{"id":353857,"date":"2025-05-13T16:08:33","date_gmt":"2025-05-13T19:08:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=353857"},"modified":"2025-05-13T16:47:36","modified_gmt":"2025-05-13T19:47:36","slug":"golpista-que-roubou-velhinhos-ja-foi-condenado-por-trambique-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/golpista-que-roubou-velhinhos-ja-foi-condenado-por-trambique-em-brasilia\/","title":{"rendered":"Golpista que roubou velhinhos j\u00e1 foi condenado por trambique em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Duas empresas de telemarketing que prestavam servi\u00e7os a organiza\u00e7\u00f5es sociais implicadas no esquema de descontos ilegais em benef\u00edcios previdenci\u00e1rios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pertencem a um empres\u00e1rio j\u00e1 condenado em primeira inst\u00e2ncia, no Distrito Federal, por pr\u00e1ticas semelhantes.<\/p>\n<p>Domingos S\u00e1vio de Castro consta como um dos donos das operadoras de call center Callvox e Truetrust Call Center. Entre os nomes dos s\u00f3cios da TrueTrust aparece, al\u00e9m do de Castro, o de Antonio Carlos Camilo Antunes, o chamado Careca do INSS. A quem o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) se refere como o \u201c[aparente] epicentro da corrup\u00e7\u00e3o ativa\u201d que levou a Pol\u00edcia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU) a realizarem, no \u00faltimo dia 23, a Opera\u00e7\u00e3o Sem Desconto.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2018, ou seja, seis anos e meio antes dos \u00f3rg\u00e3os federais de controle deflagrarem a Opera\u00e7\u00e3o Sem Desconto para aprofundar investiga\u00e7\u00f5es sobre fraudes na cobran\u00e7a das mensalidades associativas em n\u00edvel nacional, Castro foi um dos alvos da Opera\u00e7\u00e3o Strike, da Pol\u00edcia Civil do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Inicialmente, a apura\u00e7\u00e3o distrital mirava uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa que aplicava golpes dos precat\u00f3rios a servidores distritais aposentadas (a maioria, idosos), mas ao analisar as provas recolhidas em endere\u00e7os residenciais e comerciais dos suspeitos, os investigadores encontraram \u201celementos indicativos\u201d de outras fraudes.<\/p>\n<p>Com Castro, os policiais que participavam da Opera\u00e7\u00e3o Strike afirmaram ter apreendido um documento de 34 p\u00e1ginas, com mais de mil registros de servidores p\u00fablicos distritais (nomes, CPFs, datas de nascimento, \u00f3rg\u00e3os aos quais pertencem, n\u00famero de matr\u00edcula e endere\u00e7o completo), al\u00e9m de uma m\u00eddia DVD-R, contendo arquivos com informa\u00e7\u00f5es pessoais e funcionais de servidores p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Segundo consta no processo os investigadores tamb\u00e9m encontraram documentos timbrados de uma das entidades j\u00e1 investigadas por suspeita de fraudes com precat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Entre os papeis, havia apontamentos de que a mesma entidade pagou comiss\u00e3o a Castro pela capta\u00e7\u00e3o de novos associados, dos quais a entidade cobrava mensalidades descontadas diretamente dos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>No decorrer do processo, quatro v\u00edtimas apontaram Castro como sendo \u201ca pessoa que aplicou o ardil contra elas, culminando em d\u00e9bitos [n\u00e3o autorizados] em suas folhas de pagamento\u201d, em favor de uma entidade de classe.<\/p>\n<p><strong>V\u00edtimas<\/strong><br \/>\nUma das v\u00edtimas, ent\u00e3o com 80 anos, afirmou que, ao se apresentar, Castro lhe ofereceu servi\u00e7os de sa\u00fade prestados por uma associa\u00e7\u00e3o para a qual trabalhava. A idosa contou que Castro frequentou sua casa entre 2017 e 2020 e que, por isso, j\u00e1 o considerava como um \u201camigo\u201d, tendo assinado v\u00e1rios documentos que ele apresentava. S\u00f3 algum tempo depois ela identificou os descontos em seu benef\u00edcio, em favor de mais de uma entidade.<\/p>\n<p>A filha de outra v\u00edtima demonstrou que, desde 2008, sua m\u00e3e teve descontos n\u00e3o autorizados. Segundo a depoente, os descontos come\u00e7aram ap\u00f3s Domingos S\u00e1vio de Castro vender um suposto seguro de vida para sua m\u00e3e, que morreu em janeiro de 2015, sem nunca conseguir reaver os valores devidos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s [a m\u00e3e] falecer, [a filha] encontrou [Castro] &#8216;na rua&#8217; e questionou acerca do seguro de vida que ele havia feito. Na ocasi\u00e3o, Castro teria dito que &#8220;n\u00e3o saberia o que poderia ser feito&#8221; e que poderia pagar apenas o &#8220;aux\u00edlio funeral&#8221;, em valor pr\u00f3ximo a R$ 3 mil. Contudo, n\u00e3o providenciou nada.<\/p>\n<p><strong>Defesa<\/strong><br \/>\nNo decorrer do processo, a defesa de Castro sustentou que ele jamais integrou o quadro de funcion\u00e1rios das associa\u00e7\u00f5es investigadas no Distrito Federal, bem como \u201cnunca teve papel de vendedor dos benef\u00edcios ofertados pelas associa\u00e7\u00f5es, o que foi confirmado pelos demais denunciados em seus depoimentos\u201d.<\/p>\n<p>Apesar disso, em novembro de 2023, tr\u00eas anos ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o da den\u00fancia, o juiz Marcio Evangelista Ferreira da Silva condenou Castro e outras 16 pessoas.<\/p>\n<p>\u201cA culpabilidade est\u00e1 caracterizada. As investiga\u00e7\u00f5es apontam que Domingos atua na organiza\u00e7\u00e3o criminosa [investigada na Opera\u00e7\u00e3o Strike] como &#8216;corretor&#8217;, praticando efetivamente o ardil na resid\u00eancia das v\u00edtimas\u201d, sentenciou o magistrado, referindo-se \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es contra Castro, condenado por estelionato a tr\u00eas anos e 11 meses de reclus\u00e3o em regime aberto.<\/p>\n<p>Os condenados em regime aberto podem trabalhar ou exercer outra atividade sem vigil\u00e2ncia, mas devem se recolher \u00e0 noite e em dias de folga. Na senten\u00e7a \u00e0 \u00e9poca, o juiz entendeu que &#8220;\u00e9 socialmente recomend\u00e1vel que o denunciado cumpra penas alternativas ao inv\u00e9s de<br \/>\nser segregado&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Falso corretor<\/strong><br \/>\nA promotora de Justi\u00e7a que atuou no processo, Fabiana Giusti, concedeu entrevista nesta ter\u00e7a-feira (12). Ela refor\u00e7ou que, anos antes de figurar como dono de empresas investigadas, Domingos S\u00e1vio de Castro atuou como \u201cfalso corretor\u201d no Distrito Federal.<\/p>\n<p>\u201cEle era um dos r\u00e9us que atuavam como corretores do esquema. Havia as pessoas que se revezavam \u00e0 frente de entidades de fachada e havia os corretores. Em geral, eram estes que iam at\u00e9 \u00e0s v\u00edtimas e as enganavam em troca de comiss\u00f5es. Via de regra, eles recebiam o valor das duas primeiras mensalidades [cobradas das v\u00edtimas] e um percentual de 10% a 15% de tudo o que era descontado posteriormente\u201d, disse Fabiana.<\/p>\n<p>A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com a defesa de Castro. O advogado que o representa no processo que tramita na Justi\u00e7a do Distrito Federal, Eduardo Teixeira, afirmou que est\u00e1 recorrendo da condena\u00e7\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia, e que seu cliente n\u00e3o o procurou para tratar do fato de ser citado pela PF no \u00e2mbito da recente Opera\u00e7\u00e3o Sem Desconto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas empresas de telemarketing que prestavam servi\u00e7os a organiza\u00e7\u00f5es sociais implicadas no esquema de descontos ilegais em benef\u00edcios previdenci\u00e1rios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pertencem a um empres\u00e1rio j\u00e1 condenado em primeira inst\u00e2ncia, no Distrito Federal, por pr\u00e1ticas semelhantes. 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