>Fale um pouco sobre voc\u00ea, seu nome (se quiser, pode falar apenas o art\u00edstico), onde nasceu, onde mora, sobre sua trajet\u00f3ria como escritor.<\/strong><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 J\u00falio Cesar Rodrigues, mas desde crian\u00e7a me chamam de Julinho. Justificadamente, porque n\u00e3o cresci muito, no m\u00e1ximo um e sessenta e dois, se bem medidos. Nasci e fui criado em Arapongas-PR, terra de Tony Ramos e onde ainda resido, depois de ter passado por Maring\u00e1, durante o per\u00edodo da faculdade, e Londrina, onde advoguei e lecionei Direito.<\/p>\n<p><strong>Como a escrita surgiu na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tinha o h\u00e1bito de ler e escrever na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia. At\u00e9 que, aos 15 anos de idade, fui convocado por meu pai, que andava muito ocupado como advogado, para substituir o redator-chefe da Revista da Cidade, editada em Arapongas. A revista foi fundada por ele h\u00e1 mais de 60 anos e at\u00e9 hoje continua com a fam\u00edlia. De uma hora para outra fui obrigado a ler e, principalmente, a escrever. Na \u00e9poca, eu era um aluno mediano em portugu\u00eas e reda\u00e7\u00e3o. Tive que aprender na marra. Aos 17 anos, mudei para Maring\u00e1, onde ingressei na faculdade de Direito e consegui emprego de redator no jornal O Di\u00e1rio. Comecei como plantonista policial e dois anos depois virei editor de pol\u00edtica. Aos 20 anos, fui chamado para trabalhar como rep\u00f3rter na emissora local da Rede Globo, onde fiquei um ano. Terminada a faculdade, voltei para Arapongas e fui advogar no escrit\u00f3rio do meu pai, mas nunca abandonei o gosto pelo Jornalismo. De l\u00e1 pra c\u00e1, a escrita virou h\u00e1bito, profiss\u00e3o e prazer, seja em peti\u00e7\u00f5es para o Judici\u00e1rio ou em textos que publico na pr\u00f3pria Revista da Cidade e em outros ve\u00edculos, em especial no perfil @certascronicas, do Instagram.<\/p>\n<p><strong>De onde vem a inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>O cotidiano \u00e9 minha maior fonte. Quando desejo ou preciso escrever uma cr\u00f4nica, por exemplo, fico de soslaio em alguma rua, esquina ou pra\u00e7a buscando detalhes e motivos para uma boa hist\u00f3ria. \u00c0s vezes apenas olho pela janela de casa e surge uma ideia. \u00c0s vezes n\u00e3o vem \u00e0 cabe\u00e7a nada que justifique tomar o tempo de algu\u00e9m. \u00c9 hora ent\u00e3o de narrar fatos que vivi no passado e que possam fazer o leitor rir ou refletir. Ou as duas coisas juntas.<\/p>\n<p><strong>Como a sua forma\u00e7\u00e3o ou sua hist\u00f3ria de vida interferem no seu processo de escrita?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o me considero escritor, quando muito um rabiscador de letras, como dizia Drummond. Mas a experi\u00eancia no jornalismo foi fundamental para o meu crescimento como pessoa e como aprendiz de cronista. Como a cr\u00f4nica \u00e9 um g\u00eanero livre, mesclando literatura e jornalismo, sinto-me confort\u00e1vel nela.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os seus livros favoritos?<\/strong><\/p>\n<p>Meus preferidos s\u00e3o os cl\u00e1ssicos nacionais. O primeiro da lista \u00e9 \u201cDom Casmurro\u201d, de Machado de Assis, pela genialidade da escrita, pela riqueza dos personagens e pela eterna d\u00favida deixada pelo autor. Outro que gosto muito \u00e9 \u201cTriste fim de Policarpo Quarema\u201d, de Lima Barreto. Dos estrangeiros, sou f\u00e3 de \u201cCem anos de solid\u00e3o\u201d, de Gabriel Garcia M\u00e1rquez, e \u201cO sol \u00e9 para todos\u201d, de Harper Lee.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os seus autores favoritos? Poderia citar tamb\u00e9m autores contempor\u00e2neos de destaque?<\/strong><\/p>\n<p>Machado de Assis \u00e9 disparado o meu favorito, pela grandeza da obra, pela cultura presente em seus livros e principalmente pelo humor ir\u00f4nico. Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Jos\u00e9 Saramago tamb\u00e9m entram na galeria de destaque. Atualmente sou f\u00e3 declarado das cr\u00f4nicas de Ruy Castro e Luis Fernando Ver\u00edssimo e tenho admirado o estilo inovador da romancista Vanessa Brunt e a cultura extraordin\u00e1ria de Yuval Noah Harari. Aqui do <strong>Notibras,<\/strong> gosto demais dos contos do Eduardo Mart\u00ednez.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 mais importante no seu processo de escrita? A inspira\u00e7\u00e3o ou a concentra\u00e7\u00e3o? Precisa esperar pela inspira\u00e7\u00e3o chegar ou a escrita \u00e9 um h\u00e1bito constante?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acabo escrevendo todos os dias, seja no trabalho de advogado, seja na prepara\u00e7\u00e3o de uma cr\u00f4nica para o meu Instagram. No trabalho, o que conta mais \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o, o estudo do caso jur\u00eddico que est\u00e1 na mesa. Na prepara\u00e7\u00e3o da cr\u00f4nica, preciso primeiro da inspira\u00e7\u00e3o. Depois que ela vem, o texto sai.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o tema mais presente nos seus escritos? E por que voc\u00ea escolheu esse assunto?<\/strong><\/p>\n<p>Normalmente os textos denunciam meus defeitos e fraquezas e com alguma pitada de humor. Conto hist\u00f3rias que vivi e invento outras que desejaria ter vivido \u2013 ou n\u00e3o. Falo dos meus pais, da fam\u00edlia, do Alfredo (meu cachorro), do trabalho e da inf\u00e2ncia. \u00c0s vezes busco que as palavras induzam o leitor a alguma reflex\u00e3o sobre a vida, o tempo dela e o amor. Procuro escrever com leveza para n\u00e3o machucar ningu\u00e9m, mas sem perder a<br \/>\nfirmeza.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, qual \u00e9 o objetivo da literatura?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura emociona, diverte e faz pensar. Sobretudo nesta era de telas digitais, que vamos passando rapidamente com os dedos, a leitura de um cl\u00e1ssico, por exemplo, \u00e9 b\u00e1lsamo para a alma. Al\u00e9m de trazer conhecimento e cultura, a literatura \u00e9 rem\u00e9dio para a ansiedade dos tempos modernos.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 trabalhando em algum projeto neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano criei o perfil @certascronicas no Instagram. \u00c9 um espa\u00e7o dedicado a textos com leveza, humor e reflex\u00e3o. Toda quinta-feira publico uma cr\u00f4nica in\u00e9dita. Com frequ\u00eancia tamb\u00e9m divulgo textos de convidados especiais. At\u00e9 o imortal Ruy Castro j\u00e1 participou do nosso quadro \u201cCerto Convidado\u201d. A p\u00e1gina tem mais de tr\u00eas mil seguidores extremamente engajados. O desejo \u00e9 em breve preparar uma colet\u00e2nea para virar livro.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea espera que os leitores recebam seus escritos?<\/strong><\/p>\n<p>Espero que ao fim da \u00faltima linha eles concluam que valeu a pena ter lido, que n\u00e3o tomei seus tempos em v\u00e3o. Procuro narrar hist\u00f3rias, reais ou fict\u00edcias, que transmitam alguma mensagem positiva, seja de humor ou de reflex\u00e3o para a vida. Desejo, sobretudo, que o leitor se identifique com a hist\u00f3ria, como se ela fosse sua.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 ser escritor hoje em dia?<\/strong><\/p>\n<p>Como disse antes, n\u00e3o me considero escritor. Talvez eu seja, na verdade, um impostor. Mas os amigos contam que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser escritor em tempos t\u00e3o dif\u00edceis&#8230;<\/p>\n<p><strong>Qual a sua avali\u00e7\u00e3o sobre o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio do Notibras?<\/strong><\/p>\n<p>O espa\u00e7o \u00e9 inovador e extremamente agrad\u00e1vel. Os textos normalmente v\u00eam acompanhados de ilustra\u00e7\u00f5es divertidas ou reveladoras das hist\u00f3rias. Trata-se de um importante canal para escritores n\u00e3o conhecidos do grande p\u00fablico. Como na arte ou no futebol, h\u00e1 tanta gente com talento por a\u00ed, mas poucos t\u00eam a sua chance. Estou aproveitando a minha.<\/p>\n<p><strong>Tem alguma coisa que eu n\u00e3o perguntei e voc\u00ea gostaria de falar?<\/strong><\/p>\n<p>Apenas muito obrigado pela oportunidade de estar aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 imaginou cara que n\u00e3o l\u00ea e que, pior ainda, n\u00e3o escreve? Pois esse \u00e9 o J\u00falio C\u00e9sar Rodrigues, Isso at\u00e9 que, aos 15 anos, por uma dessas gratas surpresas do destino viveu lendo, lendo, lendo e escrevendo, tamb\u00e9m em triplo, o que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o fazia. 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