{"id":352379,"date":"2025-04-20T09:35:21","date_gmt":"2025-04-20T12:35:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352379"},"modified":"2025-04-20T09:35:21","modified_gmt":"2025-04-20T12:35:21","slug":"renan-nerd-escritor-advogado-e-diz-ceci-um-gala-bem-charmoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/renan-nerd-escritor-advogado-e-diz-ceci-um-gala-bem-charmoso\/","title":{"rendered":"Renan, nerd, escritor, advogado e, diz Ceci, um gal\u00e3 bem charmoso"},"content":{"rendered":"<p>Dizem por a\u00ed que certas vidas dariam livros. A dele, por exemplo, j\u00e1 rendeu quatro \u2014 dois publicados, um prestes a ver a luz do dia e outro sendo cuidadosamente lapidado, como quem afia uma espada antes da batalha final. E olha que ainda nem mencionamos o curr\u00edculo de advogado, a alma de poeta ou o cora\u00e7\u00e3o nerd.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 o tipo de cara que voc\u00ea encontra num rod\u00edzio de pizza, disputando a \u00faltima fatia de calabresa com a pr\u00f3pria irm\u00e3, e logo depois, mergulhado em um tratado de filosofia estoica como quem busca respostas para os dilemas da alma. &#8220;O problema n\u00e3o \u00e9 o mundo, \u00e9 como a gente olha pra ele&#8221;, diria ele, entre um gole de caf\u00e9 e um biscoito (sim, biscoito, porque \u00e9 carioca e nisso n\u00e3o h\u00e1 debate).<\/p>\n<p>A inf\u00e2ncia? Recheada de hist\u00f3rias. N\u00e3o aquelas de inf\u00e2ncia dif\u00edcil, n\u00e3o \u2014 ele cresceu cercado por amor, bons livros e p\u00e9ssimos videogames dos anos 90 que o ensinaram, desde cedo, a n\u00e3o desistir f\u00e1cil. Sua fam\u00edlia, ali\u00e1s, \u00e9 seu pilar. &#8220;Se eu escrevo, \u00e9 porque fui muito bem lido pela vida&#8221;, brinca, enquanto organiza mentalmente um poema que vai direto pro Instagram mais tarde, ou pro Notibras, onde j\u00e1 \u00e9 presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Sobre a advocacia, ele fala com brilho nos olhos, mas tamb\u00e9m com as cicatrizes de quem j\u00e1 lidou com muitas causas que mais pareciam epis\u00f3dios de drama jur\u00eddico com roteiro da HBO. Entre audi\u00eancias e peti\u00e7\u00f5es complexas, ele descobriu que, no fundo, tudo \u00e9 narrativa. &#8220;Um bom advogado \u00e9 meio escritor, meio fil\u00f3sofo, meio psic\u00f3logo \u2014 e ainda precisa almo\u00e7ar em quinze minutos.&#8221;<\/p>\n<p>A filosofia? Um ref\u00fagio e uma lente. Gosta especialmente dos pensadores que mergulham fundo na condi\u00e7\u00e3o humana. &#8220;S\u00e3o os \u00fanicos com quem gosto de debater depois da meia-noite&#8221;, ri, enquanto assevera \u201cAh, e Daniel Marchi, que vez ou outra dialoga comigo pelo WhatsApp sobre poesia e raz\u00f5es internas\u201d. Talvez, por isso, seus livros tragam sempre um toque existencial \u2014 mesmo quando est\u00e1 falando de fantasia.<\/p>\n<p>Ah, os livros&#8230; O primeiro, um compilado de poesias que tocavam temas como amor, perda e os labirintos internos. O segundo, uma n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o que nasceu quase sem querer, durante um per\u00edodo de inquieta\u00e7\u00e3o intelectual. O terceiro, ainda in\u00e9dito, \u00e9 um reencontro com os versos que o formaram. E o quarto, um romance de fantasia, \u00e9 sua aventura mais ousada at\u00e9 agora \u2014 e talvez a mais pessoal.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Eu queria criar um mundo onde a dor tivesse forma, e a coragem tamb\u00e9m&#8221;, confidenciou certa vez. E criou. Um universo em que o protagonista luta contra for\u00e7as externas e internas, cercado por mitos, deuses e d\u00favidas \u2014 tudo inspirado, quem sabe, em um certo advogado-poeta que tamb\u00e9m tem seus monstros e suas influ\u00eancias na vida.<\/p>\n<p>Hoje, entre atendimentos, textos e devaneios, ele vai seguindo. Caseiro por voca\u00e7\u00e3o, apaixonado por s\u00e9ries, games e boa m\u00fasica, ele \u00e9 aquele tipo raro de ser humano que consegue ser muitas coisas \u2014 e ainda assim, manter-se inteiro. Ou quase. Porque, como ele mesmo diria: &#8220;Ser inteiro \u00e9 coisa de rob\u00f4. Ser humano \u00e9 ser fenda. E \u00e9 pela fenda que a luz entra.&#8221;<br \/>\nE ele ri. Porque sabe que isso vai entrar na autobiografia.<\/p>\n<p>Dizem por a\u00ed que todo grande her\u00f3i tem uma origem modesta. No caso dele, a mod\u00e9stia foi dividida com risadas altas na mesa do jantar, videogames jogados at\u00e9 tarde e muita leitura. Ah, e esportes \u2013 acha que a vida \u00e9 s\u00f3 comer coisa gostosa?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-352381 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/conde1-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"564\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/conde1-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/conde1.jpg 705w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/p>\n<p>Desde pequeno, entre uma mordida e outra num sandu\u00edche de queijo com mortadela e uma tentativa frustrada de salvar o mundo com um controle de PlayStation nas m\u00e3os, ele j\u00e1 ensaiava frases de efeito. Algumas viraram poemas, outras s\u00f3 serviram pra fazer a m\u00e3e dele rir. A inf\u00e2ncia foi recheada de amor familiar, pipoca e uma fantasia quase messi\u00e2nica de que um dia escreveria um livro t\u00e3o bom quanto aqueles que ele devorava nas f\u00e9rias.<\/p>\n<p>&#8211; \u201cVoc\u00ea se lembra do primeiro texto que escreveu?\u201d, pergunto.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Claro. Tinha seis anos. Era sobre uma barata que se elegia presidente. Mas, infelizmente, perdeu para um rato corrupto. Um cl\u00e1ssico da literatura infantil marginalizada&#8221;, ele responde, rindo do pr\u00f3prio passado.<\/p>\n<p>Formou-se em Direito como quem cumpre uma profecia. N\u00e3o porque queria usar terno todo dia, mas porque aprendeu desde cedo que justi\u00e7a e poesia s\u00e3o irm\u00e3s distantes \u2014 e \u00e0s vezes at\u00e9 se encontram numa peti\u00e7\u00e3o bem escrita.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, escrever \u00e9 onde ele se sente mais em casa. S\u00e3o quatro livros nas costas num processo que ele descreve como \u201clapidar diamantes imagin\u00e1rios enquanto come pizza doce de Kinder Ovo\u201d. Sim, porque ningu\u00e9m pode ser profundamente sens\u00edvel com o est\u00f4mago vazio.<\/p>\n<p>&#8211; \u201cE qual \u00e9 a rotina de cria\u00e7\u00e3o?\u201d, pergunto, interessado.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Basicamente, eu sento com um caf\u00e9, olho para o nada, me distraio com uma m\u00fasica do Queen, penso numa cita\u00e7\u00e3o de algum escritor, tangencio sobre algo que estou sentindo, e quando percebo, j\u00e1 se passaram 2 (duas) horas e estou com 5 textos prontos. \u00c0s vezes cinco e meio&#8221;, ele ri. \u201cNo meio da madrugada, as ideias surgem entre um processo e outro, entre soundtrack de The Witcher 3 e o sono que n\u00e3o chega. Gosto de pensar que os personagens me visitam. \u00c0s vezes sentam no sof\u00e1, tomam um ch\u00e1, e dizem: &#8220;me escreve direito dessa vez.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, divide seu tempo entre as a\u00e7\u00f5es judiciais, os del\u00edrios po\u00e9ticos, os textos que publica no <strong>Notibras<\/strong>, e as batalhas herc\u00faleas do romance de fantasia que est\u00e1 escrevendo \u2013 fora o tempo que se dedica a Julliane, sua namorada. Diz que escrever um livro \u00e9 como ser um deus num mundo onde at\u00e9 o caos \u00e9 planejado \u2014 e que, mesmo assim, seus personagens ainda conseguem surpreend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Nerd assumido, caseiro convicto e um vaidoso sem remorso, ele olha para tr\u00e1s com gratid\u00e3o e um pouco de surpresa. \u201cNunca pensei que ia fazer tanta coisa antes dos 30. E olha que ainda n\u00e3o cheguei l\u00e1. Literalmente, acabei de fazer 28\u201d. (Renan faz anivers\u00e1rio no mesmo dia do talentos\u00edssimo poeta Augusto Frederico Schmidt, 18 de abril).<\/p>\n<p>-&#8216;\u2019E voc\u00ea sempre quis ser escritor?'&#8221;<\/p>\n<p>A pergunta bate como um raio no meio da entrevista. Sorri. Pensa em responder algo filos\u00f3fico, mas a verdade \u00e9 mais engra\u00e7ada:<\/p>\n<p>-&#8220;Quis ser ator, marinheiro, m\u00e9dico, bi\u00f3logo&#8230; e domador de dinossauros. Mas n\u00e3o d\u00e1 pra competir com a paix\u00e3o que a escrita provoca.&#8221;<\/p>\n<p>Nasceu no Rio, crian\u00e7a caseira e metida a cientista maluco. Inventava m\u00e1quinas com sucata, organizava julgamentos entre bonecos e lia bula de rem\u00e9dio como quem lia Tolkien. A fam\u00edlia? Base de tudo. Sua m\u00e3e lhe ensinou a falar, seu pai a observar. Sua irm\u00e3&#8230; bem, ela ensinou a correr mais r\u00e1pido que a confus\u00e3o.<\/p>\n<p>-&#8220;E a advocacia, como entrou na sua vida?&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; \u201cComo todo bom nerd que se preze, a paix\u00e3o veio por exclus\u00e3o: se n\u00e3o podia ser um cavaleiro de ouro, pelo menos podia lutar por justi\u00e7a com toga e gravata. E, sinceramente? A vida real tem seus vil\u00f5es e reviravoltas, mas tamb\u00e9m seus finais justos. Ou quase. Hoje sou advogado, sim. Mas tamb\u00e9m sou poeta, escritor, contador de causos.\u201d<\/p>\n<p>-&#8220;E como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico leitor?&#8221;<\/p>\n<p>-\u201cLan\u00e7o meus textos no Instagram como quem solta garrafas no mar. E no Notibras, encontro um porto. L\u00e1, cada poema \u00e9 um bilhete escrito no verso do cotidiano. Tenho prazer em brincar com as palavras como quem joga Mortal Kombat com o Scorpion: com estrat\u00e9gia, emo\u00e7\u00e3o e um pouco de apela\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>-&#8220;Algum momento da sua vida que te marcou?&#8221;<\/p>\n<p>-\u201cQuando estive de frente para todos que amo, olhei para eles e disse: obrigado at\u00e9 aqui. Eu consegui o que eu queria\u201d, ele fechou os olhos e riu. \u201cEu estava descendo as escadas, olhando para todos os amigos e familiares, enquanto meu nome era dito entre tantos outros formandos. Ali, eu percebi que um dos arcos mais lindos da minha vida tinha acabado.\u201d<\/p>\n<p>Pergunto a ele sobre qual era o seu sonho de inf\u00e2ncia, e ele prontamente responde, deixando no ar:<\/p>\n<p>&#8211; \u201cEu queria ser exatamente isso aqui. Mas com superpoderes.&#8221;<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, indago o que vem daqui pra frente, e ele me responde com humor:<\/p>\n<p>&#8211; \u201cAh, isso depende de quantos biscoitos tiver na despensa&#8230; e de quantas hist\u00f3rias ainda quiserem sair da minha cabe\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Cassiano Cond\u00e9, 81, ga\u00facho, deixou de teclar reportagens nas reda\u00e7\u00f5es por onde passou. Agora finca os p\u00e9s nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai p\u00e9rolas que se transformam em cr\u00f4nicas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem por a\u00ed que certas vidas dariam livros. A dele, por exemplo, j\u00e1 rendeu quatro \u2014 dois publicados, um prestes a ver a luz do dia e outro sendo cuidadosamente lapidado, como quem afia uma espada antes da batalha final. 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