{"id":354428,"date":"2025-05-23T10:15:38","date_gmt":"2025-05-23T13:15:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=354428"},"modified":"2025-05-23T10:16:46","modified_gmt":"2025-05-23T13:16:46","slug":"parcerias-com-textos-coletivos-lavam-a-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/parcerias-com-textos-coletivos-lavam-a-alma\/","title":{"rendered":"&#8216;Parcerias com textos coletivos lavam a alma&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Dia desses falamos aqui no <em>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/em>, sobre Gilberto Motta, personagem, ent\u00e3o, do <em>Lado B da<\/em> <em>Literatura<\/em>, apresentado por nosso coleguinha de cabelos prateados Cassiano Cond\u00e9. Hoje, nesta entrevista, ele volta ao espa\u00e7o, para falar brevemente das plagas por onde passou e das sagas vividas para colocar no papel o que lhe vem \u00e0 mente.<\/p>\n<p>Vale a pena ler. E descobrir que nem sempre a vida \u00e9 um circo, mesmo para quem tenha nascido em um.<\/p>\n<p><strong>Fale um pouco sobre voc\u00ea e sua trajet\u00f3ria liter\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n<p>A paix\u00e3o pelos livros, teatro e cinema come\u00e7ou cedo, na inf\u00e2ncia. Pai e m\u00e3e, mesmo n\u00e3o tendo chegado \u00e0 universidade, eram leitores vorazes e amantes das artes. E da\u00ed veio, pelo exemplo, o interesse pelos livros e pelas diferentes narrativas. E havia o lance do nosso circo teatro onde nasci e cresci at\u00e9 os oito anos. Logo que me alfabetizei, desembestei a ler tudo o que encontrava e a inventar as minhas pr\u00f3prias hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>J\u00e1 no secund\u00e1rio, comecei a escrever com algum m\u00e9todo e orienta\u00e7\u00e3o nas diferentes disciplinas. Primeiro cr\u00f4nicas de minha imagina\u00e7\u00e3o, o que observava no dia a dia; tempos depois \u00e9 que entendi serem cr\u00f4nicas; depois vieram os contos e n\u00e3o parei mais. No final dos anos 1970, j\u00e1 em S\u00e3o Paulo\/capital, no curso de jornalismo da C\u00e1sper L\u00edbero, tomei contato com a literatura de maneira mais t\u00e9cnica, etc. V\u00e1rios contos e cr\u00f4nicas e concursos, colet\u00e2neas. Alguns livros nos \u00faltimos anos, roteiros para as reportagens jornal, r\u00e1dio, TV e cinema, mas sempre com o mesmo prazer de &#8220;escrever para n\u00e3o parar de respirar&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O que o inspira a escrever? Como \u00e9 o seu processo criativo?<\/strong><\/p>\n<p>A possibilidade de narrar a vida, tentar traduzir o que vivo e o meu entorno; e o exerc\u00edcio da imagina\u00e7\u00e3o. Meu m\u00e9todo, a maior parte de minha vida, foi sempre mais intuitivo (os sentidos e a observa\u00e7\u00e3o). Nos \u00faltimos anos aprendi a lidar com a &#8220;inspira\u00e7\u00e3o versus m\u00e9todo&#8221;. Acordo com os galos, antes das 6h, caf\u00e9 e notebook. Escrevo ao longo da manh\u00e3<br \/>\ntodos os dias: &#8220;escrever para n\u00e3o parar de respirar&#8221;.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 alguma prefer\u00eancia por temas ou g\u00eaneros?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o me balizo por temas espec\u00edficos, por\u00e9m, ao longo dos anos percebo que tudo o que me atrai passa pelo cotidiano, pelas pessoas e as rela\u00e7\u00f5es especialmente as mais ins\u00f3litas, estranhas, supra realidade. Viver -e imaginar-, \u00e9 mais desafiador e m\u00e1gico. Gosto dos seres &#8220;invis\u00edveis&#8221;, as coisas do anonimato, do susto, do espanto, a vertigem de narrar novas possibilidades. Durante 40 anos, como rep\u00f3rter, criei e realizei narrativas jornal\u00edsticas factuais misturadas com<\/p>\n<p>literatura\/comportamento. Tenho trabalhado em dois romances, mas \u00e9 coisa sem tempo para finalizar. Escrevo atualmente poesia livre, hist\u00f3rias infanto-juvenis, mem\u00f3rias\/lembran\u00e7as e lamban\u00e7as diversas. Cr\u00f4nicas e contos s\u00e3o o meu cimento de prazer e desafio.<\/p>\n<p><strong>Textos coletivos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o comuns entre os escritores. Como \u00e9 lidar com outros escritores? Voc\u00ea se frustra ao se deparar com os caminhos diversos que seus colegas tomam em rela\u00e7\u00e3o ao texto?<\/strong><\/p>\n<p>Os projetos coletivos que temos desenvolvido s\u00e3o fundamentais. A internet, as redes sociais trouxeram novos desafios, comprimindo o tempo e o espa\u00e7o, mas tamb\u00e9m nos colocando mais conectados. Sempre produzi &#8220;em equipe&#8221;, por\u00e9m nunca perdi a no\u00e7\u00e3o de que o trabalho de cria\u00e7\u00e3o especialmente na narrativa textual \u00e9 profundamente solit\u00e1rio (para mim especialmente pessoal). Lido, hoje, com grande prazer &#8211; e alguma cumplicidade\/paci\u00eancia m\u00fatua-, com os parceiros e parceiras de textos coletivos. S\u00e3o imensos desafios que a cada novo projeto me intriga, instiga e extasia. Os caminhos diversos \u00e9 que s\u00e3o o barato de toda a produ\u00e7\u00e3o&#8230;rssss.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea controla o ego de escritor ao trabalhar com outros autores? H\u00e1 uma disputa interna ou voc\u00ea consegue levar isso numa boa?<\/strong><\/p>\n<p>Simples: um esporro, um beijo, um banho e depois voltamos para a cama. E muito vinho de alguma qualidade. O ego e as disputas s\u00e3o temperos fundamentais, caso contr\u00e1rio ser\u00edamos algoritmos brincando nos campos do Senhor liter\u00e1rio. Somos &#8220;demasiadamente&#8221; humanos, como disse o bigodudo fil\u00f3sofo genial.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea lida com as cr\u00edticas ao seu trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Veja bem: cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma manifesta\u00e7\u00e3o negativa, destrutiva. Lido com ju\u00edzos de valor, portanto, opini\u00e3o. Diverg\u00eancia n\u00e3o significa embate, dem\u00eancia. A quest\u00e3o \u00e9 a postura, os objetivos de cada cr\u00edtica. Se a coisa n\u00e3o tem sustenta\u00e7\u00e3o e ignoro e sigo em frente.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea se relaciona com seus leitores?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o penso neles quando escrevo. S\u00e9rio mesmo. Eu penso, produzo o que posso e realizo a m\u00e1gica experi\u00eancia da literatura, da cria\u00e7\u00e3o da narrativa, do &#8220;Viver para contar&#8221;, como sacou o inacredit\u00e1vel Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, o Gabo. A recep\u00e7\u00e3o, a decodifica\u00e7\u00e3o e os novos sentidos: s\u00e3o problemas\/desafios do leitor. Sempre percebi o leitor\/ouvinte\/espectador como os seres que ir\u00e3o complementar, finalizar aquilo que &#8220;cometo&#8221; em minhas diferentes e diversas narrativas.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 alguma pergunta que n\u00e3o fiz e voc\u00ea deseja responder?<\/strong><\/p>\n<p>Sim: para onde voc\u00eas enviar\u00e3o o Pix?&#8230;rsrsrsss., Brincadeira, Cec\u00edlia. Voc\u00eas\/<strong>NOTIBRAS<\/strong> s\u00e3o um sopro infinito de luz e oxig\u00eanio para n\u00f3s, escrevinhadores de batalhas jamais vencidas. Grat\u00edssimo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia desses falamos aqui no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, sobre Gilberto Motta, personagem, ent\u00e3o, do Lado B da Literatura, apresentado por nosso coleguinha de cabelos prateados Cassiano Cond\u00e9. Hoje, nesta entrevista, ele volta ao espa\u00e7o, para falar brevemente das plagas por onde passou e das sagas vividas para colocar no papel o que lhe vem \u00e0 mente. 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