{"id":351162,"date":"2025-03-31T08:38:18","date_gmt":"2025-03-31T11:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=351162"},"modified":"2025-03-31T08:38:18","modified_gmt":"2025-03-31T11:38:18","slug":"praias-ruins-provocam-sumico-de-tatuis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/praias-ruins-provocam-sumico-de-tatuis\/","title":{"rendered":"Praias ruins provocam sumi\u00e7o de tatu\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>A ci\u00eancia est\u00e1 em busca da resposta para o que muitas pessoas que frequentam as praias brasileiras est\u00e3o perguntando: &#8220;cad\u00ea os tatu\u00eds?&#8221; A popula\u00e7\u00e3o dos simp\u00e1ticos crust\u00e1ceos est\u00e1 diminuindo, e, em alguns locais, j\u00e1 nem \u00e9 poss\u00edvel encontrar os bichinhos. Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) est\u00e3o investigando as raz\u00f5es para esse desaparecimento, com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).<\/p>\n<p>&#8220;A gente entende que est\u00e1 havendo um problema global sobre as esp\u00e9cies emeritas, que est\u00e3o sendo severamente impactadas pelas transforma\u00e7\u00f5es do Antropoceno [per\u00edodo da hist\u00f3ria atual, em que o ser humano produz modifica\u00e7\u00f5es no planeta], explica a pesquisadora Rayane Abude, do Laborat\u00f3rio de Ecologia Marinha da Unirio.<\/p>\n<p>&#8220;O que acontece? O tatu\u00ed n\u00e3o chega na praia? O tatu\u00ed chega mas n\u00e3o sobrevive? S\u00e3o os pormenores que a gente precisa olhar, para cada uma das esp\u00e9cies ou para cada uma das localidades, para tentar destrinchar melhor&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>O trabalho se debru\u00e7a sobre o Emerita brasiliensis, esp\u00e9cie mais frequente do litoral brasileiro, e estuda a presen\u00e7a e o ciclo de vida desses pequenos crust\u00e1ceos em algumas praias do Rio de Janeiro. Historicamente, o local mais estudado \u00e9 a Praia de Fora, na Zona Sul da capital, onde a presen\u00e7a de tatu\u00eds \u00e9 observada desde a d\u00e9cada de 90, e vem diminuindo de l\u00e1 para c\u00e1. Rayane tamb\u00e9m fez uma grande revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica e encontrou relatos cient\u00edficos sobre a redu\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies de tatu\u00ed em pa\u00edses como Estados Unidos, M\u00e9xico, Ir\u00e3, Uruguai e Peru.<\/p>\n<p><strong>Ciclo de vida<\/strong><br \/>\nA pesquisa parte da hip\u00f3tese de que algumas praias s\u00e3o &#8220;fontes&#8221;, onde novos indiv\u00edduos s\u00e3o gerados e depositados no mar, e algumas praias s\u00e3o &#8220;sumidouros&#8221;: recebem os tatu\u00eds, mas n\u00e3o fornecem as condi\u00e7\u00f5es adequadas para o seu crescimento e reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;As f\u00eameas colocam ovos, esses ovos levam entre 10 e 19 dias em desenvolvimento. Depois, eles eclodem na \u00e1gua e liberam larvas. Essas larvas v\u00e3o para o ambiente marinho, passam entre 2 e 4 meses se desenvolvendo, em diversos est\u00e1gios larvais, at\u00e9 que eles retornam para a praia. Um ponto que ainda est\u00e1 em aberto na minha pesquisa \u00e9 se elas chegam na mesma praia de origem ou em praias diferentes. Eu estou tentando encontrar essa resposta a partir de marcadores gen\u00e9ticos&#8221;, complementa a pesquisadora.<\/p>\n<p>Uma amostragem sistematizada de 189 f\u00eameas ov\u00edgeras, coletadas ao longo de um ano na Praia de Fora, verificou que a fecundidade m\u00e9dia foi de 5.300 ovos por f\u00eamea. No entanto, h\u00e1 uma perda significativa de ovos vi\u00e1veis durante o desenvolvimento embrion\u00e1rio na areia e de larvas dispersadas no oceano. No final, menos de 1% dos ovos resultaram em novos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Os tatu\u00eds que conseguem perseverar nessa primeira batalha retornam \u00e0s praias como &#8220;recrutas&#8221;, como s\u00e3o chamados os animais jovens. Eles ainda t\u00eam uma carapu\u00e7a fr\u00e1gil e passam a viver enterrados na areia, principalmente na regi\u00e3o de espraiamento, a parte que \u00e9 constantemente molhada pelas ondas. Por isso, os recrutas est\u00e3o constantemente vulner\u00e1veis ao pisoteamento ou esmagamento, em praias frequentadas por humanos, e as praias menos acessadas registram maior densidade de animais.<\/p>\n<p><strong>Qualidade das praias<\/strong><br \/>\nOs tatu\u00eds tamb\u00e9m s\u00e3o muito afetados pela qualidade do mar, porque se alimentam com a ajuda de antenas, que ret\u00e9m micropart\u00edculas org\u00e2nicas dispersadas na \u00e1gua, e levam esses nutrientes at\u00e9 o aparelho bucal.<\/p>\n<p>&#8220;Os canais de drenagem ou os rios que desembocam nas praias, que podem trazer uma s\u00e9rie de contaminantes e poluentes, podem estar afetando diretamente esses organismos. A toxicidade foi bastante experimentada e testada para esp\u00e9cies de tatu\u00ed, n\u00e3o s\u00f3 brasileiros, e \u00e9 um fator que provoca altos n\u00edveis de mortalidade nessas popula\u00e7\u00f5es&#8221;, alerta Rayane Abude.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de desequilibrar o ecossistema das praias e desfalcar a cadeira alimentar, o desaparecimento desses animais representa um p\u00e9ssimo sinal:<\/p>\n<p>&#8220;Eles podem ser considerados bioindicadores de qualidade porque s\u00e3o muito sens\u00edveis a contaminantes. A sua presen\u00e7a \u00e9 um sinal de boa qualidade do ambiente, mas quando o n\u00edvel de poluentes \u00e9 alto, eles est\u00e3o ausentes&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ci\u00eancia est\u00e1 em busca da resposta para o que muitas pessoas que frequentam as praias brasileiras est\u00e3o perguntando: &#8220;cad\u00ea os tatu\u00eds?&#8221; A popula\u00e7\u00e3o dos simp\u00e1ticos crust\u00e1ceos est\u00e1 diminuindo, e, em alguns locais, j\u00e1 nem \u00e9 poss\u00edvel encontrar os bichinhos. 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