{"id":352406,"date":"2025-04-21T01:52:10","date_gmt":"2025-04-21T04:52:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352406"},"modified":"2025-04-21T01:56:48","modified_gmt":"2025-04-21T04:56:48","slug":"golpe-e-tortura-nunca-mais-e-jamais-a-anistia-como-golpistas-querem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/golpe-e-tortura-nunca-mais-e-jamais-a-anistia-como-golpistas-querem\/","title":{"rendered":"Golpe e tortura nunca mais. E jamais a anistia, como golpistas querem"},"content":{"rendered":"<p>Como dizia Mathuzal\u00e9m pai, os pol\u00edticos antigos se esbofeteavam, se matavam, mas as rusgas partid\u00e1rias e ideol\u00f3gicas poupavam o pa\u00eds e seu povo. De remota lembran\u00e7a, dois casos balan\u00e7aram as estruturas pol\u00edticas de meados do s\u00e9culo passado. Em 1954, o ent\u00e3o deputado federal Carlos Lacerda, l\u00edder da extinta UDN e ex-governador do Estado da Guanabara, s\u00f3 se calou depois de, em agosto daquele ano, levar o presidente Get\u00falio Vargas ao suic\u00eddio. Por conta de uma rixa de poder, em dezembro de 1963, o senador Arnon de Mello (PDC), pai do ex-presidente Fernando Collor, atirou no que viu e acertou no que n\u00e3o viu.<\/p>\n<p>Era dezembro de 1963. No plen\u00e1rio do Senado, Arnon tentou matar o desafeto Silvestre P\u00e9ricles (PTB), ambos de Alagoas, mas acabou matando o senador acriano Jos\u00e9 Kairala (PSD), que estava s\u00f3 de passagem pelo Parlamento. No faroeste caboclo do Congresso Nacional, o povo foi mantido \u00e0 dist\u00e2ncia, ou seja, se livrou at\u00e9 dos estilha\u00e7os. Veio a Redentora de 1964, cuja lembran\u00e7a n\u00e3o vale sequer um par\u00e1grafo. Em nome do povo, fechou a Casa do Povo e o resultado foi aquilo que se viu: o Brasil se transformou no purgat\u00f3rio da beleza e do caos. Foi o tempo do triunfo da ignor\u00e2ncia e da estupidez.<\/p>\n<p>Hoje, 61 anos depois, os disc\u00edpulos das mesmas estultices querem novamente golpear a na\u00e7\u00e3o. Na verdade, queriam. Perderam a batalha por conta da \u00e9pica rea\u00e7\u00e3o do povo ordeiro e dos l\u00edderes de mentes s\u00e3s dos Tr\u00eas Poderes. A ideia era transformar em espet\u00e1culo o que n\u00e3o passou de divers\u00e3o para o mito de beira de cerca. Registrem que o pre\u00e7o a ser pago pela balb\u00fardia ideol\u00f3gica ser\u00e1 alto. As raz\u00f5es para a vit\u00f3ria da democracia foram numerosas. No entanto, al\u00e9m das rea\u00e7\u00f5es citadas, vale ressaltar o timing entre um e outro epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Em 1964, o golpe militar foi assegurado gra\u00e7as ao apoio direto do ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Lyndon B. Johnson, \u00e1vido para se apossar, com escritura definitiva, dos bens naturais e minerais do Brasil. Curiosamente, passadas seis d\u00e9cadas, o levante de 8 de janeiro de 2023 s\u00f3 n\u00e3o se consumou por falta do abra\u00e7o de outro presidente norte-americano. Avesso \u00e0 forma de governo do mandat\u00e1rio bravateiro, Joe Biden emitiu recados claros e quase di\u00e1rios para nossos militares adesistas. Ou seja, algo estava muito errado para que as mesmas pedras rolassem de forma diferente.<\/p>\n<p>E realmente estavam. O que se iniciou de maneira bisonha n\u00e3o podia terminar certo. Na verdade, o Coisinha de Jesus pregou em v\u00e3o o nome de Deus, prometeu aos seguidores uma p\u00e1tria nova e cheia de benesses, mas acabou morrendo na praia munido de botas e jaquet\u00e3o, exatamente como seu \u00eddolo Donald Trump, o espig\u00e3o que, a exemplo do inquilino remoto do Planalto, deixou a Casa Branca como entrou: com as cal\u00e7as na m\u00e3o, muita bosta nos bolsos, um monte de processos para responder e numerosos fakes disparados com fins para tentar justificar os meios. Voltou ainda mais \u00e1cido, mas ainda n\u00e3o emplacou como estadista.<\/p>\n<p>De acordo com as previs\u00f5es do astr\u00f3logo Serapi\u00e3o Espinha, entre uma coisa e outra n\u00e3o fez nenhuma das duas. Ainda falta um mar e meio para nadar, mas, gostem ou n\u00e3o, o Brasil mudou. Com a autoestima e o respeito internacionais recuperados, o pa\u00eds pode n\u00e3o viver o melhor de seus dias. Contudo, com respeito \u00e0s vi\u00favas repetidoras da cantiga de grilo contra a democracia, resta um \u00fanico conserto na nau perfurada pelo veneno do \u00f3dio destilado durante quatro anos: mostrar aos embarcados e desembarcados que preto \u00e9 preto e o branco \u00e9 branco. Jamais um ser\u00e1 o outro. Em resumo, apesar da cara de bunda dos vizinhos, est\u00e3o cuidando (e bem) do nosso quintal. Golpe e tortura nunca mais. E anistia, nunca.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como dizia Mathuzal\u00e9m pai, os pol\u00edticos antigos se esbofeteavam, se matavam, mas as rusgas partid\u00e1rias e ideol\u00f3gicas poupavam o pa\u00eds e seu povo. De remota lembran\u00e7a, dois casos balan\u00e7aram as estruturas pol\u00edticas de meados do s\u00e9culo passado. 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