{"id":352671,"date":"2025-04-24T00:00:24","date_gmt":"2025-04-24T03:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352671"},"modified":"2025-04-24T07:45:54","modified_gmt":"2025-04-24T10:45:54","slug":"envolvidos-em-conflitos-por-terra-salta-para-900-mil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/envolvidos-em-conflitos-por-terra-salta-para-900-mil\/","title":{"rendered":"Envolvidos em conflitos por terra salta para 900 mil"},"content":{"rendered":"<p>Os conflitos por terras no Brasil envolveram 904 mil pessoas no ano de 2024, divulgou nesta quarta-feira (23) a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, no relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil referente ao ano passado. Em 2023, esses conflitos envolveram 792 mil pessoas, o que representa que mais de 100 mil pessoas a mais foram afetadas por esses confrontos no ano passado, quando resultaram em 13 assassinatos.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero foi registrado apesar de ter havido uma queda no n\u00famero de conflitos no campo em rela\u00e7\u00e3o a 2023, ano que teve o maior patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica do relat\u00f3rio em 29 anos, com 2.250 conflitos. J\u00e1 em 2024, houve 2.185 ocorr\u00eancias desse tipo.<\/p>\n<p>O documento mostra que a maior parte desses conflitos diz respeito a viol\u00eancias contra a ocupa\u00e7\u00e3o e a posse da terra, o que inclui despejos e expuls\u00f5es, amea\u00e7as de despejos e expuls\u00f5es, destrui\u00e7\u00e3o de casas, ro\u00e7as e pertences, pistolagem, grilagem, invas\u00f5es e outras viol\u00eancias.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, os fazendeiros s\u00e3o os principais agentes causadores da viol\u00eancia por terra. O relat\u00f3rio aponta o grupo como respons\u00e1vel por 44% das viol\u00eancias relacionada \u00e0 terra, com 739 registros. Os donos de fazendas tamb\u00e9m s\u00e3o apontados como os principais respons\u00e1veis pelos casos de inc\u00eandios (47%) e desmatamento ilegal (38%).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio mostra ainda que grileiros, empres\u00e1rios e madeireiros completam a lista dos maiores causadores de conflitos e viol\u00eancias. J\u00e1 entre os segmentos que mais sofrem viol\u00eancia, os povos ind\u00edgenas representam 29% dos registros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve um aumento expressivo na quantidade de conflitos sofridos por posseiros, com 425 casos, e quilombolas, com 221, especialmente entre os povos e comunidades tradicionais do Maranh\u00e3o, onde foram registrados 22 casos.<\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio-geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Ricardo Hoepers, o trabalho da CPT mostra a preocupa\u00e7\u00e3o da pastoral em dar visibilidade para as \u201cperiferias existenciais e geogr\u00e1ficas\u201d, conforme pregava o Papa Francisco.<\/p>\n<p>\u201cUm relat\u00f3rio anual sobre os conflitos no campo \u00e9 exatamente um esfor\u00e7o cont\u00ednuo da CPT para n\u00e3o deixar ningu\u00e9m invisibilizado, ningu\u00e9m an\u00f4nimo, para mostrar nomes, contar biografias, para mostrar que temos os mesmos direitos. Tenho certeza que o Papa Francisco tem orgulho do trabalho realizado\u201d, disse o religioso durante o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Movimento Invas\u00e3o Zero&#8217;<\/strong><br \/>\nO documento chama aten\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o de um grupo ruralista autodenominado \u201cMovimento Invas\u00e3o Zero\u201d, composto por grandes fazendeiros e propriet\u00e1rios de terras e que conta com apoio de parlamentares ligados ao agroneg\u00f3cio. O grupo \u00e9 conhecido por suas a\u00e7\u00f5es violentas contra fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de acampamento, ocupa\u00e7\u00f5es e retomada de territ\u00f3rios, contando com o apoio de mil\u00edcias, agentes de seguran\u00e7a privada e for\u00e7as policiais.<\/p>\n<p>Um dos casos apontados com envolvimento do grupo \u00e9 o assassinato de Maria F\u00e1tima Muniz de Andrade, conhecida como Nega Patax\u00f3, em 21 de janeiro. O crime foi cometido por um fazendeiro ligado ao Movimento Invas\u00e3o Zero, com apoio da pol\u00edcia, em uma a\u00e7\u00e3o articulada contra a retomada ind\u00edgena Patax\u00f3 H\u00e3 H\u00e3 H\u00e3e.<\/p>\n<p>\u201cO caso da Nega Patax\u00f3 \u00e9 emblem\u00e1tico e, como fato, dita os rumos de 2024, uma vez que foi o primeiro assassinato do ano e pela a\u00e7\u00e3o do Invas\u00e3o zero, que tem destaque como um dos principais agentes promotores da viol\u00eancia no campo em 2024\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>Imagens da comitiva ministerial \u00e0 Bahia, onde uma ind\u00edgena do povo Patax\u00f3 H\u00e3 H\u00e3 H\u00e3i foi assassinada e outras pessoas da Terra Ind\u00edgena Caramuru-Catarina Paraguassu ficaram feridas por disparos de arma de fogo no domingo (21).<\/p>\n<p>Al\u00e9m das atua\u00e7\u00f5es diretas em conflitos no campo, o grupo tamb\u00e9m exerce influ\u00eancia nas casas legislativas brasileiras, promovendo propostas de lei que buscam, sobretudo, a criminaliza\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es de terras e das retomadas de posse por comunidades tradicionais e movimentos sociais.<\/p>\n<p>Nos estados de Goi\u00e1s, Maranh\u00e3o, Bahia, Esp\u00edrito Santo, Paran\u00e1, Par\u00e1 e Pernambuco, ocorreram a\u00e7\u00f5es assumidas e\/ou comprovadas enquanto ataques violentos por parte do grupo Invas\u00e3o Zero. J\u00e1 em outros estados, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Cear\u00e1 e Santa Catarina, tamb\u00e9m ocorreram ataques coordenados de grupos de fazendeiros, onde h\u00e1 suspeitas de que tenham sido articulados pelo Invas\u00e3o Zero.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente da CPT, Dom Jos\u00e9 Ionilton Lisboa de Oliveira, o apoio e a liga\u00e7\u00e3o de parlamentares com esse tipo de movimento coloca o legislativo federal e as assembleias legislativas estaduais como \u201cparte do problema\u201d da viol\u00eancia no campo.<\/p>\n<p>Dom Jos\u00e9 Ionilton citou como exemplo a legisla\u00e7\u00e3o que trata do marco temporal para a demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, como fonte de conflito por terra.<\/p>\n<p>\u201cA nossa luta \u00e9 para n\u00e3o deixar que a legisla\u00e7\u00e3o venha para atrapalhar a vida do campon\u00eas, do ribeirinho, dos assentados, dos ind\u00edgenas, dos quilombolas e tantas outras pessoas. Trabalhamos para que a reforma agr\u00e1ria avance para assentar os trabalhadores e trabalhadoras sem-terra, pois acreditamos que a reforma agr\u00e1ria \u00e9 o caminho mais eficiente para diminuir ou at\u00e9 mesmo acabar com a viol\u00eancia no campo\u201d, defendeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os conflitos por terras no Brasil envolveram 904 mil pessoas no ano de 2024, divulgou nesta quarta-feira (23) a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, no relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil referente ao ano passado. 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