{"id":355381,"date":"2025-06-07T13:34:32","date_gmt":"2025-06-07T16:34:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=355381"},"modified":"2025-06-07T13:34:32","modified_gmt":"2025-06-07T16:34:32","slug":"com-intolerancia-em-queda-brasil-ve-crescer-centros-de-umbanda-e-candomble","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/com-intolerancia-em-queda-brasil-ve-crescer-centros-de-umbanda-e-candomble\/","title":{"rendered":"Com intoler\u00e2ncia em queda, Brasil v\u00ea crescer centros de umbanda e candombl\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de adeptos de religi\u00f5es afro-brasileiras, como umbanda e candombl\u00e9, no Brasil, deu um salto e mais que triplicou em dez anos. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do Censo Demogr\u00e1fico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (6), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>De acordo com as estat\u00edsticas, apesar de o pa\u00eds ainda ter uma maioria de cat\u00f3licos, que s\u00e3o 56,7% dos religiosos no Brasil, os adeptos da umbanda e do candombl\u00e9 cresceram de 03% para 1% da popula\u00e7\u00e3o, totalizando 1.849 milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>Para os especialistas, o aumento reflete a\u00e7\u00f5es de valoriza\u00e7\u00e3o da identidade afro-brasileira, que trouxeram visibilidade positiva para essas religi\u00f5es e ajudaram a enfrentar estigmas, preconceito e o racismo religioso, que passa pela deprecia\u00e7\u00e3o de elementos da identidade e da cultura negra.<\/p>\n<p>&#8220;Nos censos anteriores, os religiosos de matriz africana se identificavam como cat\u00f3licos, pois, os adeptos afro t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o com o catolicismo; e outro setor, normalmente, os umbandistas, se identificavam como esp\u00edritas, dois segmentos com decr\u00e9scimo neste \u00faltimo levantamento&#8221;, destacou o Babala\u00f4 Ivanir dos Santos, que \u00e9 tamb\u00e9m professor doutor do Programa de Hist\u00f3ria Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Ainda assim, segundo ele, h\u00e1 liga\u00e7\u00f5es estreitas de manifesta\u00e7\u00f5es da cultura afro com o catolicismo, sugerindo que h\u00e1 mais adeptos de religi\u00f5es, mas que hoje ainda se identificam como cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma dupla perten\u00e7a, temos rituais da igreja [cat\u00f3lica] que poder\u00edamos chamar de afro, como as congadas e cavalgadas. Ent\u00e3o o pa\u00eds tem um grande percentual de afro-cat\u00f3licos, como eu chamo, por serem ligados \u00e0 espiritualidade negra&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>De 2010 para 2022, entre os adeptos da umbanda e do candombl\u00e9, houve aumento proporcional em todas as faixas et\u00e1rias, com crescimento de 21,9% para 25,9% na faixa mais jovem, de 10 a 24 anos, e entre a faixa intermedi\u00e1ria, de 30 a 49 anos, de 35% para 40%. O aumento entre os jovens foi comemorado por Ivanir, como resultado de um trabalho de anos.<\/p>\n<p>&#8220;Com o passar do tempo, a luta contra a intoler\u00e2ncia, com mais visibilidade positiva para as nossas tradi\u00e7\u00f5es, apesar de toda a persegui\u00e7\u00e3o, jovens t\u00eam crescido, eles n\u00e3o s\u00f3 se identificam como afro, como saem na rua paramentados. Esse \u00e9 um resultado bastante positivo da realiza\u00e7\u00e3o de festivais e caminhadas contra a intoler\u00e2ncia religiosa&#8221;, frisou o professor, que \u00e9 tamb\u00e9m e Interlocutor da Comiss\u00e3o de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa, uma organiza\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica da sociedade civil<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a mesma opini\u00e3o da professora Christina Vital, do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia da Universidade Federal Fluminense. Para ela, o resultado do Censo de 2022 espelha campanhas iniciadas h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Os afro religiosos eram 0,3% nos anos 2000. Dez anos depois, o n\u00famero n\u00e3o mudou, em 2010. Ou seja, as campanhas que come\u00e7aram no in\u00edcio do s\u00e9culo 21 n\u00e3o repercutiram no Censo de 2010, mas repercutiram agora neste Censo&#8221;.<\/p>\n<p>A professora Cristina tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para o n\u00famero de pessoas pretas e pardas, os chamados negros, segundo conven\u00e7\u00e3o do IBGE, entre os cat\u00f3licos e evang\u00e9licos, sendo os pardos maioria (49,1%) entre os pentecostais. Entre os umbandistas e candomblecistas, pessoas brancas (42,7%) e pardas (26,3%) s\u00e3o maioria dos religiosos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao total de pessoas pretas na popula\u00e7\u00e3o, 2,3% s\u00e3o de religi\u00f5es afro, refor\u00e7ando a identidade racial, na avalia\u00e7\u00e3o de Vital.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma consci\u00eancia racial bastante significativa nesse grupo. Os n\u00fameros deixam isso claro e este dado \u00e9 importante porque mostra a import\u00e2ncia das campanhas de autodeclara\u00e7\u00e3o&#8221;, refor\u00e7ou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de adeptos de religi\u00f5es afro-brasileiras, como umbanda e candombl\u00e9, no Brasil, deu um salto e mais que triplicou em dez anos. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do Censo Demogr\u00e1fico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (6), no Rio de Janeiro. 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