{"id":352303,"date":"2025-04-19T00:41:39","date_gmt":"2025-04-19T03:41:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352303"},"modified":"2025-04-19T08:43:16","modified_gmt":"2025-04-19T11:43:16","slug":"comerciantes-buscam-realizar-sonhos-na-via-sacra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/comerciantes-buscam-realizar-sonhos-na-via-sacra\/","title":{"rendered":"Comerciantes buscam realizar sonhos na Via Sacra"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOlha o salgadinho\u2026 cinco reais\u201d. Matheus de Souza, de 27 anos, esperava, nesta sexta-feira da Paix\u00e3o (18), os momentos de sil\u00eancio da missa que abria o tradicional espet\u00e1culo da Via Sacra, em Planaltina, a 50 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, para oferecer ao p\u00fablico os produtos que carregava nos bra\u00e7os havia mais de tr\u00eas horas.<\/p>\n<p>Matheus se disse orgulhoso de ter o nome de um dos ap\u00f3stolos de Cristo. O rapaz queria garantir a venda, mas tamb\u00e9m pedir ao xar\u00e1, S\u00e3o Matheus, e at\u00e9 a Jesus Cristo, que ressuscitaria l\u00e1 na frente dele, no alto do Morro da Capelinha, um emprego fixo e a chance de voltar a estudar para poder cuidar melhor das duas filhas crian\u00e7as. Matheus \u00e9 pai solo e, mesmo t\u00e3o jovem, diz que os sonhos s\u00e3o como \u201cmilagre\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstudei s\u00f3 at\u00e9 a quinta s\u00e9rie. Nem sei ler direito\u201d.<\/p>\n<p>Justo ele, que trabalha como auxiliar de limpeza em uma escola particular, mas que n\u00e3o tem recurso para entrar em uma sala de aula daquelas, de um pre\u00e7o t\u00e3o salgado que ele nem sabe quantificar. A rotina no batente, de todos os dias que n\u00e3o s\u00e3o santos, vai das 9h \u00e0s 18h.<\/p>\n<p>Assim que o expediente termina, Matheus vai para o segundo turno, at\u00e9 as 22h, vendendo em sinais de tr\u00e2nsito os sacos de salgadinhos que tentava oferecer na Via Sacra em Planaltina. Assim que chega em casa, busca as meninas na casa da av\u00f3 para contar hist\u00f3rias a elas e come\u00e7ar tudo de novo no dia seguinte.<\/p>\n<p><strong>Letras decoradas<\/strong><br \/>\nOutra espera de milagre tem o nome do pai de Jesus. Na Via Sacra de Planaltina, o cearense Jos\u00e9 Silva, de 40 anos, vendia batata frita. Ali\u00e1s, essa atividade de com\u00e9rcio ele conhece desde crian\u00e7a, em Juazeiro do Norte. H\u00e1 20 anos mudou para Bras\u00edlia e, desde ent\u00e3o, busca a sobreviv\u00eancia em pequenos bicos de venda at\u00e9 no transporte p\u00fablico. Hoje, mais que ele mesmo, precisa levar o sustento para os cinco filhos em \u00c1guas Lindas de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que Jos\u00e9 se considera analfabeto. Estudou apenas at\u00e9 a segunda s\u00e9rie. Para embarcar no \u00f4nibus, decorou as primeiras duas letras iniciais e as \u00faltimas duas do letreiro.<\/p>\n<p>\u201cSeria um milagre voltar a estudar, mas s\u00f3 se Deus quisesse mesmo\u201d. Neste s\u00e1bado, o percurso, de 85 quil\u00f4metros at\u00e9 o trabalho, demorou mais de cinco horas. \u201cQuem est\u00e1 sem trabalho precisa se virar mesmo. Amanh\u00e3 ser\u00e1 outro dia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Volunt\u00e1rios<\/strong><br \/>\nA 52\u00aa edi\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo da Via Sacra de Planaltina, uma das regi\u00f5es administrativas do Distrito Federal, foi dirigida pelo dramaturgo Preto Rezende, o p\u00fablico, que costuma chegar a 100 mil pessoas, e os comerciantes, todos acompanharam a captura, o julgamento, a tortura, a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo em 14 esta\u00e7\u00f5es, com a participa\u00e7\u00e3o de 1,4 mil pessoas, entre t\u00e9cnicos, atores e figurantes, que atuam voluntariamente.<\/p>\n<p>As pessoas s\u00e3o recrutadas na pr\u00f3pria comunidade. Enquanto a emo\u00e7\u00e3o toma conta dos presentes, h\u00e1 grupos que pagam promessas, cantam e rezam lembrando de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Cocos e flores<\/strong><br \/>\nUm dos fi\u00e9is, Carlos Silva, que tamb\u00e9m tem nome de santo e \u00e9 devoto de Padre C\u00edcero, optou por n\u00e3o entrar nas esta\u00e7\u00f5es da Via Sacra. Carlos preferiu esperar no p\u00f3rtico de entrada para oferecer produtos artesanais feitos com a palha do coco verde. Chap\u00e9us, cestas de alimentos, flores\u2026 Ele, tamb\u00e9m analfabeto, diz que sonhava na inf\u00e2ncia, em Montes Claros, Minas Gerais, estudar medicina. Mas \u201ctudo deu errado\u201d.<\/p>\n<p>Viu-se sozinho e sem a fam\u00edlia. Virou pessoa em situa\u00e7\u00e3o de rua por quase 10 anos. Passou a puxar carrinho de reciclagem e nas ruas aprendeu com amigos como se dobrava a palha do fruto. Aprendeu a escalar a \u00e1rvore e a dormir debaixo dela. Hoje, aos 39 anos, mora de favor, em Planaltina, com dois amigos, e sai pelas ruas para vender sua arte.<\/p>\n<p>\u201cTer uma casa para morar, terminar o curso de ensino fundamental pelo EJA [Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos] e alugar uma loja seriam milagres para mim. Eu ficarei rezando e ouvindo daqui\u201d. E, enquanto reza, suas m\u00e3os transformam o coco em mais uma flor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOlha o salgadinho\u2026 cinco reais\u201d. Matheus de Souza, de 27 anos, esperava, nesta sexta-feira da Paix\u00e3o (18), os momentos de sil\u00eancio da missa que abria o tradicional espet\u00e1culo da Via Sacra, em Planaltina, a 50 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, para oferecer ao p\u00fablico os produtos que carregava nos bra\u00e7os havia mais de tr\u00eas horas. 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