{"id":351242,"date":"2025-04-01T01:27:29","date_gmt":"2025-04-01T04:27:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=351242"},"modified":"2025-04-01T08:30:40","modified_gmt":"2025-04-01T11:30:40","slug":"jovens-ligados-a-partidos-politicos-foram-maiores-vitimas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jovens-ligados-a-partidos-politicos-foram-maiores-vitimas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Jovens ligados a partidos pol\u00edticos foram maiores v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p>A maioria dos mortos e desaparecidos durante a ditadura militar brasileira \u00e9 formada por jovens estudantes ligados a organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e que viviam nas capitais. A conclus\u00e3o faz parte de an\u00e1lise do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) sobre o relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que, entre 2012 e 2014, investigou casos de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos durante o per\u00edodo (1964-1985).<\/p>\n<p>Dez anos ap\u00f3s a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) expor parte dos crimes, identificando 434 pessoas mortas ou desaparecidas devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o de agentes do Estado, o minist\u00e9rio lan\u00e7a um novo olhar para as v\u00edtimas de um dos per\u00edodos mais sombrios da hist\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de idade das v\u00edtimas identificadas pela comiss\u00e3o \u00e9 de 32,8 anos. A maioria (77,4%) tinha entre 18 e 44 anos, sendo que quase metade, 49,3%, estava na faixa et\u00e1ria de 18 a 29 anos. Das 434 v\u00edtimas identificas pela comiss\u00e3o, 51 eram mulheres e, em m\u00e9dia, estas tendiam a ser mais jovens que os 383 homens mortos ou desaparecidos.<\/p>\n<p>Do total de v\u00edtimas, 140 (ou 32%) eram estudantes \u2013 o que, para os respons\u00e1veis pela an\u00e1lise, demonstra a violenta repress\u00e3o do aparato estatal contra o movimento estudantil e a juventude. Em seguida, v\u00eam os oper\u00e1rios (57); trabalhadores rurais (30); jornalistas (28); professores (28); militares e ex-militares (27); profissionais de servi\u00e7os administrativos e jur\u00eddicos (26); banc\u00e1rios (20) e profissionais do setor art\u00edstico (19).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 37% eram filiadas a algum partido pol\u00edtico e 4% a sindicatos. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi a legenda com o maior n\u00famero de militantes assassinados: 79 pessoas, ou 18,2% do total de mortes levantadas pela CNV. A extinta A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) foi a segunda organiza\u00e7\u00e3o com mais mortes e desaparecimentos (60), seguida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), que teve 41 filiados assassinados ou desaparecidos.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas compiladas a partir do relat\u00f3rio da CNV est\u00e3o dispon\u00edveis na p\u00e1gina do Observat\u00f3rio Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), na internet. Os dados refor\u00e7am a tese de que a repress\u00e3o violenta n\u00e3o ocorreu de maneira uniforme ao longo dos anos e que \u00e9 justamente entre os anos de 1969 e 1978, quando vigorava o Ato Institucional n\u00ba 5 (AI5), que se concentra o maior n\u00famero de v\u00edtimas da a\u00e7\u00e3o repressiva.<\/p>\n<p>\u201cAntes do golpe militar de 1964, ainda no per\u00edodo democr\u00e1tico, foram registrados 12 assassinatos pol\u00edticos resultados da atua\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro, evidenciando que a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica j\u00e1 existia, ainda que de forma menos sistem\u00e1tica. Entre 1966 e 1968, durante a fase inicial da ditadura, 51 pessoas foram assassinadas enquanto o regime buscava manter uma apar\u00eancia de legalidade, consolidando o aparato repressivo\u201d, enfatiza o texto de apresenta\u00e7\u00e3o dos dados, atribuindo parte do aumento de casos do per\u00edodo aos confrontos entre for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica e militantes da luta armada contra a ditadura militar, no epis\u00f3dio conhecido como Guerrilha do Araguaia (1967\/1974).<\/p>\n<p>\u201cA Guerrilha do Araguaia foi um dos epis\u00f3dios mais emblem\u00e1ticos da repress\u00e3o pol\u00edtica durante a ditadura militar. O conflito ocorreu na \u00e1rea fronteiri\u00e7a entre os estados do Par\u00e1, Maranh\u00e3o e o atual Tocantins (na \u00e9poca, parte de Goi\u00e1s). Tratava-se de uma tentativa do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) de organizar um movimento de resist\u00eancia armada, o caminho de uma chamada guerra popular prolongada, com estrutura\u00e7\u00e3o de grupos guerrilheiros com a ades\u00e3o de camadas campesinas e populares\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p><strong>Plataforma<\/strong><br \/>\nEm nota divulgada pela assessoria do minist\u00e9rio, a coordenadora de Pesquisa e Difus\u00e3o de Evid\u00eancias da pasta, Luciana F\u00e9lix, ressaltou que os dados agora reunidos na plataforma servir\u00e3o de evid\u00eancias para as pol\u00edticas nacionais de direitos humanos.<\/p>\n<p>\u201cO levantamento \u00e9 apresentado na forma de narrativa de dados no ObservaDH e permite um outro olhar sobre a amplitude e sistematicidade da repress\u00e3o pol\u00edtica no Brasil durante a ditadura militar. \u00c9 importante refor\u00e7ar que n\u00e3o s\u00e3o apenas n\u00fameros: s\u00e3o pessoas que tiveram suas vidas ceifadas por um regime de exce\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 o coordenador-geral de apoio \u00e0 Comiss\u00e3o Especial de Sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, Caio Cateb, destacou que a an\u00e1lise \u00e9 uma importante contribui\u00e7\u00e3o para os casos investigados.<\/p>\n<p>\u201cA coordena\u00e7\u00e3o-geral pretende aprofundar a an\u00e1lise com outras informa\u00e7\u00f5es para que os dados possam servir de instrumentos de apoio em dilig\u00eancias de buscas de pessoas desaparecidas e subsidiar os processos de identifica\u00e7\u00f5es de remanescentes humanos\u201d, afirmou Cateb, na nota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos mortos e desaparecidos durante a ditadura militar brasileira \u00e9 formada por jovens estudantes ligados a organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e que viviam nas capitais. 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