{"id":353948,"date":"2025-05-15T10:13:50","date_gmt":"2025-05-15T13:13:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=353948"},"modified":"2025-05-15T10:15:10","modified_gmt":"2025-05-15T13:15:10","slug":"caso-extraconjugal-no-bb-pode-voltar-apos-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/caso-extraconjugal-no-bb-pode-voltar-apos-30-anos\/","title":{"rendered":"Caso extraconjugal no BB pode voltar ap\u00f3s 30 anos"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o percebemos as mancadas quando estamos apaixonados, n\u00e3o notamos a avalanche de pistas que deixamos pelo caminho. Todo mundo sabe, muitos comentam, e c\u00e1 ficamos como se nosso segredo fosse algo realmente secreto, digno de algum arquivo confidencial do governo sobre alien\u00edgenas. Como podemos ser t\u00e3o ing\u00eanuos!?<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos, o Zeca, para quem conhece o sujeito, certamente atesta que se trata de um esp\u00e9cime com certo charme. Pouco mais de um metro e oitenta, corpo atl\u00e9tico, mas sem exageros, bigode aparado com esmero, sorriso honesto, olhos pregui\u00e7osos e uma calva sem o menor resqu\u00edcio de lam\u00farias. Eis o perfil do ent\u00e3o gerente do Banco do Brasil, com seus 50 anos nos idos de 1996, quando n\u00e3o pensei duas vezes antes de cair nos seus bra\u00e7os.<\/p>\n<p>N\u00e3o fui a primeira nem a \u00faltima a me encantar pelo tip\u00e3o. Casado que era, Zeca precisava controlar muito bem seus hor\u00e1rios. Qualquer deslize, a esposa poderia flagr\u00e1-lo de m\u00e3os dadas com alguma mo\u00e7a apaixonada. E o sujeito morria de medo que isso acontecesse. Como sei? Ele mesmo me confidenciou enquanto nos recuper\u00e1vamos de estripulias debaixo dos len\u00e7\u00f3is de um hotel no centro, bem perto da ag\u00eancia onde trabalh\u00e1vamos.<\/p>\n<p>\u2014 Zeca, tu n\u00e3o tem medo de ser descoberto por sua mulher?<\/p>\n<p>\u2014 J\u00falia, minha flor, se a Eliane me pega, t\u00f4 lascado.<\/p>\n<p>\u2014 Lascado que nada! Se bobear, ela vai ficar ainda mais apaixonada quando descobrir que o marido \u00e9 o garanh\u00e3o do banco.<\/p>\n<p>\u2014 Lascado, sim, senhora!<\/p>\n<p>\u2014 Quer apostar?<\/p>\n<p>\u2014 Apostar o qu\u00ea, garota?<\/p>\n<p>\u2014 T\u00f4 at\u00e9 com vontade de contar pra descobrir.<\/p>\n<p>\u2014 T\u00e1 maluca? Num fala isso nem de brincadeira! A Eliane me mata!<\/p>\n<p>\u2014 Mata, nada!<\/p>\n<p>\u00d3bvio que nunca toquei no assunto com a esposa do meu amado. N\u00e3o que n\u00e3o tivesse tido oportunidade, mas fujo de imbr\u00f3glios como gata escaldada que sempre fui. J\u00e1 pensou, eu, J\u00falia Carneiro, na boca do povo?<\/p>\n<p>Inocente que era, n\u00e3o percebia a quantidade enorme de bandeiras que dava na \u00e9poca. At\u00e9 uma pulseira com as iniciais do Zeca n\u00e3o sa\u00eda do meu pulso. JC, algu\u00e9m poderia supor, que fosse por conta de Jesus Cristo. No entanto, n\u00e3o estava preocupada com desconhecidos, que, na verdade, nada tinham a ver com a minha vida. O problema mesmo eram os colegas de trabalho.<\/p>\n<p>\u2014 J\u00falia, n\u00e3o \u00e9 melhor colocar um outdoor l\u00e1 fora?<\/p>\n<p>\u2014 Outdoor?<\/p>\n<p>\u2014 JC, minha amiga?<\/p>\n<p>\u2014 E da\u00ed, Sandra?<\/p>\n<p>\u2014 S\u00f3 falta voc\u00ea querer me dizer agora que n\u00e3o \u00e9 mais judia.<\/p>\n<p>Sabe quando voc\u00ea era crian\u00e7a e sua m\u00e3e perguntava quem havia comido o bolo de chocolate antes da hora? Ela olhava para seus irm\u00e3os, co\u00e7ava o queixo e torcia os l\u00e1bios quando, finalmente, percebia a sua boca borrada de chocolate? E voc\u00ea, na certeza de que nada a revelaria, ainda fazia a cara mais inocente do mundo.<\/p>\n<p>Aquela pulseira, presente do Zeca no nosso segundo encontro furtivo no mesmo hotel vagabundo, foi o bolo de chocolate que comi escondido. Mesmo assim, n\u00e3o imaginava que todos os outros colegas j\u00e1 soubessem do nosso caso, que, na verdade, durou pouco mais de seis meses. De uma hora para outra, aquele bolo solou.<\/p>\n<p>O Zeca foi promovido a diretor do Banco do Brasil e nunca mais o vi. N\u00e3o por causa de rancor, algo que nunca houve entre n\u00f3s. Foram meras conting\u00eancias da vida, at\u00e9 que, na semana passada, o reencontrei no supermercado.<\/p>\n<p>Quase 30 anos, e o homem continua apresent\u00e1vel ou, ent\u00e3o, talvez seja a opacidade dos meus olhos envelhecidos que n\u00e3o me deixa ver com clareza a realidade. Ele me contou que a esposa est\u00e1 bem, os filhos todos criados, tr\u00eas netos. Disse que gosta da vida de aposentado, apesar de sentir falta dos colegas.<\/p>\n<p>Antes de nos despedirmos, trocamos telefones, como fazemos quando encontramos velhos amigos. Promessas de marcarmos algo, que geralmente ficam soterradas debaixo de tantas outras prioridades ou, ent\u00e3o, do puro esquecimento. Quem sabe, qualquer dia desses, eu acorde com \u00e2nimo e coragem para cham\u00e1-lo para tomarmos um caf\u00e9? Soube que aquele hotel perto da ag\u00eancia do Banco do Brasil ainda est\u00e1 de p\u00e9.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro 57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor Muito Velho\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/15.0.3\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o percebemos as mancadas quando estamos apaixonados, n\u00e3o notamos a avalanche de pistas que deixamos pelo caminho. 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