{"id":352917,"date":"2025-04-28T02:44:11","date_gmt":"2025-04-28T05:44:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=352917"},"modified":"2025-04-27T21:45:12","modified_gmt":"2025-04-28T00:45:12","slug":"como-o-paraquedas-o-cerebro-humano-so-funciona-se-estiver-aberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/como-o-paraquedas-o-cerebro-humano-so-funciona-se-estiver-aberto\/","title":{"rendered":"Como o paraquedas, o c\u00e9rebro humano s\u00f3 funciona se estiver aberto"},"content":{"rendered":"<p>Antigo leitor de jornais, revistas, almanaques, comp\u00eandios e at\u00e9 bulas de rem\u00e9dio, decidi partir de mala e cuia para as reda\u00e7\u00f5es logo ap\u00f3s a conclus\u00e3o do curso de datilografia. Ainda era um rapazote quando ouvi de algu\u00e9m mais experiente que tudo seria f\u00e1cil n\u00e3o fossem as dificuldades. Foi a senha para buscar o novo caminho. Como o bairro em que morava tinha profundas limita\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podia sequer pensar em desistir do meu sonho. N\u00e3o havia outra padaria para eu tentar outro. Vivia cada dia como se fosse o \u00faltimo, com a certeza de que um dia acetaria.<\/p>\n<p>Comecei a ler as p\u00e9rolas do \u201ccolega\u201d Appar\u00edcio Torelly e logo descobri que o trem ou o bonde s\u00e3o as \u00fanicas coisas que n\u00e3o mudam de caminho. Viajei nas ondas sonoras do r\u00e1dio, vivi a consolida\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o, mas minha voca\u00e7\u00e3o era a imprensa escrita. Para isso, inexoravelmente entre mim e a cabe\u00e7a pensante havia a m\u00e1quina de datilografia. Com a ajuda de familiares, a matr\u00edcula em um curso especializado foi imediata. Sa\u00ed t\u00e3o r\u00e1pido como entrei, depois de ser informado por um dos instrutores que determinadas empresas (n\u00e3o necessariamente jornal\u00edsticas) preferiam as datil\u00f3grafas boas \u00e0s boas datil\u00f3grafas.<\/p>\n<p>Estava bem longe da modernidade. Da\u00ed achar que, naquela remota \u00e9poca, a televis\u00e3o poderia chegar f\u00e1cil \u00e0 lista das sete maravilhas do mundo. Conforme Torelly, o meu, o seu, o nosso Bar\u00e3o de Itarar\u00e9, o equipamento se transformou rapidamente na maravilha da ci\u00eancia a servi\u00e7o da imbecilidade humana. Era como ligar a TV e desligar o c\u00e9rebro. A televis\u00e3o foi substitu\u00edda pelo computador, pelo celular e, agora, pela Intelig\u00eancia Artificial, ferramenta capaz de, em segundos, converter Jo\u00e3o em Maria, Flamengo em Sport Recife, bolinho de terra em iguaria, tenente em comandante, general em subalterno subserviente e, \u00e0s vezes, presidente estrelado em presidi\u00e1rio abandonado.<\/p>\n<p>\u00c9 o tal do mundo redondo que acabou ficando chato por conta da quadradice e da chatice de seu povo, em especial de alguns muitos brasileiros corrompidos, cuja moral costuma ser mais amoral do que o Kid Bengala. Desnecess\u00e1rio dizer que a facilidade do homem em criar armas contra si \u00e9 desproporcional \u00e0 dificuldade de buscar mecanismos para prolongar a sa\u00fade da vida. A pr\u00f3pria vida \u00e9 imposs\u00edvel. Inventaram o canh\u00e3o, a metralhadora e a bomba at\u00f4mica como instrumentos letais. E realmente s\u00e3o. No entanto, as maiores letalidades de nossos tempos s\u00e3o o celular e as chamadas redes sociais.<\/p>\n<p>Juntos, eles conseguiram destruir casamentos, amizades, fam\u00edlias e na\u00e7\u00f5es consolidadas. O Brasil quase foi para o buraco com as fakes news. N\u00e3o foi porque, mais uma vez, prevaleceu a m\u00e1xima ensinada aos seres humanos desinteligentes: a crian\u00e7a diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer. As autoridades constitu\u00eddas tiveram tempo de mostrar ao povo que \u201co tambor faz muito barulho, mas \u00e9 vazio por dentro\u201d. Tudo isso para dizer que, tecnologicamente, avan\u00e7amos diariamente. O que era novo ontem \u00e0 tarde \u00e9 obsoleto hoje pela manh\u00e3. Tamb\u00e9m desproporcionalmente, o modus operandi do homem n\u00e3o acompanha a voracidade da tecnologia.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que nem sempre os cientistas e tecn\u00f3logos s\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pidos como a gente pensa. Entre as maiores curiosidades da evolu\u00e7\u00e3o humana, a cria\u00e7\u00e3o do protetor de test\u00edculos \u00e9 uma das mais engra\u00e7adas. Sua cria\u00e7\u00e3o data de 1874. Na contram\u00e3o, o primeiro capacete para prote\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a come\u00e7ou a ser usado em 1974. Ou seja, precisamos de um s\u00e9culo para que os mesmos inventores percebessem que o c\u00e9rebro tamb\u00e9m \u00e9 importante. Ali\u00e1s, parafraseando Charles Chaplin, o nosso c\u00e9rebro \u00e9 o melhor brinquedo j\u00e1 criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive os da felicidade e da liberdade. Enfim, a mente \u00e9 como um paraquedas&#8230;S\u00f3 funciona se estiver aberto.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antigo leitor de jornais, revistas, almanaques, comp\u00eandios e at\u00e9 bulas de rem\u00e9dio, decidi partir de mala e cuia para as reda\u00e7\u00f5es logo ap\u00f3s a conclus\u00e3o do curso de datilografia. Ainda era um rapazote quando ouvi de algu\u00e9m mais experiente que tudo seria f\u00e1cil n\u00e3o fossem as dificuldades. Foi a senha para buscar o novo caminho. 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