{"id":353325,"date":"2025-05-04T09:18:31","date_gmt":"2025-05-04T12:18:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=353325"},"modified":"2025-05-04T09:20:08","modified_gmt":"2025-05-04T12:20:08","slug":"politica-do-ressentimento-faz-derrotados-andarem-como-os-caranguejos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/politica-do-ressentimento-faz-derrotados-andarem-como-os-caranguejos\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica do ressentimento faz derrotados andarem como os caranguejos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 um tipo de comportamento que se repete, quase como um padr\u00e3o patol\u00f3gico, em todo in\u00edcio de gest\u00e3o, o dos derrotados que torcem contra. N\u00e3o por discord\u00e2ncia leg\u00edtima, mas por incapacidade de lidar com a perda. Em vez de reconhecer a soberania do voto popular e se recolocar no debate p\u00fablico com maturidade, preferem sabotar, distorcer, plantar d\u00favida, como se a rejei\u00e7\u00e3o nas urnas pudesse ser corrigida no grito.<\/p>\n<p>\u00c9 um fen\u00f4meno recorrente, ainda que vergonhoso. A democracia oferece aos vencidos um espa\u00e7o nobre, o da cr\u00edtica respons\u00e1vel, da vigil\u00e2ncia construtiva, da proposi\u00e7\u00e3o alternativa. Mas h\u00e1 quem decline dessa oportunidade e se contente com o papel menor de sabotador de ocasi\u00e3o. Tornam-se comentaristas raivosos, analistas amadores, militantes da cat\u00e1strofe alheia, numa esp\u00e9cie de torcida organizada pela fal\u00eancia do advers\u00e1rio, como se isso n\u00e3o atingisse, antes de tudo, a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trata-se de uma distor\u00e7\u00e3o do papel da oposi\u00e7\u00e3o, substitu\u00edda por um tipo de guerrilha de bastidor, onde a histeria vale mais que a raz\u00e3o e a desinforma\u00e7\u00e3o mais que o argumento. N\u00e3o \u00e9 raro que esses cr\u00edticos profissionais se apresentem como os \u00fanicos detentores da verdade, embora nunca tenham tido disposi\u00e7\u00e3o real para o di\u00e1logo ou para o enfrentamento maduro das diverg\u00eancias.<\/p>\n<p>Esse tipo de conduta revela mais sobre quem a pratica do que sobre quem governa. Exp\u00f5e o despreparo para o contradit\u00f3rio, o v\u00edcio pelo controle e, sobretudo, a aus\u00eancia de compromisso com o interesse p\u00fablico. A pol\u00edtica, nesses casos, deixa de ser instrumento de transforma\u00e7\u00e3o para virar instrumento de revanche. E quem perde \u00e9 sempre o cidad\u00e3o comum.<\/p>\n<p>Enquanto isso, as cidades seguem sendo tocadas por quem se disp\u00f4s a governar. Com todas as limita\u00e7\u00f5es, sim, com erros pontuais, inevit\u00e1veis, mas com um projeto em m\u00e3os e a responsabilidade de entreg\u00e1-lo. A cr\u00edtica \u00e9 bem-vinda, desde que venha com o m\u00ednimo de honestidade. O que n\u00e3o se pode normalizar \u00e9 o uso da frustra\u00e7\u00e3o eleitoral como combust\u00edvel para o ataque gratuito.<\/p>\n<p>A democracia exige conviv\u00eancia. A pluralidade \u00e9 um valor, n\u00e3o um inc\u00f4modo. Governar para todos inclui tamb\u00e9m os que votaram contra. Mas \u00e9 preciso reconhecer, h\u00e1 quem, mesmo derrotado, escolha a dignidade. E h\u00e1 quem, diante da derrota, revele seu pior lado. E n\u00e3o h\u00e1 gest\u00e3o p\u00fablica que se deixe intimidar por chilique de quem n\u00e3o aprendeu a perder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um tipo de comportamento que se repete, quase como um padr\u00e3o patol\u00f3gico, em todo in\u00edcio de gest\u00e3o, o dos derrotados que torcem contra. N\u00e3o por discord\u00e2ncia leg\u00edtima, mas por incapacidade de lidar com a perda. 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