{"id":352309,"date":"2025-04-20T08:32:27","date_gmt":"2025-04-20T11:32:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352309"},"modified":"2025-04-20T08:32:27","modified_gmt":"2025-04-20T11:32:27","slug":"pode-a-memoria-ser-reflexiva-aproveitando-as-comemoracoes-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pode-a-memoria-ser-reflexiva-aproveitando-as-comemoracoes-da-pascoa\/","title":{"rendered":"Pode a mem\u00f3ria ser reflexiva aproveitando as comemora\u00e7\u00f5es da P\u00e1scoa?"},"content":{"rendered":"<p>Com a chegada da P\u00e1scoa e tantos ovos de chocolate, literalmente sobre a minha cabe\u00e7a, durante as idas ao supermercado, lembrei-me de quando era coordenadora pedag\u00f3gica numa escola p\u00fablica e de como lut\u00e1vamos para construir uma cultura escolar pautada na reflex\u00e3o. Em tempos que ainda n\u00e3o tinham sido atacados pelo estado de ser Big brother, trabalh\u00e1vamos para expurgar certas cristaliza\u00e7\u00f5es e ran\u00e7os did\u00e1ticos, dentro da escola de Ensino Fundamental. Dar trabalhos escolares relativos a datas c\u00edvicas ou religiosas faz parte da pr\u00e1tica did\u00e1tica repetida compulsivamente, na escola, desde a \u00e9poca de nossos av\u00f3s. Mas \u00e9 menos inocente do que parece. Pode perpetuar preconceitos e provocar intemp\u00e9ries pedag\u00f3gicas, conforme a maneira pela qual for conduzida. Sou de uma gera\u00e7\u00e3o que desconfia sempre, estranha muito, mas que, mesmo sexagen\u00e1ria, continua refletindo. Sou da gera\u00e7\u00e3o que inventou outro &#8220;dia&#8221;, como diz o poema musicado de Chico Buarque de Holanda.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de voc\u00ea<br \/>\nAmanh\u00e3 h\u00e1 de ser<br \/>\nOutro dia<br \/>\nEu pergunto a voc\u00ea<br \/>\nOnde vai se esconder<br \/>\nDa enorme euforia<br \/>\nComo vai proibir<br \/>\nQuando o galo insistir<br \/>\nEm cantar<br \/>\n\u00c1gua nova brotando<br \/>\nE a gente se amando<br \/>\nSem parar<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p>Inda pago pra ver<br \/>\nO jardim florescer<br \/>\nQual voc\u00ea n\u00e3o queria<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p>Voc\u00ea vai ter que ver<br \/>\nA manh\u00e3 renascer<br \/>\nE esbanjar poesia.<br \/>\nComo vai se explicar<br \/>\nVendo o c\u00e9u clarear<br \/>\nDe repente, impunemente.<br \/>\nComo vai abafar<br \/>\nNosso coro a cantar<br \/>\nNa sua frente<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..&#8221;<\/p>\n<p>Sou da gera\u00e7\u00e3o que lia Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto e encenava Morte e Vida Severina l\u00e1 no TUCA (Teatro da Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo). Sou da gera\u00e7\u00e3o de estudantes que tomou o poema Tecendo a manh\u00e3 (tamb\u00e9m do Jo\u00e3o Cabral) como palavra de ordem:<\/p>\n<p>Um galo sozinho n\u00e3o tece uma manh\u00e3:<br \/>\nele precisar\u00e1 sempre de outros galos.<br \/>\nDe um que apanhe esse grito que ele<br \/>\ne o lance a outro; de um outro galo<br \/>\nque apanhe o grito que um galo antes<br \/>\ne o lance a outro; e de outros galos<br \/>\nque com muitos outros galos se cruzem<br \/>\nos fios de sol de seus gritos de galo,<br \/>\npara que a manh\u00e3, desde uma teia t\u00eanue,<br \/>\nse v\u00e1 tecendo, entre todos os galos.<br \/>\nE se encorpando em tela, entre todos,<br \/>\nse erguendo tenda, onde entrem todos,<br \/>\nse entretendo para todos, no toldo<br \/>\n(a manh\u00e3) que plana livre de arma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA manh\u00e3, toldo de um tecido t\u00e3o a\u00e9reo<br \/>\nque, tecido, se eleva por si: luz bal\u00e3o.<\/p>\n<p>Sou da gera\u00e7\u00e3o que lutou por seus ideais entretendo (O poema supra cria essa palavra que seria ger\u00fandio do verbo &#8220;entretender&#8221;, que evoca a presen\u00e7a das palavras: &#8220;entre&#8221;, &#8220;tenda&#8221;, &#8220;entender&#8221;, &#8220;tender&#8221;.). Sou da gera\u00e7\u00e3o que viveu entre a repress\u00e3o pol\u00edtica e a expans\u00e3o da intelectualidade, entre a censura e a cria\u00e7\u00e3o de neologismos; teve por tenda a arte; entendeu met\u00e1foras. Sou da gera\u00e7\u00e3o que sobreviveu sob cognomes e ensinou pela par\u00e1bola como No caminho com Maiakovski, escrita por Eduardo Alves da Costa que foi atribu\u00edda a Bertolt Brecht ou a Vladimir Maiakovski, durante os anos de chumbo.<\/p>\n<p>(Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E n\u00e3o dizemos nada. Na segunda noite, j\u00e1 n\u00e3o se escondem; pisam as flores, matam nosso c\u00e3o, e n\u00e3o dizemos nada. At\u00e9 que um dia, o mais fr\u00e1gil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E j\u00e1 n\u00e3o podemos dizer nada.)<\/p>\n<p>Sou da gera\u00e7\u00e3o que exercia o poder de escolha nos festivais de M\u00fasica Popular Brasileira. Sou da gera\u00e7\u00e3o que adorava ouvir os relatos dos irm\u00e3os e primos mais velhos sobre a chamada Guerra da Maria Antonia (disputa pol\u00edtico ideol\u00f3gica entre alunos do Mackenzie e da USP, cujas faculdades tinham por sede a Rua Maria Antonia, na cidade de S\u00e3o Paulo, em 1968. Houve interven\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar.).<\/p>\n<p>Sou da gera\u00e7\u00e3o que conviveu com colegas mais velhos e que foram alunos da Professora<br \/>\nDoutora e autora de livro did\u00e1tico para a escola fundamental, mas que foi afastada pelos &#8220;milicos&#8221; da chefia de seu cargo na Universidade p\u00fablica. Ela teve seu lugar tomado pelo Dr. Ganso (claro que esse era seu apelido!). Ele que institucionalizou o teste do sof\u00e1 naquele departamento. O teste (\u00e9 claro) era s\u00f3 para quem se inscrevia&#8230; A inscri\u00e7\u00e3o n\u00e3o era obrigat\u00f3ria. Poder\u00edamos optar pelo grupo da Opus Dei, ou simplesmente esquecer a possibilidade de batalhar por uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o&#8230; Sou da gera\u00e7\u00e3o que estudou em &#8220;barrac\u00f5es&#8221; (pr\u00e9dios improvisados) no campus da Universidade S\u00e3o Paulo. Sou da gera\u00e7\u00e3o que sabia que as pr\u00e1ticas escolares do per\u00edodo das ditaduras poderiam fechar mentes ao inv\u00e9s de abri-las. Sou da gera\u00e7\u00e3o filha ou neta das v\u00edtimas do sistema educacional \u00e0 moda Get\u00falio Vargas, cujo governo negou-se a aumentar o n\u00famero de vagas na escola p\u00fablica, tentava moralizar o pa\u00eds repetindo em com\u00edcios para oper\u00e1rios: &#8220;quem estuda, passa&#8221;. Get\u00falio que se esquecia de dizer que, o aluno que tivesse qualquer problema familiar como morte da m\u00e3e ou abandono do pai se desgarrava do lindo rebanho dos eleitos para sempre.<\/p>\n<p>Sou da gera\u00e7\u00e3o que repudiava os falsos moralistas. Na ditadura militar, as datas c\u00edvicas eram obrigatoriamente comemoradas no dia e com a escola aberta, a frequ\u00eancia obrigat\u00f3ria e a aus\u00eancia injustificada, de tal forma que nunca fomos \u00e0 praia no dia sete de setembro de diversos anos de nossas vidas. (E a vida de muitos colegas foi breve por &#8216;destino&#8217; ou abreviada pela tortura!). Sou da gera\u00e7\u00e3o que sabe que as &#8216;Efem\u00e9rides&#8217; enquanto tarefas escolares s\u00e3o pouco aceitas por professores reflexivos, at\u00e9 hoje, pois consolidam estrat\u00e9gias did\u00e1ticas de car\u00e1ter hegem\u00f4nico.<\/p>\n<p>A Quaresma, por exemplo, foi criada no s\u00e9culo IV, pelo Papa Greg\u00f3rio I. A dura\u00e7\u00e3o da Quaresma, sim, \u00e9 citada na B\u00edblia por diversas vezes&#8230;<\/p>\n<p>Quarenta dias do dil\u00favio&#8230; Quarenta anos de peregrina\u00e7\u00e3o do povo judeu pelo deserto&#8230; Quarenta dias de Mois\u00e9s e de Elias na montanha&#8230;<\/p>\n<p>Quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de come\u00e7ar sua vida p\u00fablica. Foi, portanto, a partir de uma ordem Papal que a quaresma passou a ter for\u00e7a de penit\u00eancia lit\u00fargica.<\/p>\n<p>Quarenta anos do massacre do povo palestino pelo Estado judeu.<\/p>\n<p>Dentre as efem\u00e9rides tolero com prazer o dia Primeiro de Maio \u2012 que \u00e9 o dia do Trabalhador e (fa\u00e7a-me o favor!) da Trabalhadora principalmente.<\/p>\n<p>Gosto tamb\u00e9m do dia dos Professores (percebeu o plural?): dia de uma categoria! Em Floripa, fiquei sabendo, em 2013, que muitas pessoas na faixa de 80 anos, nascidas quer no interior de S\u00e3o Paulo, quer na grande Florian\u00f3polis n\u00e3o conheceram, na inf\u00e2ncia, as comemora\u00e7\u00f5es da P\u00e1scoa, tal como ocorrem hoje (coelhinhos, ovos gigantes,&#8230;). Na minha inf\u00e2ncia, imaginava que todo o mundo era igual aos moradores do nosso bairro e aos fi\u00e9is da Igreja S\u00e3o Jos\u00e9. Deve ser por isso que a gente cresce: para nossa alma expandida caber dentro de n\u00f3s e para podermos abarcar outras experi\u00eancias diversas das nossas.<\/p>\n<p>Na quinta-feira retomava-se o Lava P\u00e9s, no qual Jesus ajoelhava-se para todos os ap\u00f3stolos inclusive frente ao malvado traidor Judas&#8230; Como se n\u00e3o bastasse, o velhinho, doce e bondoso Padre Dante tinha de faz\u00ea-lo tamb\u00e9m frente aos jovens da turma da Legi\u00e3o de Maria que representavam os ap\u00f3stolos nessas ocasi\u00f5es&#8230; Tudo aquilo era muito forte para mim que era crian\u00e7a e, al\u00e9m disso, muito religiosa e muito sens\u00edvel&#8230; E havia via sacra e tome maus tratos em Jesus que era de dar pena&#8230; E Prociss\u00e3o da Sexta-Feira da Paix\u00e3o&#8230; E eu sofria com cada chicotada, com cada ferida do Filho de Deus&#8230; Mas minha alma de poetisa se deliciava com o c\u00e2ntico da Ver\u00f4nica que podia chegar perto de Cristo e fotografar sua face com o pano sagrado.<\/p>\n<p>Lembro-me da P\u00e1scoa de minha inf\u00e2ncia como uma grande oportunidade de me sentir adulta, acordando antes do sol nascer para ir \u00e0 prociss\u00e3o da Igreja S\u00e3o Jos\u00e9 do Ipiranga, na minha amada cidade de S\u00e3o Paulo, quando ainda n\u00e3o era uma megal\u00f3pole. Podia carregar uma vela acesa rodeada por um papel celofane colorido, em todo o grande percurso. Era a chamada prociss\u00e3o do Encontro. Nessas ocasi\u00f5es, minha m\u00e3e usava uma mantilha de renda preta e eu uma mantilha de renda branca: linda, lind\u00edssima!<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca para comungarmos na missa da manh\u00e3, dever\u00edamos fazer jejum desde a noite anterior. A sa\u00edda da missa era gloriosa, pois um ovo de P\u00e1scoa me esperava, em casa, que ao chegar cheirava caf\u00e9 feito em coador de tecido. Alguns familiares que n\u00e3o gostavam da prociss\u00e3o e sim de dormir um pouco mais ou de levantar cedo e permanecer em casa para preparar os assados e as massas para o almo\u00e7o, deixavam a mesa posta para n\u00f3s que hav\u00edamos madrugado. E eu me servia s\u00f3 de leite&#8230; Nem p\u00e3o, nem manteiga ou bolacha para quebrar o jejum. No leite, eu colocava um peda\u00e7o bem grande de chocolate que destacava do ovo, tornando a vesti-lo, em seguida, com sua arma\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico, seu papel laminado e seu papel celofane com desenhos de coelhinhos. Era uma maneira de recomp\u00f4-lo e de poder pensar que ainda estava inteiro at\u00e9 a sobremesa do almo\u00e7o de P\u00e1scoa, n\u00e3o se esquecendo de guardar para levar de lanche para a escola na segunda-feira, que era o dia chamado de &#8220;Pasquela&#8221;.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m de baby doll de nylon e chinelos de cetim bordado com lantejoulas e mi\u00e7angas bisbilhotava meu desjejum:<\/p>\n<p>\u2012 Puxa, que gulosa, sua carola!<\/p>\n<p>\u2012 Olha l\u00e1 quem fala! Sua passeadeira da Missa das Dez!<\/p>\n<p>A &#8220;carola&#8221; e a &#8220;passeadeira&#8221; cresceram e escolheram lindas profiss\u00f5es:<\/p>\n<p>uma a de educadora e a outra de assistente social. Ambas leram BUBER e uma amou o Encontro buberiano e outra o pensamento dial\u00f3gico e a Utopia (mais do que amavam os Beatles e os Roling Stones). Ambas lutaram por um pa\u00eds com menos desigualdades sociais.<\/p>\n<p>Uma adoeceu com dignidade e foi chamada, relativamente cedo, para ver a face de Cristo no pano sagrado de Ver\u00f4nica e ouvi-la cantar para Ele todo dia (al\u00e9m de participar das rodas de samba celestes, ir aos novos shows da Elis Regina e de Vin\u00edcius de Moraes). A outra envelheceu com serenidade&#8230; Certa de que todo dia pode ser uma oportunidade de organizar uma prociss\u00e3o (ou passeata) pelo Encontro. Crente de que em todos os dias pode-se ressurgir, renovando a pr\u00f3pria capacidade de expandir-se e de compartilhar alteridade. Ciente de que a grande efem\u00e9ride nunca \u00e9 hegem\u00f4nica e sempre \u00e9 cr\u00edtica e reflexiva.<\/p>\n<p>Pois a grande efem\u00e9ride somos n\u00f3s&#8230; Em humanidade e fraternidade&#8230; A efem\u00e9ride que merece ser comemorada e at\u00e9 ser objeto de tarefa para inocentes criancinhas somos n\u00f3s: gente de todas as idades, gente plena de pluralidade. Gente que cultiva a esperan\u00e7a de que &#8220;amanh\u00e3 ser\u00e1 outro dia&#8230; apesar de voc\u00ea&#8221;, representante institu\u00eddo, que para mostrar servi\u00e7o cria Projeto de Lei que leva seu nome e prop\u00f5e mais uma data de car\u00e1ter hegem\u00f4nico ou populista.<\/p>\n<p>Apesar de voc\u00ea, em seu estado de ser Big Brother, a outra envelhece, com serenidade, lembrando-se da m\u00e3e de mantilha preta ou com os cabelos ao vento, da irm\u00e3 assistente social lendo Buber, da letra de Chico Buarque, dos poemas do Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, do poder em longo prazo das passeatas pac\u00edficas, do poder pessoal de estar com todos os ideais em dia, da inten\u00e7\u00e3o de negar a pedagogia do sofrimento e da exclus\u00e3o, para firmar votos pela fraternidade, pela empatia e pela compaix\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a chegada da P\u00e1scoa e tantos ovos de chocolate, literalmente sobre a minha cabe\u00e7a, durante as idas ao supermercado, lembrei-me de quando era coordenadora pedag\u00f3gica numa escola p\u00fablica e de como lut\u00e1vamos para construir uma cultura escolar pautada na reflex\u00e3o. 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