{"id":353682,"date":"2025-05-11T02:17:31","date_gmt":"2025-05-11T05:17:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=353682"},"modified":"2025-05-10T20:41:51","modified_gmt":"2025-05-10T23:41:51","slug":"ideia-de-transa-extasiante-afunda-como-ancora-na-praia-de-iracema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ideia-de-transa-extasiante-afunda-como-ancora-na-praia-de-iracema\/","title":{"rendered":"Ideia de transa extasiante afunda como \u00e2ncora na Praia de Iracema"},"content":{"rendered":"<p>Os dois se conheceram pelo Facebook. Ele se dizia poeta, morava em S\u00e3o Paulo, escrevia basicamente versos er\u00f3ticos. Ela era poetisa, morava em uma cidadezinha do Cear\u00e1, produzia na maioria dos casos lindos poemas m\u00edsticos. Mas \u00e0s vezes descambava para o erotismo, e ent\u00e3o soltava a franga com tudo, ia fundo, muito mais do que ele.<\/p>\n<p>Passaram a conversar horas seguidas, depois trocaram poemas, e finalmente fotos. Ele engoliu em seco com a imagem da bela morena de cabelos negros, num shortinho ousado e um sorriso confiante, de dona do mundo.<\/p>\n<p>&#8211; Assim me apaixono \u2013 confessou ele (n\u00e3o exagerava, se apaixonava f\u00e1cil). \u2013 Manda fotos de biqu\u00edni.<\/p>\n<p>Ela obedeceu. Ele adorou, babou na gravata que nunca usava.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi escrever para ela um poema er\u00f3tico. Sem qualquer vulgaridade, nenhum termo obsceno, ele descreveu com detalhes a sonhada primeira transa dos dois. No final, orgulhoso com sua cria\u00e7\u00e3o e ansioso pela resposta dela, enviou-lhe o poema pelo WhatsApp.<\/p>\n<p>O poema intitulava-se \u201cGra\u00fana\u201d. Era, claro, uma refer\u00eancia a Iracema, personagem do romance de Jos\u00e9 de Alencar \u2013 a mulher cearense arquet\u00edpica, de \u201ccabelos mais negros que a asa da gra\u00fana\u201d. E a\u00ed, claro, deu chabu.<\/p>\n<p>&#8211; Quem te falou esse nome? O Roberval, n\u00e3o foi?<\/p>\n<p>&#8211; Que nome? Que Roberval?<\/p>\n<p>&#8211; Confessa, filho de uma \u00e9gua. Foi o Roberval, n\u00e3o foi? \u00c9s um filho de uma \u00e9gua que nem ele!<\/p>\n<p>&#8211; Que nome, morena? E n\u00e3o conhe\u00e7o Roberval nenhum.<\/p>\n<p>A muito custo, o poeta conseguiu desenrolar a hist\u00f3ria. Roberval era um carinha que a paquerava no fim do Ensino Fundamental. Ela n\u00e3o quis ficar com ele, que, morrendo de despeito, colocou-lhe o apelido de gra\u00fana. N\u00e3o em refer\u00eancia a Iracema, a \u201cvirgem dos l\u00e1bios de mel\u201d, e sim \u00e0 gra\u00fana, cria\u00e7\u00e3o imortal do cartunista Henfil \u2013 moreninha, mirradinha, decidida mas feia pra cacete. O apelido se alastrou pela escola e a traumatizou; marcou-a mesmo depois dos 16 anos, quando ela virou um mulher\u00e3o.<\/p>\n<p>De algum modo, o poeta a convenceu de que: a) n\u00e3o conhecia o apelido. Gra\u00fana, com g mai\u00fasculo, era uma refer\u00eancia a Iracema e a Jos\u00e9 de Alencar; b) n\u00e3o conhecia o canalha do Roberval e, se um dia conhecesse, iria baixar-lhe a porrada; c) estava apaixonado e queria muuito transar com ela.<\/p>\n<p>A poetisa cearense aceitou, desconfiada. Mas alguma coisa havia se quebrado. Os dois bem que tentaram, enviaram poemas er\u00f3ticos um pro outro, mas o amorzinho virtual foi esfriando, esfriando, at\u00e9 morrer de vez. Tudo culpa do Roberval e do Jos\u00e9 de Alencar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dois se conheceram pelo Facebook. Ele se dizia poeta, morava em S\u00e3o Paulo, escrevia basicamente versos er\u00f3ticos. 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