{"id":352494,"date":"2025-04-22T09:20:01","date_gmt":"2025-04-22T12:20:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352494"},"modified":"2025-04-22T09:20:01","modified_gmt":"2025-04-22T12:20:01","slug":"osmar-faxineiro-do-proprio-ape-so-se-corrige-voltando-a-casa-da-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/osmar-faxineiro-do-proprio-ape-so-se-corrige-voltando-a-casa-da-mae\/","title":{"rendered":"Osmar, faxineiro do pr\u00f3prio ap\u00ea, s\u00f3 se corrige voltando \u00e0 casa da m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p>Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e acumula\u00e7\u00e3o compulsiva n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. Entretanto, ambos podem causar situa\u00e7\u00f5es esdr\u00faxulas para quem convive com algu\u00e9m acometido dessas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Marineide, aos 70 anos, completados recentemente, vive essa dupla experi\u00eancia de lidar com pessoas singulares: Osmar, 45 anos, e Romilda, de 48. O primeiro \u00e9 seu filho mais velho, que mora em um quarto e sala no Guar\u00e1. A outra \u00e9 sua amiga, moradora de Sobradinho, que conheceu em um churrasco de amigos.<\/p>\n<p>A velha, que \u00e9 mais de observar do que falar, tenta compreender como \u00e9 que a mente desses dois indiv\u00edduos, que lhe s\u00e3o t\u00e3o caros, funciona. Seja como for, Marineide gosta de falar que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o conseguiu entender direito essa pe\u00e7a arredondada que todos temos acima do pesco\u00e7o. Todavia, n\u00e3o lhe falta vontade para tentar decifrar seus enigmas, mesmo que saiba que jamais conseguir\u00e1 alcan\u00e7ar tal intuito.<\/p>\n<p>Marineide, aposentada h\u00e1 tempos, sabe que os transtornos do Osmar e da Romilda n\u00e3o s\u00e3o iguais. No entanto, para simplificar as coisas, gosta de dizer que a diferen\u00e7a \u00e9 apenas por conta da localiza\u00e7\u00e3o. Isso mesmo! Enquanto o do Osmar fica no polo Norte, o da Romilda est\u00e1 no lado oposto.<\/p>\n<p>O apartamento do Osmar possui meros 40 metros quadrados, o que nem \u00e9 t\u00e3o pequeno assim para um solteir\u00e3o convicto. Ah, mas nada comparado ao quase palacete de sua m\u00e3e, que ainda reside em Luzi\u00e2nial. Para se ter ideia, apenas a cozinha \u00e9 maior do que o, v\u00e1 l\u00e1, cub\u00edculo do filho.<\/p>\n<p>O sujeito tem TOC de limpeza. Como trabalha em regime de home office, faz seu hor\u00e1rio no trabalho. S\u00f3 sai para fazer compras no mercadinho ao lado.<\/p>\n<p>Ele limpa o apartamento tr\u00eas vezes por dia. Mas n\u00e3o pense voc\u00ea que \u00e9 daquelas limpezas superficiais, tipo passar um pano e pronto. N\u00e3o mesmo! \u00c9 limpeza de verdade, inclusive com direito de fazer aquela faxina no banheiro, como precisasse disso, j\u00e1 que o local brilha mais do que purpurina em rosto de foli\u00e3o em tempos de carnaval.<\/p>\n<p>Marineide, que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, toda vez que faz uma visita de surpresa, tenta encontrar algum deslize do filho. N\u00e3o encontra nada! Nem aquele lodo nos cantinhos ou respingo de sabonete no blindex. Nessas horas, a coroa coloca at\u00e9 os \u00f3culos para enxergar melhor, mas nem um mil\u00edmetro de sujeira.<\/p>\n<p>\u2014 Osmar, fico aqui imaginando se lodo fosse rem\u00e9dio para salvar vidas.<\/p>\n<p>\u2014 O que a senhora disse, m\u00e3e?<\/p>\n<p>\u2014 Lodo!<\/p>\n<p>\u2014 E o que tem isso a ver com salvar vidas?<\/p>\n<p>\u2014 Se algu\u00e9m precisasse de lodo para se salvar, iria morrer aqui no seu apartamento.<\/p>\n<p>A mulher observa bem a cozinha, os arm\u00e1rios, o fog\u00e3o, a geladeira. Nada! Nem mesmo um m\u00edsero farelo de p\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Meu filho, queria eu ver voc\u00ea manter essa limpeza l\u00e1 em casa.<\/p>\n<p>\u2014 Por isso, m\u00e3e, que procurei um apartamento min\u00fasculo para dar vaz\u00e3o \u00e0 minha \u00e2nsia de limpeza. Se fosse na casa da senhora, eu morreria de cansa\u00e7o no primeiro m\u00eas.<\/p>\n<p>Isso mesmo! O gajo n\u00e3o duraria muito tempo no casar\u00e3o da matriarca. Pois \u00e9, com cinco quartos grandes, tr\u00eas banheiros, aquela infinidade de degraus para subir para o segundo andar, sem contar a enorme \u00e1rea externa. Sim, isso mesmo, se j\u00e1 n\u00e3o bastasse o quintal na frente, ainda tem outro nos fundos ainda maior.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 a vez de falar um pouco sobre a Romilda, que reside em uma casa pouco maior do que o apartamento do Osmar. Com dois quartos, sala e cozinha de tamanhos razo\u00e1veis, \u00e9 um local que nem boa parte das moradias dos brasileiros.<\/p>\n<p>Romilda, ao contr\u00e1rio do filho da Marineide, deixa juntar lou\u00e7a suja at\u00e9 que a pia, aos prantos, implora por alguma alma caridosa disposta a pegar a esponja e uma boa quantidade de detergente. Por sorte, Lucinha, a filha universit\u00e1ria, quando chegar com disposi\u00e7\u00e3o ao lar, doce lar, consegue apaziguar aquele caos de panelas, pratos, copos e talheres.<\/p>\n<p>\u2014 M\u00e3e, a senhora entulhou a pia novamente.<\/p>\n<p>\u2014 Depois dou um jeito, minha filha.<\/p>\n<p>Pior do que a situa\u00e7\u00e3o da pia, h\u00e1 certamente outro. \u00c9 que a Romilda junta aquelas in\u00fameras trabalhas, o que faz com que a sua casa pare\u00e7a menor at\u00e9 do que o apartamento do Osmar.<\/p>\n<p>Sem se dar conta, a mulher junta tudo o que se possa imaginar, ao contr\u00e1rio do Osmar, que \u00e9 a pessoa mais minimalista do mundo. Romilda parece n\u00e3o distinguir o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00fatil e, dessa forma, guarda embalagens de refrigerantes e sucos. Para n\u00e3o deixar barato, at\u00e9 aquelas de isopor usadas para quentinhas s\u00e3o devidamente juntadas.<\/p>\n<p>As visitas, mal chegam \u00e0 casa da Romilda, precisam ir afastando as caixas, inclusive retirar os in\u00fameros objetos in\u00fateis sobre o sof\u00e1. A pobre Lucinha, envergonhada pela situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 fala para a m\u00e3e parar de guardar tanto entulho. N\u00e3o tem jeito, pois \u00e9 como falar ao vento.<\/p>\n<p>Recentemente, Marineide teve uma conversa com a amiga e, ao que tudo indica, a convenceu a procurar ajuda de um psic\u00f3logo ou psiquiatra. Parece mesmo que a m\u00e3e da Lucinha ir\u00e1 faz\u00ea-lo. Quanto ao Osmar, ainda se mostra reticente quanto \u00e0 ideia. Quem sabe a solu\u00e7\u00e3o para o TOC do gajo seja mesmo retornar para a casa da m\u00e3e?<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro 57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor Muito Velho\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/15.0.3\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e acumula\u00e7\u00e3o compulsiva n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. 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