{"id":353609,"date":"2025-05-09T08:29:19","date_gmt":"2025-05-09T11:29:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=353609"},"modified":"2025-05-09T08:29:19","modified_gmt":"2025-05-09T11:29:19","slug":"como-desvendar-o-conflito-de-identidade-sobre-ser-piauiense-ou-maranhense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/como-desvendar-o-conflito-de-identidade-sobre-ser-piauiense-ou-maranhense\/","title":{"rendered":"Como desvendar o conflito de identidade sobre ser piauiense ou maranhense?"},"content":{"rendered":"<p>Sou apaixonado por uma piauiense. Quer dizer, ela nasceu no Piau\u00ed, mais precisamente em Teresina, mas jamais morou na sua terra natal. Foi aquele bate e volta da minha sogra, ent\u00e3o gr\u00e1vida da minha amada, no hospital e nada mais.<\/p>\n<p>Dona Irene, a minha mulher, cresceu no estado ao lado, no caso, o Maranh\u00e3o, no munic\u00edpio de Caxias. Por conta dessa peculiaridade, ela parece carregar um conflito de identidade. \u00c9 que, n\u00e3o raro, ela enche o peito e fala que \u00e9 do Piau\u00ed, por\u00e9m, j\u00e1 no minuto seguinte, jura que \u00e9 maranhense.<\/p>\n<p>Acho gra\u00e7a, mas n\u00e3o digo nada, s\u00f3 observo. J\u00e1 estou calejado para colocar lenha na fogueira, pois j\u00e1 sei onde isso vai parar. Certa vez, no tempo de namoro, a paix\u00e3o futebol\u00edstica dela come\u00e7ou a me encher a paci\u00eancia. N\u00e3o sou o mais apaixonado por futebol, que considero um esporte, muitas vezes, chato e, n\u00e3o raro, com o juiz apitando deliberadamente para um dos lados, inclusive tendo como c\u00famplices bandeirinhas e comentaristas.<\/p>\n<p>Ademais, nunca fui entusiasta de nenhum esporte, apesar de, esporadicamente, assistir a uma ou outra modalidade. A Dona Irene, a torcedora mais fan\u00e1tica do Palmeiras, \u00e0s vezes, cancelava uma ida ao cinema ou, ent\u00e3o, a um churrasco com amigos, simplesmente porque, naquele hor\u00e1rio, ir\u00e1 passar um jogo do seu time do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Amorzinho, mas voc\u00ea nem \u00e9 paulista.<\/p>\n<p>\u2014 E da\u00ed?<\/p>\n<p>\u2014 U\u00e9, eu nasci em Botafogo, morei em Botafogo e, naturalmente, sou Botafogo.<\/p>\n<p>\u2014 Hum! Edu, voc\u00ea nem gosta de futebol. E tem mais!<\/p>\n<p>\u2014 O qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea prefere Copacabana!<\/p>\n<p>\u00c9 verdade a conclus\u00e3o da minha esposa, pois sempre fui apaixonado pelo bairro ao lado. Mas voltemos a essa incongru\u00eancia piauiense\/maranhense, j\u00e1 que o mote desta cr\u00f4nica \u00e9 a Dona Irene, cujo sorriso me encantou desde o primeiro instante.<\/p>\n<p>Gosto de cozinhar e, de vez em quando, me sinto a saudosa Of\u00e9lia, famosa pelo pioneirismo como apresentadora\/cozinheira na televis\u00e3o brasileira. Havia preparado uma lasanha \u00e0 bolonhesa. Abri um vinho para a paix\u00e3o da minha vida, enquanto fiquei no suco de uva. N\u00e3o sei se voc\u00ea sabe, mas n\u00e3o bebo, nunca gostei do gosto de \u00e1lcool. Seja como for, tudo perfeito. Quer dizer, eu achava que sim.<\/p>\n<p>Para minha surpresa, quando j\u00e1 est\u00e1vamos \u00e0 mesa, pratos j\u00e1 preenchidos com generosas por\u00e7\u00f5es de lasanha, ta\u00e7as com as devidas bebidas, a Dona Irene come\u00e7ou a torcer os l\u00e1bios, como se alguma coisa estivesse faltando.<\/p>\n<p>\u2014 U\u00e9, n\u00e3o vai comer?<\/p>\n<p>\u2014 Edu, t\u00f4 esperando o arroz.<\/p>\n<p>\u2014 O qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 O arroz!<\/p>\n<p>\u2014 Mas vamos comer lasanha.<\/p>\n<p>\u2014 E da\u00ed?<\/p>\n<p>\u2014 Da\u00ed que n\u00e3o se come lasanha com arroz. Ali\u00e1s, n\u00e3o se come lasanha com nada.<\/p>\n<p>\u2014 Edu, aprenda uma coisa.<\/p>\n<p>\u2014 O qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 Maranhense jamais come sem arroz.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro 57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor Muito Velho\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/15.0.3\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou apaixonado por uma piauiense. 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