{"id":352291,"date":"2025-04-19T00:00:38","date_gmt":"2025-04-19T03:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352291"},"modified":"2025-04-19T07:52:03","modified_gmt":"2025-04-19T10:52:03","slug":"pesquisa-mostra-influencia-do-clima-em-surto-de-oropouche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisa-mostra-influencia-do-clima-em-surto-de-oropouche\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra influ\u00eancia do clima em surto de Oropouche"},"content":{"rendered":"<p>Os eventos clim\u00e1ticos s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela explos\u00e3o de casos de febre oropouche, de acordo com estudo publicado na revista cient\u00edfica The Lancet, que analisou dados de seis pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, incluindo o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;O risco de infec\u00e7\u00e3o provavelmente evoluir\u00e1 de forma din\u00e2mica nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, com potencial para surtos futuros em grande escala&#8221;, alertam os pesquisadores.<\/p>\n<p>No nosso pa\u00eds, a doen\u00e7a era considerada end\u00eamica da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, com poucos casos isolados em outros locais. Mas, desde 2023, o n\u00famero de registros vem aumentando, com diagn\u00f3sticos in\u00e9ditos em diversos estados. De 833 infec\u00e7\u00f5es confirmadas naquele ano, houve um salto para 13.721 em 2024, com pelo menos quatro mortes. Neste ano, at\u00e9 o dia 15 de abril, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade confirmou 7.756 casos e uma morte est\u00e1 em investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A febre oropouche \u00e9 uma arbovirose, causada pelo v\u00edrus Orthobunyavirus oropoucheense. Esse ant\u00edgeno \u00e9 transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim, que vive em \u00e1reas vegetais \u00famidas e quentes.<\/p>\n<p>Os sintomas s\u00e3o semelhantes aos da dengue:<\/p>\n<p><strong>Dor de cabe\u00e7a intensa;<\/strong><br \/>\n<strong>Dor muscular;<\/strong><br \/>\n<strong>Febre.<\/strong><br \/>\n<strong>Doen\u00e7a subnotificada<\/strong><\/p>\n<p>O estudo multidisciplinar analisou mais de 9,4 mil amostras de sangue colhidas, em 2021 e 2022, de pessoas saud\u00e1veis e febris, a partir de m\u00e9todos in vitro, sorol\u00f3gicos, moleculares e gen\u00f4micos. Os pesquisadores tamb\u00e9m produziram uma modelagem espacial combinando esses dados com os casos da doen\u00e7a registrados em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A taxa m\u00e9dia de detec\u00e7\u00e3o de anticorpos IgG (que comprovam que a pessoa j\u00e1 foi infectada pelo v\u00edrus em algum momento da vida) foi de 6,3%, passando de 10% em regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia. Amostras positivas foram encontradas em indiv\u00edduos de 57% das localidades selecionadas.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, isso aponta que a febre oropouche tem sido subdiagnosticada. Al\u00e9m disso, a identifica\u00e7\u00e3o desses anticorpos em amostras colhidas durante surtos de dengue pode indicar que pessoas com oropouche receberam diagn\u00f3stico de dengue, considerando tamb\u00e9m a semelhan\u00e7a de sintomas entre as doen\u00e7as.<\/p>\n<p>J\u00e1 os modelos espa\u00e7o-temporais mostraram que as vari\u00e1veis clim\u00e1ticas, como as mudan\u00e7as de padr\u00e3o da temperatura e da chuva, foram os principais fatores de influ\u00eancia para a dissemina\u00e7\u00e3o da oropouche, contribuindo com 60%. Por isso, os pesquisadores acreditam que eventos clim\u00e1ticos extremos, como o El Ni\u00f1o, provavelmente tiveram um papel fundamental no surto iniciado em 2023.<\/p>\n<p>O artigo explica que mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podem favorecer o aumento da transmiss\u00e3o do v\u00edrus que causa a febre oropouche ao elevar as popula\u00e7\u00f5es de maruins, favorecer a transmiss\u00e3o das f\u00eameas de maruins para seus filhotes ou intensificar a replica\u00e7\u00e3o viral em mais animais.<\/p>\n<p><strong>Regi\u00f5es de maior risco<\/strong><br \/>\nO mapa resultante desses modelos mostra que o risco de aumento da transmiss\u00e3o \u00e9 maior nas regi\u00f5es costeiras do pa\u00eds, especialmente do Esp\u00edrito Santo ao Rio Grande do Norte, e tamb\u00e9m em uma faixa que vai de Minas Gerais ao Mato Grosso, al\u00e9m de toda a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. &#8220;Nas regi\u00f5es com risco estimado elevado de transmiss\u00e3o do OROV [v\u00edrus da febre do oropouche], onde ainda n\u00e3o foram reportados casos, o aumento da vigil\u00e2ncia \u00e9 crucial para compreender e responder de forma eficaz aos surtos atuais e futuros&#8221;, recomendam os pesquisadores.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m defende que testes diagn\u00f3sticos para oropouche devem ser priorizados, e as estrat\u00e9gias de controle vetorial, com as que s\u00e3o utilizadas para diminuir a prolifera\u00e7\u00e3o do Aedes aegypti, devem ser adaptadas para incluir os maruins. Al\u00e9m disso, estimulam mais estudos sobre a doen\u00e7a e para o desenvolvimento de uma vacina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os eventos clim\u00e1ticos s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela explos\u00e3o de casos de febre oropouche, de acordo com estudo publicado na revista cient\u00edfica The Lancet, que analisou dados de seis pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, incluindo o Brasil. &#8220;O risco de infec\u00e7\u00e3o provavelmente evoluir\u00e1 de forma din\u00e2mica nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, com potencial para surtos futuros em grande [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":352292,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-352291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352291"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":352293,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352291\/revisions\/352293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/352292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}