{"id":354299,"date":"2025-05-22T05:24:57","date_gmt":"2025-05-22T08:24:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=354299"},"modified":"2025-05-22T05:27:51","modified_gmt":"2025-05-22T08:27:51","slug":"ninguem-segura-a-inflacao-e-nao-aparece-um-verdugo-do-galipolo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ninguem-segura-a-inflacao-e-nao-aparece-um-verdugo-do-galipolo\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m segura a infla\u00e7\u00e3o&#8230; e n\u00e3o aparece um verdugo do Gal\u00edpolo"},"content":{"rendered":"<p>Em praticamente todos os governos, quando a infla\u00e7\u00e3o sobe, recai sobre o Banco Central a responsabilidade de control\u00e1-la. Mas at\u00e9 que ponto essa responsabilidade \u00e9 apenas dele? Ser\u00e1 mesmo poss\u00edvel conter a infla\u00e7\u00e3o apenas por meio da manipula\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic)? E, mais importante: quais s\u00e3o as verdadeiras causas da infla\u00e7\u00e3o que vivemos?<\/p>\n<p>Para entender o problema, \u00e9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m dos n\u00fameros e observar os fatores estruturais que afetam diretamente os pre\u00e7os no Brasil. A infla\u00e7\u00e3o, muitas vezes, n\u00e3o decorre apenas do consumo elevado, mas do encarecimento dos insumos b\u00e1sicos, especialmente das fontes energ\u00e9ticas, como combust\u00edveis (petr\u00f3leo e derivados), energia el\u00e9trica e g\u00e1s. Al\u00e9m deles, tamb\u00e9m os min\u00e9rios e alimentos influenciam fortemente o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPCA).<\/p>\n<p>Atualmente, quando os combust\u00edveis aumentam, vemos uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia: aumentam os pre\u00e7os do transporte, dos alimentos, dos servi\u00e7os e, por consequ\u00eancia, de toda a cadeia produtiva. Esse efeito domin\u00f3 \u00e9 devastador para o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o, especialmente a mais pobre.<\/p>\n<p>O grande problema \u00e9 que o Estado brasileiro perdeu o controle sobre esses setores estrat\u00e9gicos. A maioria dessas empresas foi privatizada \u2014 muitas vezes, sem debate com a sociedade e por interesses escusos. O caso da Vale do Rio Doce, vendida por valor irris\u00f3rio nos anos 1990, e as press\u00f5es pela privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras, da Eletrobras (nossa economia limpa j\u00e1 privatizada) e de outras empresas p\u00fablicas, s\u00e3o exemplos emblem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Essas decis\u00f5es atenderam a interesses de grandes grupos econ\u00f4micos, lobistas, empres\u00e1rios oportunistas e pol\u00edticos comprometidos com o mercado e n\u00e3o com o povo brasileiro. Para que a economia funcione bem, \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado tenha soberania sobre os setores essenciais, especialmente aqueles que impactam diretamente a vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Banco Central, que no governo anterior apanhava de Lula &#8216;mais do que mulher de malandro&#8217;, atua elevando a taxa Selic como forma de conter a infla\u00e7\u00e3o. Isso se d\u00e1 porque juros mais altos desestimulam o consumo e o cr\u00e9dito, diminuindo a circula\u00e7\u00e3o de dinheiro. Por\u00e9m, essa medida tem efeito limitado quando as causas da infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o externas ou estruturais, como o aumento dos combust\u00edveis, e n\u00e3o o excesso de demanda.<\/p>\n<p>Apesar disso, muitos governos reclamam da eleva\u00e7\u00e3o da Selic. Era o que Lula fazia com Campos Neto, num jogo d\u00fabio de palavras que agora vem \u00e0 tona. A alega\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que a Selic atrasa o crescimento econ\u00f4mico e encarece os empr\u00e9stimos. Mas o verdadeiro problema n\u00e3o est\u00e1 no Banco Central, e sim na omiss\u00e3o do Estado em regular e conter os aumentos abusivos de energia, combust\u00edveis e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Afinal, como combater a infla\u00e7\u00e3o se o pr\u00f3prio governo n\u00e3o possui mais instrumentos diretos para controlar os pre\u00e7os desses itens essenciais?<\/p>\n<p>Recursos energ\u00e9ticos n\u00e3o s\u00e3o apenas produtos: s\u00e3o ferramentas de soberania, desenvolvimento e bem-estar social. Quanto mais acess\u00edveis forem a energia e os combust\u00edveis, mais capacidade ter\u00e3o os empres\u00e1rios de produzir, os agricultores de plantar, os caminhoneiros de transportar e as fam\u00edlias de viver com dignidade.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 energia \u00e9 um direito social impl\u00edcito, previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, quando estabelece os princ\u00edpios da dignidade da pessoa humana (art. 1\u00ba, III) e da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade (art. 5\u00ba, XXIII). Al\u00e9m disso, o Estado deve garantir a ordem econ\u00f4mica baseada na valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho e na justi\u00e7a social (art. 170).<\/p>\n<p>Privatizar setores estrat\u00e9gicos vai na contram\u00e3o desses princ\u00edpios. Empresas como a Petrobras e a Eletrobras n\u00e3o devem existir apenas para dar lucro a acionistas estrangeiros, mas para garantir o desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p><strong>A quem interessa essa situa\u00e7\u00e3o? <\/strong><br \/>\nInfelizmente, grande parte da classe pol\u00edtica brasileira serve a interesses privados. O Congresso Nacional, muitas vezes, atua como instrumento de favorecimento de grandes empres\u00e1rios, votando leis que fragilizam o Estado e enriquecem poucos. Enquanto isso, a maioria da popula\u00e7\u00e3o sofre com pre\u00e7os altos, desemprego, perda de poder aquisitivo e aumento da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>A retomada do controle sobre empresas estrat\u00e9gicas n\u00e3o vir\u00e1 desses mesmos pol\u00edticos, pois seus compromissos n\u00e3o est\u00e3o com o povo. \u00c9 preciso uma profunda renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, com representantes que compreendam que empresas p\u00fablicas s\u00e3o patrim\u00f4nio do povo e n\u00e3o moeda de troca em balc\u00f5es de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O povo brasileiro precisa entender que n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento sem controle p\u00fablico dos recursos essenciais. Energia, petr\u00f3leo, g\u00e1s e min\u00e9rios s\u00e3o riquezas que devem estar a servi\u00e7o da na\u00e7\u00e3o. Deixar esses setores nas m\u00e3os de interesses privados \u00e9 condenar o pa\u00eds \u00e0 depend\u00eancia, \u00e0 instabilidade e \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>Recuperar a soberania nacional passa, necessariamente, por reestatizar empresas estrat\u00e9gicas, fortalecer o papel regulador do Estado e restabelecer o pacto social previsto na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o for feito, a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 sendo uma ferida aberta, sangrando o bolso do povo e alimentando os lucros de poucos.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Gilmar Lopez \u00e9 colaborador de <em>Notibras<\/em>, descrevendo momentos do mercado financeiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em praticamente todos os governos, quando a infla\u00e7\u00e3o sobe, recai sobre o Banco Central a responsabilidade de control\u00e1-la. 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