{"id":352893,"date":"2025-04-27T06:36:03","date_gmt":"2025-04-27T09:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352893"},"modified":"2025-04-27T09:39:00","modified_gmt":"2025-04-27T12:39:00","slug":"bom-mesmo-e-poder-ser-ouvido-pela-pessoa-certa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bom-mesmo-e-poder-ser-ouvido-pela-pessoa-certa\/","title":{"rendered":"Bom mesmo \u00e9 poder ser ouvido pela pessoa certa"},"content":{"rendered":"<p>Em um mundo repleto de ru\u00eddos, n\u00e3o basta falar alto. Importa ser ouvido, e mais ainda, ser ouvido pela pessoa certa. A diferen\u00e7a entre o desabafo que ecoa no vazio e a palavra que gera transforma\u00e7\u00e3o reside menos na for\u00e7a da voz e mais na dire\u00e7\u00e3o do olhar. Em casa, no trabalho, na vida p\u00fablica, o que pedimos, para quem pedimos e como pedimos define n\u00e3o apenas a resposta que recebemos, mas tamb\u00e9m a qualidade dos caminhos que conseguimos abrir.<\/p>\n<p>Em tempos em que a comunica\u00e7\u00e3o se pulverizou em in\u00fameras vozes, canais e plataformas, ser ouvido tornou-se, por si s\u00f3, um grande desafio. Mais dif\u00edcil ainda \u00e9 ser ouvido pela pessoa certa, aquela que tem n\u00e3o apenas a capacidade de escutar, mas a compet\u00eancia e a responsabilidade de agir.<\/p>\n<p>Na esfera social, \u00e9 comum que ang\u00fastias, demandas e sonhos se percam no eco de interlocutores errados. Falamos, mas falamos para quem n\u00e3o pode resolver. Reivindicamos, mas nossa voz se dilui entre aqueles que apenas ouvem por cortesia, sem qualquer compromisso de resposta. Nesse cen\u00e1rio, aprendemos que n\u00e3o basta querer ser ouvido, \u00e9 preciso saber a quem nos dirigimos.<\/p>\n<p>E, ainda mais importante, \u00e9 saber o que pedir. H\u00e1 uma sabedoria silenciosa em reconhecer a natureza do que se deseja, articulando expectativas de forma clara, objetiva e realista. Quem pede tudo, muitas vezes, n\u00e3o recebe nada. Quem n\u00e3o sabe expressar o que espera, corre o risco de ser confundido, ignorado ou mal interpretado. Entre a voz que clama e o ouvido que acolhe, a clareza do pedido \u00e9 a ponte que pode, ou n\u00e3o, ser constru\u00edda.<\/p>\n<p>Quando pensamos nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, essa l\u00f3gica se repete de maneira quase implac\u00e1vel. Em amizades, fam\u00edlias, ambientes de trabalho ou relacionamentos afetivos, o ru\u00eddo muitas vezes nasce da escolha errada do interlocutor, ou da incapacidade de traduzir sentimentos e necessidades em palavras compreens\u00edveis. \u00c0s vezes, esperamos compreens\u00e3o de quem n\u00e3o pode nos oferecer mais do que um ouvido distra\u00eddo. Em outras, depositamos expectativas em cora\u00e7\u00f5es ocupados demais com seus pr\u00f3prios dilemas para nos atender.<\/p>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 preciso distinguir o que \u00e9 desabafo do que \u00e9 pedido. Desabafar \u00e9 humano, necess\u00e1rio, saud\u00e1vel. Trata-se de colocar para fora emo\u00e7\u00f5es represadas, ang\u00fastias que sufocam, dores que precisam ser nomeadas. E, para o desabafo, \u00e0s vezes basta o acolhimento, sem julgamento, sem a expectativa de solu\u00e7\u00e3o. No entanto, quando se pretende algo al\u00e9m, mudar uma situa\u00e7\u00e3o, encontrar uma sa\u00edda, obter uma resposta, \u00e9 preciso mais do que desabafar: \u00e9 preciso estruturar a comunica\u00e7\u00e3o, escolher o canal certo e construir a mensagem de forma propositiva.<\/p>\n<p>Leva-se tempo para compreender que, em qualquer rela\u00e7\u00e3o, ser ouvido \u00e9 tamb\u00e9m uma conquista da boa escolha e da boa comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso mais do que desabafar: \u00e9 preciso construir pontes de escuta e entendimento, que exigem reciprocidade, paci\u00eancia e, muitas vezes, uma dose de coragem para reconhecer que nem todos est\u00e3o prontos para nos ouvir da forma que gostar\u00edamos. A escuta verdadeira \u00e9 um gesto de amor, respeito e aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o um dever autom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Quando transpassamos esse racioc\u00ednio para o universo da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a li\u00e7\u00e3o ganha contornos ainda mais pr\u00e1ticos e vitais. A boa gest\u00e3o p\u00fablica depende de canais de escuta qualificados, conselhos, ouvidorias, audi\u00eancias, consultas, mas tamb\u00e9m de uma sociedade que compreenda como e o que reivindicar. Reclamar sem foco, sugerir sem viabilidade ou protestar sem proposta, muitas vezes, apenas congestiona o sistema sem produzir mudan\u00e7as reais.<\/p>\n<p>Para o gestor, ouvir a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 mais que um gesto democr\u00e1tico, \u00e9 a ess\u00eancia do mandato. Mas para que a escuta seja efetiva, \u00e9 necess\u00e1rio que as demandas cheguem pela via certa, com o conte\u00fado certo e na medida certa. O direito de ser ouvido \u00e9 de todos. A capacidade de influenciar, no entanto, pertence \u00e0queles que dominam a arte de direcionar seu clamor com prop\u00f3sito, respeito e responsabilidade.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, poder ser ouvido pela pessoa certa \u00e9 tamb\u00e9m um convite \u00e0 responsabilidade cidad\u00e3 e \u00e0 maturidade emocional. \u00c9 assumir o protagonismo da fala bem direcionada, da cr\u00edtica construtiva, da sugest\u00e3o embasada, seja nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, seja nas rela\u00e7\u00f5es sociais ou institucionais. \u00c9 entender que, em uma sociedade plural e complexa, ser ouvido n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um direito, \u00e9 tamb\u00e9m uma constru\u00e7\u00e3o que exige preparo, consci\u00eancia e estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>A boa administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como as boas rela\u00e7\u00f5es humanas, floresce desse encontro, de uma gest\u00e3o disposta a ouvir e de cidad\u00e3os que sabem, com clareza e justi\u00e7a, o que desejam dizer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um mundo repleto de ru\u00eddos, n\u00e3o basta falar alto. Importa ser ouvido, e mais ainda, ser ouvido pela pessoa certa. A diferen\u00e7a entre o desabafo que ecoa no vazio e a palavra que gera transforma\u00e7\u00e3o reside menos na for\u00e7a da voz e mais na dire\u00e7\u00e3o do olhar. Em casa, no trabalho, na vida p\u00fablica, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":352894,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-352893","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352893"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352893\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":352895,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352893\/revisions\/352895"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/352894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}