{"id":353742,"date":"2025-05-12T07:21:29","date_gmt":"2025-05-12T10:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=353742"},"modified":"2025-05-12T07:21:29","modified_gmt":"2025-05-12T10:21:29","slug":"abandono-marca-muitas-historias-esquecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/abandono-marca-muitas-historias-esquecidas\/","title":{"rendered":"Abandono marca muitas hist\u00f3rias esquecidas"},"content":{"rendered":"<p>Em cada esquina do pa\u00eds, h\u00e1 rostos infantis que carregam no olhar um peso que n\u00e3o deveriam conhecer: o abandono. S\u00e3o milhares de crian\u00e7as que vivem fora do aconchego de um lar, longe do afeto de uma fam\u00edlia, entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte ou acolhidas por abrigos e institui\u00e7\u00f5es que, muitas vezes, n\u00e3o conseguem suprir o vazio deixado pela aus\u00eancia dos pais.<\/p>\n<p>Segundo dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, mais de 30 mil crian\u00e7as e adolescentes vivem em unidades de acolhimento no Brasil. A maioria chega por neglig\u00eancia, maus-tratos ou abandono. A cada hist\u00f3ria, um trauma. A cada crian\u00e7a, uma marca profunda e duradoura.<\/p>\n<p>Let\u00edcia*, de 9 anos, vive em um abrigo no interior de Minas Gerais desde os 5. Foi encontrada sozinha em casa, faminta e doente, ap\u00f3s vizinhos denunciarem o desaparecimento dos pais usu\u00e1rios de drogas. \u201cEla demorou meses para falar com algu\u00e9m. Chorava \u00e0 noite, com medo do escuro e de ser deixada de novo\u201d, conta uma das cuidadoras.<\/p>\n<p>O abandono n\u00e3o \u00e9 apenas f\u00edsico. \u00c9 emocional, psicol\u00f3gico e social. Crian\u00e7as abandonadas tendem a apresentar dificuldades de aprendizagem, baixa autoestima e comportamento agressivo ou retra\u00eddo. A aus\u00eancia de v\u00ednculos afetivos nos primeiros anos de vida pode comprometer seriamente o desenvolvimento cognitivo e emocional.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o crian\u00e7as que crescem com a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o s\u00e3o importantes, de que n\u00e3o merecem amor. Isso se reflete em toda a trajet\u00f3ria escolar, profissional e relacional\u201d, explica a psic\u00f3loga infantil Carla Menezes.<\/p>\n<p>Apesar do cen\u00e1rio dif\u00edcil, h\u00e1 iniciativas que buscam mudar essas hist\u00f3rias. Programas de apadrinhamento afetivo, ado\u00e7\u00f5es tardias e redes de apoio comunit\u00e1rio t\u00eam feito a diferen\u00e7a. Mas o desafio \u00e9 grande: muitos ainda esperam por um lar definitivo \u2014 especialmente os mais velhos e os irm\u00e3os que n\u00e3o querem ser separados.<\/p>\n<p>\u201cAdotei a Camila com 11 anos. Diziam que era dif\u00edcil, que era rebelde. Mas tudo o que ela queria era ser ouvida, ser amada. Hoje, \u00e9 a luz da minha vida\u201d, conta Maria Teresa, m\u00e3e adotiva em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A sociedade precisa olhar para essas crian\u00e7as n\u00e3o com pena, mas com responsabilidade. Cada uma delas tem uma hist\u00f3ria, um potencial e um desejo leg\u00edtimo de pertencer. O abandono marca, sim. Mas o amor, o cuidado e a inclus\u00e3o tamb\u00e9m podem deixar marcas \u2014 das que curam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cada esquina do pa\u00eds, h\u00e1 rostos infantis que carregam no olhar um peso que n\u00e3o deveriam conhecer: o abandono. 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