{"id":354178,"date":"2025-05-20T09:33:20","date_gmt":"2025-05-20T12:33:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=354178"},"modified":"2025-05-20T10:36:34","modified_gmt":"2025-05-20T13:36:34","slug":"mae-visceral-amante-reprodutor-e-josualdo-sem-o-pai-que-nao-teve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mae-visceral-amante-reprodutor-e-josualdo-sem-o-pai-que-nao-teve\/","title":{"rendered":"M\u00e3e visceral, amante reprodutor, e Josualdo, sem o pai que n\u00e3o teve"},"content":{"rendered":"<p>Homens abortam? Josualdo Alves Martins \u00e9 um jovem mec\u00e2nico de 24 anos. Nasceu sem conhecer o pai. Na certid\u00e3o de nascimento consta o nome de seu progenitor: Jo\u00e3o Neves Martins. Dona Leda Alves, sua m\u00e3e, sempre afirmou n\u00e3o saber o paradeiro do pai, visto ter sido abandonada por Jo\u00e3o com oito meses de nascido o Josualdo.<\/p>\n<p>O filho crescera forte e recebera de sua m\u00e3e todo esfor\u00e7o para ser bom homem. Menino ainda, aos 10 anos, nasceu nele a necessidade e a \u00e2nsia de procurar o pai. Sentia vergonha em n\u00e3o poder apresent\u00e1-lo nas cerimonias do col\u00e9gio. Nas partidas de futebol, todo mundo inha, na torcida, um pai. Dona Leda procurava compensar a aus\u00eancia, mas ele era o filho do vento, um filho sem pai!<\/p>\n<p>Nem Dona Leda e nem Josualdo sabiam que ali bem perto deles morava o Jo\u00e3o Neves. Depois de ter abandonado a mulher h\u00e1 d\u00e9cadas, o Jo\u00e3o, P\u00e9 de Vento, como era conhecido, tinha percorrido o Brasil quase todo. N\u00e3o parava em lugar nenhum por mais de dois anos. Ia atr\u00e1s de aventuras e emprego. Parecia cigano, sem pouso seguro.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, o P\u00e9 de Vento, morava no mesmo bairro que a sua prog\u00eanie. Mas nunca procurou saber do Josualdo. O passado estava morto em seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de muitos trope\u00e7os, o Jo\u00e3o nem sabia quantas mulheres gr\u00e1vidas ele tinha abandonado. O destino, se \u00e9 que existe tal coisa, \u00e9, dizem, uma trama de v\u00e1rios cruzamentos. No copo e na vida, devemos beber o conte\u00fado at\u00e9 a \u00faltima gota. E assim foi<\/p>\n<p>\u2013 Arrasta a cadeira a\u00ed e senta, vamos beber! \u2013 Disse Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o posso, tenho que seguir para casa. N\u00e3o tenho todo o seu tempo \u00e0 desperdi\u00e7ar em um bar. \u2013 Tentava se desvencilhar o outro.<\/p>\n<p>\u2013 Meu irm\u00e3o preciso te falar&#8230;\u00c9 coisa s\u00e9ria! Estou gravemente doente e preciso de um lugar para morar&#8230; N\u00e3o posso mais morar sozinho, preciso de algu\u00e9m que cuide de mim.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea quer uma mulher ou uma empregada? \u2013 Apontava o seu ex-companheiro de esb\u00f3rnia.<\/p>\n<p>\u2013 A gente faz as escolhas erradas e depois, quando velho e doente, n\u00e3o tem quem nos estenda a m\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>O outro que n\u00e3o era um bom ouvinte, saiu de fininho. Jo\u00e3o bebeu mais dois copos, pegou o chap\u00e9u na mesa, ajeitou as roupas e saiu meio tonto e cambaleante. A aposentadoria mal dava para pagar as suas despesas.<\/p>\n<p>Novo ainda em seus 67 anos mas diab\u00e9tico, precisava urgente de arranjar um lugar para pousar as suas mis\u00e9rias: as f\u00edsicas e as morais.<\/p>\n<p>D. Leda ainda estava em pleno vi\u00e7o nos seus 53 anos. S\u00f3 teve um filho em sua vida, Josualdo. Ele sem pai, ela sem marido seguiu em Frente quando abandonados. Ela pegou o touro \u00e0 unha. Quando caia, levantava. D. Leda era muito orgulhosa de si mesma. Quando olha para o filho, vinha nela uma triunfante sensa\u00e7\u00e3o de miss\u00e3o bem cumprida. O filho era a sua riqueza, apesar de estarem nos extratos mais Baixos de uma classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>\u2013 Josualdo, voc\u00ea vem pro almo\u00e7o?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, m\u00e3e. Preciso finalizar uns consertos que j\u00e1 est\u00e3o com a data de entrega atrasados.<\/p>\n<p>\u2013 Mas n\u00e3o exagera, volta cedo!<\/p>\n<p>Logo que Josualdo saiu, mais meia hora, D. Leda saiu tamb\u00e9m. Precisava fazer umas compras no mercadinho do bairro. Pegou a lista de compras e saiu a p\u00e9. Mal sabia o que a esperava: um susto ou uma maldi\u00e7\u00e3o? Como sempre fazia pegou o caminho por tr\u00e1s da sua casa, o que era o mais curto. Foi meio distra\u00edda, subia e descia as cal\u00e7adas. Passou na banca de jornal, na frente do mercadinho e, o seu cora\u00e7\u00e3o bateu acerelado!<\/p>\n<p>N\u00e3o podia ser ele!&#8230; Mas desgra\u00e7adamente era o Jo\u00e3o, o das tristes mem\u00f3rias. A triste figura estava encostado na banca de jornal, lendo um jornal popular. O seu cora\u00e7\u00e3o bateu aos saltos! O que fazer? O susto foi t\u00e3o grande que chegou a despertar a aten\u00e7\u00e3o do Jo\u00e3o, que n\u00e3o a reconheceu, mas que sorriu um sorriso cafajeste: viu assombra\u00e7\u00e3o, dona?<\/p>\n<p>Ela se esquivou e saiu pra dentro do mercado. Ele a acompanhou com o olhar.<\/p>\n<p>D. Leda precisava se recuperar. Sentou-se numa cadeira e tomou um refrigerante gelado. Quando se recuperou saiu pela porta dos fundos do mercado. Andou com pressa, quase correu! Chegou em casa esbaforida. Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! N\u00e3o posso voltar aquele inferno de vida! Quantas e quantas noites deixei de dormir pensando naquele desgra\u00e7ado? Mesmo antes dele desaparecer, sumir pelo mundo, o meu sofrimento foi grande.<\/p>\n<p>Ele passava noites inteiras fora de casa. Mesmo gr\u00e1vida, eu n\u00e3o podia contar com ele. N\u00e3o, n\u00e3o! Eu n\u00e3o mere\u00e7o voltar ao inferno!<\/p>\n<p>Decidida e altiva, D. Leda engoliu o p\u00e3o mofado de um amor insepulto e seguiu a sua vida. Nada disse ao Josualdo que continuou ignorando o paradeiro do pai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homens abortam? Josualdo Alves Martins \u00e9 um jovem mec\u00e2nico de 24 anos. Nasceu sem conhecer o pai. Na certid\u00e3o de nascimento consta o nome de seu progenitor: Jo\u00e3o Neves Martins. 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