{"id":354111,"date":"2025-05-19T09:04:51","date_gmt":"2025-05-19T12:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=354111"},"modified":"2025-05-19T09:05:40","modified_gmt":"2025-05-19T12:05:40","slug":"nem-sempre-quem-pergunta-o-que-nao-imagina-ouve-o-que-nao-quer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nem-sempre-quem-pergunta-o-que-nao-imagina-ouve-o-que-nao-quer\/","title":{"rendered":"Nem sempre quem pergunta o que n\u00e3o imagina ouve o que n\u00e3o quer"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente tive uma reca\u00edda profissional e resolvi voltar aos velhos tempos de rep\u00f3rter. Como o comportamento do povo mais simples sempre foi a alma de minhas mat\u00e9rias pol\u00edtico-sociais, sa\u00ed \u00e0s ruas da periferia de Bras\u00edlia com a inten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de entrevistar pessoas sobre pessoas. Meu objetivo era saber como os tipos supostamente menos esclarecidos se comportam diante de uma consulta direta a respeito do apoio f\u00edsico, emocional e laboral a tipos conhecidos nacionalmente. Conforme as respostas, eu poderia avaliar e, quem sabe, escrever sobre o futuro dos citados.<\/p>\n<p>Meu primeiro e \u00fanico entrevistado foi suficiente para que eu tivesse a ideia exata de cidad\u00e3s e cidad\u00e3os p\u00fablicos em condi\u00e7\u00f5es de me representar politicamente em elei\u00e7\u00f5es vindouras. \u00c0 frente de um homem com vestes humildes, sorriso largo, olhar fixo em mim e muita perspic\u00e1cia, indaguei se ele trabalharia para o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro. Com muito prazer, respondeu o simpl\u00f3rio homem. E para Eduardo Bolsonaro? Claro que trabalharia. E o faria com muito prazer! Tamb\u00e9m trabalharia para Silas Malafaia? Com certeza. E feliz da vida! Faria at\u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>A pergunta final n\u00e3o poderia ter outro protagonista. O senhor trabalharia para o ex-presidente Jair Bolsonaro? Meu Deus! Encantad\u00edssimo! Do fundo de minha alma. E n\u00e3o teria qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com minhas dores de coluna ou do nervo ci\u00e1tico. E para Luiz In\u00e1cio? Mo\u00e7o, sinceramente para o Lula eu n\u00e3o gostaria de fazer meu trabalho. Se tivesse de faz\u00ea-lo, seria com imensa tristeza. Talvez at\u00e9 chorasse junto dos familiares durante minha honrosa tarefa. Conclu\u00edda a entrevista, agradeci a simpatia do entrevistado e iniciei o caminho de volta \u00e0 reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi quando me lembrei de que havia esquecido de perguntar se ele era simpatizante da direita, da esquerda ou do centro. Consegui encontrar o sujeito j\u00e1 paramentado e pronto para iniciar mais uma jornada di\u00e1ria. Disposto a question\u00e1-lo objetivamente quanto a uma prov\u00e1vel linha ideol\u00f3gica, desisti ao perceb\u00ea-lo entrando em seu pouco apraz\u00edvel local de trabalho. Meu entrevistado era o coveiro do cemit\u00e9rio da cidade. Pensei, pensei e conclui que o risco de perguntar o que n\u00e3o quer \u00e9 ouvir o que quer. Ou seria o contr\u00e1rio? A ordem do produto n\u00e3o altera os fatores. Acho que acertei errando de novo.<\/p>\n<p>Antes de encerrar as atividades jornal\u00edsticas do dia, resolvi testar a intelig\u00eancia dos perif\u00e9ricos. Rapidamente descobri que, mesmo sem a intelig\u00eancia dos lordes e dos ricos, eles t\u00eam racioc\u00ednio muito mais r\u00e1pido e intelig\u00edvel do que os que se julgam mais capacitados. Perguntei a um cidad\u00e3o simpl\u00f3rio at\u00e9 na alma se ele sabia a raz\u00e3o para os combust\u00edveis aumentarem tanto no Brasil. &#8220;Por que o governo tem posto&#8221;, respondeu meu interlocutor. Embora a resposta tenha sido uma surpresa, estiquei a pergunta na tentativa de dirimir a d\u00favida. E onde o governo tem posto? &#8220;Em n\u00f3s!&#8221; Encerrei a entrevista para evitar que ele tivesse certeza de que o meu tamb\u00e9m estava na roda. Novamente fui agradavelmente surpreendido pelo que ouvi.<\/p>\n<p>Ameacei falar de Donald Trump, mas parei achando que era um tema probi\u00f3tico e elitista demais. Fui pego pelo la\u00e7o ao ser indagado sobre o rec\u00e9m-empossado presidente dos Estados Unidos. Me limitei a dizer que o republicano \u00e9 o novo cara. Quase cheguei \u00e0 lona quando, se antecipando ao meu suspiro, o parceiro do camarada do combust\u00edvel ressignificou a resposta e emendou: &#8220;O mandato de Trump vai acabar, ele n\u00e3o vai fazer nada pelos norte-americanos e, de quebra, dar\u00e1 ao chin\u00eas Xi Jinping o t\u00edtulo de &#8220;mais &#8216;maior&#8217; do mundo&#8221;. Embora gramaticalmente incorreto, como discordar do superlativo no meio da rua? \u00c9 o neologismo mais criativo que j\u00e1 ouvi contra os que gritam, xingam e matam em nome de \u00eddolos e de mitos.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente tive uma reca\u00edda profissional e resolvi voltar aos velhos tempos de rep\u00f3rter. Como o comportamento do povo mais simples sempre foi a alma de minhas mat\u00e9rias pol\u00edtico-sociais, sa\u00ed \u00e0s ruas da periferia de Bras\u00edlia com a inten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de entrevistar pessoas sobre pessoas. 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