{"id":352198,"date":"2025-04-17T17:15:30","date_gmt":"2025-04-17T20:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352198"},"modified":"2025-04-17T17:35:22","modified_gmt":"2025-04-17T20:35:22","slug":"fernando-antes-de-ser-o-pessoa-que-virou-se-virou-com-coca-cola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fernando-antes-de-ser-o-pessoa-que-virou-se-virou-com-coca-cola\/","title":{"rendered":"Fernando, antes de ser o Pessoa que virou, se virou com Coca-cola"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;Coca-cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se.&#8221;<\/em> (Fernando Pessoa, poeta maior, defendendo alguns trocados, ainda bem jovem, escrevendo an\u00fancio de publicidade.)<\/p>\n<p>Anos antes de cravar o eterno &#8220;Navegar \u00e9 preciso&#8230;&#8221;, o maior poeta da l\u00edngua portuguesa criou o slogan &#8220;Coca-cola, primeiro estranha-se, depois entranha-se&#8221;. N\u00e3o, caro leitor, n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o minha. \u00c9 fato. E hist\u00f3rico por si s\u00f3.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de carreira (durango e cheio de depend\u00eancias para sobreviver), o poeta dos heter\u00f4nimos tamb\u00e9m foi publicit\u00e1rio. Pois p\u00e1! Foi assim que o gajo escreveu o tal slogan para o lan\u00e7amento, em Portugal, da bebida castanha e a\u00e7ucarada e foi proibido pelo Estado Novo de Salazar.<\/p>\n<p>Passados quase cem anos desde o fato fico a matutar c\u00e1 com os meus bot\u00f5es e viajo numa conversa imagin\u00e1ria com o poeta da triste figura numa mesa de um caf\u00e9 na Lisboa de ent\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Como foi isso, Fernando?<\/p>\n<p>&#8211; A primeira e \u00fanica ag\u00eancia de publicidade que existia, a Hora, encomendou um solgan para o lan\u00e7amento do produto em terras lusitanas. Resumi em quatro palavras.<\/p>\n<p>&#8211; De bebida desejada a fruto proibido, a Coca-cola gerou a sua primeira persegui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 fato, censura do Estado e uma marca diferenciada na vida desse humilde escritor que, de sobra, desejava apenas fazer versos e filosofar.<\/p>\n<p>Sabe-se, hoje, que o m\u00e9dico sanitarista, Ricardo Jorge, diretor de Sa\u00fade do ditador Salazar, considerou o produto como uma esp\u00e9cie de droga, assumida desde logo no nome e cuja toxicidade o slogan de Pessoa parecia evocar.<\/p>\n<p>O poeta viva perambulando pelos caf\u00e9s portugueses, elegante e educad\u00edssimo, mas liso sem patacas nos bolsos e necessitado de provid\u00eancia divina. Sabe-se que o slogan jamais foi utilizado pela empresa dona da Coca-cola.<\/p>\n<p>Recusada pela Ditadura de Salazar, a Coca-cola esperou quase 50 anos para se entranhar nos h\u00e1bitos dos portugueses. Foi apenas depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril (1974) libertar o pa\u00eds e fazer da liberdade um valor absoluto e fundamental.<\/p>\n<p>A publicidade perdeu mais um \u00f3timo criador\/redator, mas o universo ganhou um g\u00eanio multifacetado da poesia e do texto em todos os sentidos.<\/p>\n<p>Fernando Pessoa ou para ser exato, os v\u00e1rios Pessoas, seria para sempre definido pelo slogan que criou para a indesejada Coca-cola apenas que uma retifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;PESSOA: primeiro estranha-se, depois entranha-se.&#8221;<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o, viventes deste s\u00e9culo 21, mais que nunca &#8220;Navegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso&#8221;. E tomando Coca-cola, p\u00e1!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Coca-cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se.&#8221; (Fernando Pessoa, poeta maior, defendendo alguns trocados, ainda bem jovem, escrevendo an\u00fancio de publicidade.) 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