{"id":354250,"date":"2025-05-21T12:00:24","date_gmt":"2025-05-21T15:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=354250"},"modified":"2025-05-21T12:31:14","modified_gmt":"2025-05-21T15:31:14","slug":"a-borboleta-atiria-e-as-infinitas-estrelas-no-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-borboleta-atiria-e-as-infinitas-estrelas-no-ceu\/","title":{"rendered":"A borboleta At\u00edria e as infinitas estrelas no C\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>Muito bem guardadas nas caixinhas de nossa mem\u00f3ria est\u00e3o lembran\u00e7as maravilhosas, algumas quase esquecidas pelo tempo, mas basta um cheiro, uma frase, uma m\u00fasica e elas ressurgem seguidas pelas emo\u00e7\u00f5es vividas no nosso passado.<\/p>\n<p>Cheiros, m\u00fasicas e tantas outras formas de despertar nossas lembran\u00e7as s\u00e3o como chaves que abrem nossas gavetas escondidas, espa\u00e7os que apenas n\u00f3s temos acesso, s\u00e3o nossas joias raras guardadas no nossa porta joia interno.<\/p>\n<p>Algumas essas lembran\u00e7as s\u00e3o ruins, e para nossa defesa nosso c\u00e9rebro decide que de fato s\u00e3o lembran\u00e7as que devem ser esquecidas, evitando assim a dor de reviva-las constantemente, ainda assim encontramos chaves que nos levam de volta a essas mem\u00f3rias, a essas chamamos de gatilhos e muitas vezes elas despertam grandes dores nos levando a reviv\u00ea-las de<br \/>\nt\u00e3o forma que a essas devemos cuidar, sendo as necess\u00e1rio a ajuda de um profissional.<\/p>\n<p>Mas, voltemos ao que me trouxe a esse texto.<\/p>\n<p>Sou cheia de caixinhas, cheia de porta joias no meu interior e as chaves n\u00e3o est\u00e3o escondidas, elas est\u00e3o espalhadas pelo tempo.<\/p>\n<p>As vezes esbarro em uma arruda e o cheiro invade minhas narinas, no mesmo instante sinto um relaxamento tomar conta do meu ser, outras vezes, quando estou bem cansada colho suas folhas, fervo e tomo um banho sentindo o cheiro invadir o espa\u00e7o enquanto retira todo meu cansa\u00e7o e renova minhas energias.<\/p>\n<p>O motivo, quando nasci, diante das dificuldades, o sab\u00e3o usado era produzido pela minha m\u00e3e e av\u00f3s, continha muita soda caustica e n\u00e3o poderia ser usado nos beb\u00eas, e n\u00e3o havia dinheiro para um simples sabonete, na \u00e9poca eram tamb\u00e9m mais caros do que atualmente com tantas variedades, e a arruda era fervida e usada nos nossos banhos at\u00e9 os seis meses de idade, minha mem\u00f3ria olfativa mant\u00e9m a ideia de pureza, relaxamento e acolhimento diante do cheiro da planta.<\/p>\n<p>Ontem, em uma doceria uma m\u00fasica lan\u00e7ada quando eu tinha 12 anos me levou de volta \u00e0s noites escuras, dentro de mim sou capaz de ver a menina alegre do interior.<\/p>\n<p>A m\u00fasica de Luan e Vanessa que que tornou sucesso na \u00e9poca tocava em todos os programas de r\u00e1dio, eu a decorei, at\u00e9 hoje conhe\u00e7o de cor sua letra e ritmo.<\/p>\n<p>Durante as noites escuras, sem lua, apenas as estrelas que devo dizer, no interior elas s\u00e3o numerosas e ainda me surpreende, os vagalumes, sons de grilos e o coaxar dos sapos enquanto caminh\u00e1vamos quatro quil\u00f4metros ap\u00f3s a coroa\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, eu me tornava parte do som noturno cantando em alta voz a m\u00fasica e dividindo com a natureza noturna minha<br \/>\nalegria.<\/p>\n<p>Citei as noites de lua nova, pois acredito ser as mais marcantes, havia um contraste, minha m\u00e3e tinha muito medo de andar na noite e eu, amava.<\/p>\n<p>Mas, muitas vezes dividi minha voz nas noites de lua cheia tamb\u00e9m, essas noites aumentava os sons dos animais noturnos, mas diminu\u00eda a visibilidade das estrelas e vagalumes.<\/p>\n<p>Aos dois anos deixamos o interior, ganhei novos amigos, novas portas se abriram, mas perdi a cantoria noturna, na cidade se eu andar na noite cantando em alta voz serei chamada de louca e ouvirei alguns vizinhos chateados.<\/p>\n<p>As estrelas quase n\u00e3o s\u00e3o vistas, os vagalumes s\u00e3o rar\u00edssimos, mas foi nessa mudan\u00e7a que li um romance do mundo animal, o livro \u201cO caso da borboleta At\u00edria,\u201d me lembro que na \u00e9poca me o pequeno livro me levou as l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>Hoje, adulta, n\u00e3o entendia o que me emocionou tanto.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, acampei no Pico da Bandeira, acampamento casa queimada, lado do Esp\u00edrito santo, levei minha filha e antes de sair eu disse a ela:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea vai ver o que um c\u00e9u coberto de estrelas.<\/p>\n<p>Ao que ela respondia desacreditada:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 igual em todo lugar.<\/p>\n<p>Chegamos bem cedo, nos organizamos, o dia passou lentamente, como s\u00f3 nesses lugares eles passam, juro, o rel\u00f3gio do interior n\u00e3o conta as horas como o da cidade, e o tempo que corria tranquilo e calmo trouxe a noite.<\/p>\n<p>Em poucos instantes estrelas de todos os tamanhos invadiram o c\u00e9u, as constela\u00e7\u00f5es, o caminho de noiva&#8230; tantas esquecidas por mim.<\/p>\n<p>Minha filha acompanhava o surgir das estrelas fascinada, repetia o tempo todo olhando para o c\u00e9u:<\/p>\n<p>&#8211; M\u00e3e, quanta estrela!<\/p>\n<p>E eu:<\/p>\n<p>&#8211; Eu disse, n\u00e3o \u00e9 igual.<\/p>\n<p>Ela passou mais de uma hora e meia admirando o c\u00e9u, enquanto repetia cansativamente:<\/p>\n<p>&#8211; M\u00e3e, quanta estrela!<\/p>\n<p>Ela, foi uma das chaves da minha gaveta de joias, me vi de volta a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>De volta em casa decidi ler novamente o livro \u201cO caso da borboleta At\u00edria\u201d e ent\u00e3o entendi que aquela hist\u00f3ria \u00e9 parte de mim, de quem sou, \u00e9 o reconectar com a natureza, \u00e9 ler as minhas ra\u00edzes, \u00e9 mais que a chave de uma gaveta, \u00e9 a chave de pal\u00e1cio interno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito bem guardadas nas caixinhas de nossa mem\u00f3ria est\u00e3o lembran\u00e7as maravilhosas, algumas quase esquecidas pelo tempo, mas basta um cheiro, uma frase, uma m\u00fasica e elas ressurgem seguidas pelas emo\u00e7\u00f5es vividas no nosso passado. 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