{"id":354503,"date":"2025-05-25T09:47:04","date_gmt":"2025-05-25T12:47:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=354503"},"modified":"2025-05-25T09:47:04","modified_gmt":"2025-05-25T12:47:04","slug":"da-republica-ao-golpismo-so-tres-presidentes-se-reelegeram-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/da-republica-ao-golpismo-so-tres-presidentes-se-reelegeram-no-brasil\/","title":{"rendered":"Da Rep\u00fablica ao golpismo, s\u00f3 tr\u00eas presidentes se reelegeram no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Diz o ditado que nenhum homem deve ser venerado, visto como um Deus. Concordo, mas, olhando pelo retrovisor, dois presidentes do Brasil, entre as 39 presid\u00eancias desde a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em novembro de 1935, jamais ser\u00e3o esquecidos. Get\u00falio Vargas, o Pai dos Pobres, e Juscelino Kubitschek, o Presidente Bossa Nova, ainda hoje habitam o imagin\u00e1rio dos brasileiros mais velhos. Lembran\u00e7as remotas, mas que n\u00e3o se apagam. Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, em 1985, o Brasil teve nove presidentes de perfis, tipos, marcas e modelos variados. Um morreu sem a faixa. Desses, somente tr\u00eas tiveram \u00eaxito na empreitada da reelei\u00e7\u00e3o. Um deles chegou l\u00e1 tr\u00eas vezes.<\/p>\n<p>Dois sentiram na pele as dores do impeachment, inven\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da pol\u00edtica que alivia, acalma e dilacera cora\u00e7\u00f5es. Gente boa, o primeiro dos nove chegou \u201ccomo quem vem do florista. Trouxe um bicho de pel\u00facia&#8221;, mas morreu na praia e at\u00e9 hoje vive tentando apagar o fogo de seus marimbondos. Talvez a culpa n\u00e3o tenha sido s\u00f3 dele. Decano dos ex-presidentes vivos, n\u00e3o surgiu do nada, mas pegou o barco cheio de rachaduras. Por essa raz\u00e3o, apesar das viagens e das vantagens que ele tinha, nadou, nadou e naufragou. Na \u00e9poca, mesmo desencontrado, o povo estava bem armado e, assustado, lhe disse n\u00e3o. O segundo escondeu o passado, mostrou o rel\u00f3gio de ouro, o broche de ametista e acabou cassado pelas pr\u00f3prias m\u00e3os sem calos dos maraj\u00e1s incans\u00e1veis (?).<\/p>\n<p>Experimentou do veneno que havia sugerido antes de ser eleito. De nada adiantou ter na retaguarda uma czarina que enganou meio mundo dizendo que entendia tudo de economia. Perdemos a raz\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o e o dinheiro. Simp\u00e1tico, bonach\u00e3o, franco e topetudo, o terceiro n\u00e3o negava nada a ningu\u00e9m. Arranhou cora\u00e7\u00f5es femininos e acabou ferido por uma barata cascuda em um desfile de carnaval. Sofreu, mas foi honesto ao recuperar o Fusca e tornar clara sua avers\u00e3o \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia. Embora ainda n\u00e3o existissem efetivamente, os \u201cmemes\u201d virtuais viraram moda nos blocos carnavalescos da Capital da Rep\u00fablica. Como a Teresinha de Chico Buarque, sofreu calado, mas se quedou defronte ao pr\u00e9dio que o fez popular e imortal: o Pal\u00e1cio da Liberdade, sede do governo de Minhas Gerais.<\/p>\n<p>O terceiro j\u00e1 estava aboletado na Presid\u00eancia. Ou seja, conhecia todas as gavetas do Pal\u00e1cio do Planalto. Ningu\u00e9m entendia o que ele queria, mas, p\u00f3s-graduado na pol\u00edtica do agrado aos perdidos, transformou em Real o que j\u00e1 estava semi-pronto, gastou fortunas na proposta de reelei\u00e7\u00e3o e se instalou como um posseiro no cora\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de brasileiros, inclusive no meu. Foi o primeiro a conquistar o segundo mandato. Fez o que pode, mas degenerou-se. Ap\u00f3s competir, competir e competir, o quarto chegou \u201ccomo quem chega do bar\u201d. \u201cTrouxe um litro de aguardente\u201d, incomodou (e incomoda) a elite mal-mada, agradou lordes e rainhas ao redor do mundo e \u00e9 recordista em elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Gostem ou n\u00e3o, o malvad\u00e3o Tik-Tok de Garanhuns j\u00e1 est\u00e1 na terceira encarna\u00e7\u00e3o. Perd\u00e3o pelo trocadalho, mas, se n\u00e3o morrer antes, alcan\u00e7a a quarta vida. Primeira e \u00fanica mulher na Presid\u00eancia desde o Imp\u00e9rio, a que atendia pelos codinomes de Vanda e Iolanda (em homenagem \u00e0 mulher do ent\u00e3o presidente Costa e Silva), foi a s\u00e9tima no peda\u00e7o presidencial. Se reelegeu, mas maculou o vern\u00e1culo e terminou como o ca\u00e7ador de maraj\u00e1s. Perdeu o lojinha para um liban\u00eas travestido de paulista, que chegou ao Planalto sem ser eleito diretamente para o cargo. Em outras palavras, ganhou sem ter voto algum. Preso, solto, escafedeu-se. Sumiu na poeira do Deserto de Saara<\/p>\n<p>Sorrateiro e muito amargo de tragar, o oitavo chegou e saiu sem nada perguntar. Negou tudo, n\u00e3o apresentou nada, n\u00e3o trouxe nada e nada entregou. Em s\u00edntese, foi um nada, algo como uma lenda, um mito do tipo Curupira, Boitat\u00e1 e Lobisomem. Mentiu, perdeu as medalhas de oficial, espalhou o estrume da boiada por todo o pa\u00eds, chafurdou na lama do golpismo, armou seus seguidores, encheu-se de joias das Ar\u00e1bias, se imaginou um rei, orou com falsos profetas e, assim como diz aos traidores e vendilh\u00f5es da p\u00e1tria, o povo unido tamb\u00e9m lhe disse n\u00e3o. Se n\u00e3o for aquele que j\u00e1 \u00e9, que o pr\u00f3ximo pelo menos saiba onde e em quem est\u00e1 pisando.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz o ditado que nenhum homem deve ser venerado, visto como um Deus. Concordo, mas, olhando pelo retrovisor, dois presidentes do Brasil, entre as 39 presid\u00eancias desde a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em novembro de 1935, jamais ser\u00e3o esquecidos. Get\u00falio Vargas, o Pai dos Pobres, e Juscelino Kubitschek, o Presidente Bossa Nova, ainda hoje habitam o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":351757,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-354503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=354503"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":354504,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354503\/revisions\/354504"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/351757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=354503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=354503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=354503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}