{"id":353659,"date":"2025-05-10T09:00:39","date_gmt":"2025-05-10T12:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=353659"},"modified":"2025-05-10T09:04:01","modified_gmt":"2025-05-10T12:04:01","slug":"boquinha-fominha-na-bola-marcava-seus-gols-e-provocava-cizania-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/boquinha-fominha-na-bola-marcava-seus-gols-e-provocava-cizania-geral\/","title":{"rendered":"Boquinha, fominha na bola, marcava seus gols e provocava ciz\u00e2nia geral"},"content":{"rendered":"<p>Z\u00e9 Raimundo, vulgo Boquinha, hoje desfruta de condi\u00e7\u00e3o financeira privilegiada. N\u00e3o que tenha ficado rico, mas progrediu, ainda mais se levarmos em conta suas origens humildes l\u00e1 em Bara\u00fana, a pouco mais de 60 l\u00e9guas de Picu\u00ed, na Para\u00edba.<\/p>\n<p>Ainda menino, Boquinha foi levado pelas m\u00e3os dos pais para trabalhar nos latif\u00fandios em Mato Grosso. A tarefa di\u00e1ria do moleque era matar a sede dos trabalhadores rurais. Ele carregava \u00e1gua em dois grandes baldes. Por causa disso, logo ganhou dois apelidos: Caneco e Bombeiro de Itu.<\/p>\n<p>Quando o garoto j\u00e1 estava para entrar na adolesc\u00eancia, a m\u00e3e do Boquinha intimou o marido. O sujeito, que n\u00e3o era besta de contrariar a esposa, tratou logo de levantar as orelhas para escut\u00e1-la antes que aquilo pudesse descambar para imbr\u00f3glio de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u2014 Vamos pra Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O jeito foi juntar o pouco que tinham e, dois ou tr\u00eas dias ap\u00f3s, rumarem para a capital em busca de vida melhor. Bras\u00edlia, ent\u00e3o terra das oportunidades, parecia carregada de promessas. Bem, n\u00e3o foi um para\u00edso, mas certamente muito melhor do que o trio enfrentava no interior.<\/p>\n<p>Assim que chegaram, o homem conseguiu emprego de ajudante de pedreiro, enquanto a mulher se virava fazendo faxina nas resid\u00eancias do Plano Piloto. Quanto ao Boquinha, foi contratado pelo Leopoldo, dono da oficina Magnu, localizada em Sobradinho. E, n\u00e3o tardou, o empres\u00e1rio do ramo automobil\u00edstico notou que o rapazola levava jeito para mec\u00e2nico, apesar de, at\u00e9 aquele instante, nunca ter apertado sequer um parafuso.<\/p>\n<p>J\u00e1 homem-feito, Boquinha era o mais afamado dos mec\u00e2nicos da regi\u00e3o. Leopoldo, para n\u00e3o perder seu funcion\u00e1rio, teve que aceitar certas exig\u00eancias.<\/p>\n<p>\u2014 Depois do rango, preciso de pelo menos uma hora de cochilo.<\/p>\n<p>\u2014 Sem problema, Boquinha.<\/p>\n<p>\u2014 Hum&#8230; E n\u00e3o posso mais trabalhar aos s\u00e1bados.<\/p>\n<p>\u2014 Aos s\u00e1bados?<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9.<\/p>\n<p>\u2014 Por acaso virou adventista do s\u00e9timo dia?<\/p>\n<p>\u2014 T\u00e1 me estranhando, Leopoldo? Sou paraibano!<\/p>\n<p>O motivo de n\u00e3o querer trabalhar aos s\u00e1bados n\u00e3o era religioso, mas outro. \u00c9 que o Boquinha havia conhecido um grupo de velhos apaixonados por futebol. E as peladas aconteciam justamente aos s\u00e1bados. E, al\u00e9m das disputadas partidas, o melhor de tudo eram as resenhas regadas a cerveja, churrasco e bobagens.<\/p>\n<p>O Boquinha, que j\u00e1 beirava os 40 anos, era, de longe, o mais jovem da trupe. Para se ter ideia, o segundo mais mo\u00e7o j\u00e1 havia suplantado a barreira dos 70. Dessa forma, o mec\u00e2nico era disputado a tapas, subornos e dentaduras pelos idosos, que faziam de tudo para que ele compusesse o ataque do time. O problema \u00e9 que o craque da patota era t\u00e3o fominha, que, no final das contas, provocava disc\u00f3rdias, que se prolongavam at\u00e9 a resenha.<\/p>\n<p>\u2014 Boquinha, tu j\u00e1 viu aquele filme que ganhou o Oscar?<\/p>\n<p>\u2014 E eu l\u00e1 tenho tempo pra ver filme, seu Anacleto?<\/p>\n<p>\u2014 Pois deveria! Quem sabe, assim, voc\u00ea notasse que ainda estamos aqui e passasse a bola?<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro 57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor Muito Velho\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/15.0.3\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Z\u00e9 Raimundo, vulgo Boquinha, hoje desfruta de condi\u00e7\u00e3o financeira privilegiada. 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