{"id":355519,"date":"2025-06-09T00:00:37","date_gmt":"2025-06-09T03:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=355519"},"modified":"2025-06-08T22:17:36","modified_gmt":"2025-06-09T01:17:36","slug":"manifestantes-realizam-protesto-contra-o-pl-da-devastacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/manifestantes-realizam-protesto-contra-o-pl-da-devastacao\/","title":{"rendered":"Manifestantes realizam protesto contra o PL da Devasta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Centenas de pessoas foram \u00e0s ruas neste fim de semana na Marcha pelo Clima, em S\u00e3o Paulo. Os manifestantes partiram do Museu de Arte de S\u00e3o Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e seguiram at\u00e9 a Favela do Moinho, que recentemente foi palco de atos de repress\u00e3o por parte de agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica, com tentativas de remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de moradores.<\/p>\n<p>A principal pauta que motivou o protesto foi a aprova\u00e7\u00e3o, no Senado Federal, na pen\u00faltima semana de maio, do Projeto de Lei (PL) 2.159\/2021, que estabelece um novo marco legal para o licenciamento ambiental no Brasil. O texto, que tramitou durante mais de duas d\u00e9cadas no Congresso Nacional, foi aprovado na Casa com 54 votos favor\u00e1veis e 13 contr\u00e1rios, e acende um alerta vermelho para ambientalistas pelo fato de relaxar regras em diversos cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>O PL, por exemplo, faz com que os \u00f3rg\u00e3os competentes deixem de exigir licenciamento ambiental para liberar atividades que supostamente n\u00e3o ofere\u00e7am risco ambiental e as executadas sob a justificativa de serem uma quest\u00e3o de soberania nacional ou de calamidade p\u00fablica. Tamb\u00e9m ficam dispensados de licenciamento empreendimentos agropecu\u00e1rios para cultivo de esp\u00e9cies de interesse agr\u00edcola, al\u00e9m de pecu\u00e1ria extensiva, semi-intensiva e intensiva de pequeno porte. A ministra do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, Marina Silva, classificou a proposta aprovada de inconstitucional.<\/p>\n<p>No protesto da capital paulista, manifestantes caminhavam agitando bandeiras com frases como &#8220;N\u00e3o tem planeta B&#8221; e sob o som de palavras de ordem a exemplo de &#8220;Eu nunca vi, eu quero ver a reforma agr\u00e1ria no Brasil acontecer&#8221;. Em um dos discursos, uma das l\u00edderes participantes do ato afirmou que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 mais o que fazer sen\u00e3o parar o aquecimento global&#8221;.<\/p>\n<p>Outra lideran\u00e7a lembrou a trag\u00e9dia desencadeada por conta das opera\u00e7\u00f5es da empresa Braskem em Macei\u00f3 e o papel do agroneg\u00f3cio, enfatizado por ela como &#8220;totalmente destrutivo, irrespons\u00e1vel e ligado \u00e0 maior bancada do Congresso Nacional&#8221;. A Braskem levou diversos bairros da capital alagoana ao limite, provocando sua evacua\u00e7\u00e3o, como resultado da extra\u00e7\u00e3o de sal-gema nesses locais, caso grave que gerou grande repercuss\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o parlamentar de inqu\u00e9rito (CPI) no Senado.<\/p>\n<p>Para a covereadora Nathalia Santana, integrante da bancada feminista, o texto, que ficou conhecido como PL da Devasta\u00e7\u00e3o, pelas consequ\u00eancias que \u00e9 capaz de provocar, evidencia o negacionismo clim\u00e1tico presente no Senado e na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>&#8220;O PL vai colocar em risco todas as popula\u00e7\u00f5es urbanas e rurais, incluindo popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, quilombolas. \u00c9 importante destacar a zona urbana no debate sobre a proposta para a gente conseguir popularizar a pauta ambiental e conectar a devasta\u00e7\u00e3o com a vida real das pessoas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Uma pesquisa recente mostra que a principal forma de as pessoas confirmarem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o de seu impacto no dia a dia.<\/p>\n<p>&#8220;Porque significa que as favelas v\u00e3o ficar mais quentes, a gente vai ter os nossos territ\u00f3rios e a nossa \u00e1gua contaminados, vai ter mais escassez h\u00eddrica nas favelas. Ent\u00e3o, a gente precisa falar na linguagem do povo, sem palavras academicistas e que est\u00e3o na boca dessa luta ambientalista que, por muitas vezes, acaba sendo classista e branca, n\u00e3o colocando a perspectiva de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a no debate&#8221;, complementou Nathalia Santana, que \u00e9 engenheira ambiental e negra.<\/p>\n<p>&#8220;A marcha \u00e9 um grito de urg\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 pelo futuro como pelo presente&#8221;, sintetizou ao microfone a deputada federal S\u00e2mia Bomfim (PSOL-SP).<\/p>\n<p>A aposentada e ativista Sol Teixeira, que atua hoje nas articula\u00e7\u00f5es do Movimento Nacional pelo Fim da Exporta\u00e7\u00e3o de Animais Vivos, chama a aten\u00e7\u00e3o para a explora\u00e7\u00e3o de animais, elemento que faz parte do agroneg\u00f3cio, e para a necessidade de os direitos dos animais tamb\u00e9m serem tratado com seriedade, assim como os direitos humanos.<\/p>\n<p>Para ilustrar a tortura a que se sujeitam bovinos, ela ressalta os que s\u00e3o enviados ao exterior e s\u00e3o submetidos a choques el\u00e9tricos e outras formas de controle pela dor, ficando confinados em embarca\u00e7\u00f5es, em situa\u00e7\u00e3o insalubre e cruel. Muitos deles, menciona, sofrem fraturas, feridas infeccionadas e sobrevivem, at\u00e9 chegar ao destino, em meio a fezes, enquanto outros n\u00e3o resistem e morrem no percurso.<\/p>\n<p>&#8220;Na verdade, quem enriquece? Os pecuaristas, um grupo muito pequeno. E, se a gente for fazendo todo um desdobramento, os pastos, a monocultura, o veneno [agrot\u00f3xicos], a gente chega \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centenas de pessoas foram \u00e0s ruas neste fim de semana na Marcha pelo Clima, em S\u00e3o Paulo. 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