{"id":35232,"date":"2015-01-28T00:03:10","date_gmt":"2015-01-28T03:03:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=35232"},"modified":"2015-01-28T11:13:43","modified_gmt":"2015-01-28T14:13:43","slug":"industria-textil-e-agropecuaria-abusam-com-o-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/industria-textil-e-agropecuaria-abusam-com-o-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastria t\u00eaxtil e agropecu\u00e1ria abusam com trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa do governo paulista revela que a maior parte dos casos de v\u00edtimas de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o em S\u00e3o Paulo ocorre no setor t\u00eaxtil, na agropecu\u00e1ria e na constru\u00e7\u00e3o civil. O levantamento, feito pela Secretaria da Justi\u00e7a e da Defesa da Cidadania, analisou 257 processos relacionados ao tr\u00e1fico de pessoas e ao trabalho escravo, sendo 171 a\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e 86 procedimentos do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT). Os dados, obtidos pela Ag\u00eancia Brasil, correspondem aos meses de agosto e setembro do ano passado.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos processos do MPF, o ramo t\u00eaxtil registrou 179 pessoas exploradas pelo empregador no per\u00edodo analisado. Na constru\u00e7\u00e3o civil, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que 281 trabalhadores tenham sido v\u00edtimas. No setor de agricultura e pecu\u00e1ria, a m\u00e9dia chegou a aproximadamente 125 pessoas. Os dados s\u00e3o estimativas, pois os processos n\u00e3o t\u00eam uniformidade de informa\u00e7\u00f5es, o que dificulta tra\u00e7ar de forma exata o perfil dos casos de trabalho escravo no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente, a causa geradora desse problema \u00e9 a aus\u00eancia de pol\u00edtica p\u00fablica na localidade onde as pessoas est\u00e3o. A tend\u00eancia \u00e9: eu n\u00e3o tenho trabalho, eu preciso trabalhar, ent\u00e3o vou procurar trabalho onde tem. Se a oportunidade de trabalho vem de forma abusiva, provavelmente \u00e9 onde vou ter que me socorrer. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia praticamente\u201d, destaca a coordenadora do N\u00facleo de Enfrentamento do Tr\u00e1fico de Pessoas da Secretaria de Justi\u00e7a e Defesa da Cidadania do estado de S\u00e3o Paulo, Juliana Felicidade Arnede.<\/p>\n<blockquote><p>Os dados do MPT apontam que, dos 71 processos que identificam o ramo de explora\u00e7\u00e3o, 63% ocorreram na \u00e1rea urbana. O setor de constru\u00e7\u00e3o civil lidera o n\u00famero de casos, com 32% do total, seguido do ramo agropecu\u00e1rio, com 30% (21 ocorr\u00eancias) e t\u00eaxtil, com 17% dos casos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de v\u00edtimas, no ambiente rural h\u00e1 predomin\u00e2ncia do sexo masculino: foram 1.408 homens e 192 mulheres. O mesmo cen\u00e1rio \u00e9 visto na constru\u00e7\u00e3o civil, onde apenas um era mulher, dos 76 trabalhadores identificados. No setor t\u00eaxtil, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, com 80 homens e 45 mulheres \u2013 36% das v\u00edtimas do sexo feminino.<\/p>\n<p>O mapeamento a partir dos processos do MPF revela ainda que, nos casos em que \u00e9 poss\u00edvel identificar a origem das v\u00edtimas, 43% vieram de outros pa\u00edses, sendo a maior parte da Bol\u00edvia. Os trabalhadores do pa\u00eds latino correspondem a 16 dos 20 casos. A maior \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 o setor t\u00eaxtil, com 14 ocorr\u00eancias.<\/p>\n<blockquote><p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, o Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o de origem da maior parte dos trabalhadores explorados. \u201cEssa pode ser uma evid\u00eancia de que o aliciamento de m\u00e3o de obra por meio de intermediadores irregulares ainda \u00e9 uma pr\u00e1tica comum no Nordeste brasileiro\u201d, assinala o estudo.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cPara combater isso, \u00e9 importante que o Pacto Federativo funcione, que a gente tenha um comprometimento das redes sociais n\u00e3o s\u00f3 a partir do local onde a pessoa sofre o problema, mas a partir do local onde vive, onde pode criar boas oportunidades, seja para ficar, seja para ir para outro local. Mas o necess\u00e1rio \u00e9 que voc\u00ea tenha uma integra\u00e7\u00e3o efetiva de pol\u00edtica p\u00fablica em \u00e2mbito nacional. Isso n\u00e3o existe e \u00e9 por isso que as pessoas sofrem\u201d, ressalta Arnede.<\/p>\n<p>Nos procedimentos do MPT, a maioria das v\u00edtimas (52%) nasceu na Bol\u00edvia. \u201cEssa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante not\u00f3ria, porque reafirma um fluxo migrat\u00f3rio que vem se consolidando ao longo dos anos\u201d, diz o texto. Tamb\u00e9m foram identificados haitianos (7%), paraguaios (3%) e chilenos (0,5%).<\/p>\n<p>O n\u00famero de v\u00edtimas brasileiras corresponde a 38%. Os trabalhadores resgatados eram originados de cinco estados. O Maranh\u00e3o foi o mais recorrente, com 18 trabalhadores em condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o, seguido da Bahia, com sete; S\u00e3o Paulo, com quatro; o Cear\u00e1 e o Piau\u00ed, com uma v\u00edtima cada.<\/p>\n<p><strong>Camila Maciel e Bruno Bocchini, ABr<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa do governo paulista revela que a maior parte dos casos de v\u00edtimas de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o em S\u00e3o Paulo ocorre no setor t\u00eaxtil, na agropecu\u00e1ria e na constru\u00e7\u00e3o civil. 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