{"id":355799,"date":"2025-06-13T09:27:32","date_gmt":"2025-06-13T12:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=355799"},"modified":"2025-06-13T09:49:25","modified_gmt":"2025-06-13T12:49:25","slug":"a-historia-de-camila-a-garota-da-rua-perto-do-hotel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-historia-de-camila-a-garota-da-rua-perto-do-hotel\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de Camila, a garota de rua\u00a0que comove"},"content":{"rendered":"<p>Na rua do hotel em que me hospedava sempre que ia \u00e0 trabalho \u00e0quela cidade, as neninas desfilavan todas as noites at\u00e9 altas horas da madrugada. Algumas mais jovens, mais bonitas e bem arrumadas do que outras, mas havia garotas para todos os gostos. Elas se insinuavam a todos que passavam. Muitos frequentavam o lugar com o objetivo de arrumar uma acompanhante para a noite.<\/p>\n<p>Como a sede da empresa ficava bem pr\u00f3xima, ao final da jornada de trabalho di\u00e1ria, voltava para o hotel caminhando. Invariavelmente, ao passar por l\u00e1, era abordado por algumas delas. Sem ser indelicado, sempre recusava suas companhias; cansado do trabalho, queria mais era me recolher o quanto antes, pois no dia seguinte precisaria retomar minha rotina bem cedo. Al\u00e9m do mais, n\u00e3o sou afeito a esse tipo de divertimento, as poucas vezes que me aventurei, achei uma coisa bem insossa e mec\u00e2nica: a mo\u00e7a, ap\u00f3s consumar o ato, pega o dinheiro, vai embora, e nem se quer se despede; e voc\u00ea fica olhando para as paredes&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que de tanto passar por elas, me afei\u00e7oei a algumas, em especial, uma loirinha muito bonita e simp\u00e1tica, aparentando seus trinta e poucos anos. Muito graciosa, sempre vinha ao meu encontro. Parecia mesmo ter gostado de mim, para al\u00e9m do interesse comercial, digamos. Troc\u00e1vamos algumas palavras, ela sempre muito bem-humorada, brincava comigo de forma maliciosa e provocativa, mas nunca passou disso.<\/p>\n<p>Um dia, por\u00e9m, quando me aproximava, ela veio a meu encontro em um tom diferente, me pedindo para lhe pagar um lanche no trailer estacionado todas as noites pr\u00f3ximo \u00e0 esquina. Estava com muita fome, pois havia sa\u00eddo de casa somente com o dinheiro da condu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tinha conseguido nenhum cliente at\u00e9 aquele hor\u00e1rio, j\u00e1 eram 9 da noite. Obviamente, n\u00e3o pude recusar aquele pedido. Ela me agradeceu muito, disse que estava \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o e me entregou um cart\u00e3ozinho.<\/p>\n<p>Despedi-me dela, guardei o cart\u00e3ozinho no bolso da camisa, sem prestar aten\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado e dirigi-me rapidamente ao hotel. Diferentemente de outros dias, em que preferia ir para o quarto, tomar uma bebida, um banho relaxante e somente depois o jantar, fui direto ao restaurante, pois tamb\u00e9m estava com muita fome. Depois de tomar meu tradicional caf\u00e9 \u201cespresso\u201d trazido pelo gar\u00e7om sem que precisasse pedir, subi para o quarto e tomei meu banho noturno para relaxar e embalar o sono.<\/p>\n<p>Quando peguei a camisa usada durante aquele dia, para coloc\u00e1-la no envelope da lavanderia, lembrei-me do cart\u00e3ozinho no bolso. Era um pequeno peda\u00e7o de cartolina cor-de-rosa, recortado em forma de cora\u00e7\u00e3o e perfumado. Nele se lia: \u201cCAMILA \u2013 ACOMPANHANTE\u201d, abaixo, o n\u00famero de um celular. No verso uma frase: \u201cME CHAMA, VOC\u00ca N\u00c3O VAI SE ARREPENDER\u201d. Coloquei-o sobre a mesa de cabeceira e continuei o que estava fazendo.<\/p>\n<p>Conclu\u00eddo o ritual de todas as noites, deitei-me e me dei conta de que estava sem sono. Peguei o controle da TV, mas pensei: meu time n\u00e3o joga hoje e n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro jogo interessante para se ver: a \u00fanica coisa que me anima a ligar o aparelho televisivo, hoje em dia, \u00e9 o futebol. Recoloquei o controle remoto na mesa, acendi a luz da cabeceira e peguei novamente cart\u00e3ozinho. Cheirei-o, o perfume era mesmo sensual, e li novamente: \u201cCAMILA\u201d. Puxa, nem havia perguntado seu nome, tampouco me apresentei.<\/p>\n<p>Fato era que eu estava pensando na linda loirinha, com seu vestidinho preto, \u201cdiscretamente deselegante\u201d, como diz o poeta. Me dei conta de que o pensamento nela era o respons\u00e1vel pela minha moment\u00e2nea ins\u00f4nia. Sem parar para pensar, peguei o celular e liguei para o n\u00famero do cart\u00e3ozinho. Do outro lado uma voz doce e melodiosa:<\/p>\n<p>&#8211; Boa noite, amor! Me diga onde voc\u00ea est\u00e1 e eu vou at\u00e9 a\u00ed realizar seus desejos!<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o sabia com quem estava falando, mas s\u00f3 poderia ser algu\u00e9m interessado nos seus servi\u00e7os, pois as meninas da rua, obviamente, possuem um n\u00famero exclusivo para o trabalho e somente o fornecem aos potenciais clientes. \u01eauando n\u00e3o est\u00e3o na luta, deixam-no desligado.<\/p>\n<p>Perguntei quanto cobrava. Ela falou. Achei o pre\u00e7o bem razo\u00e1vel e passei minha localiza\u00e7\u00e3o. Ela ent\u00e3o disse:<\/p>\n<p>&#8211; \u01eaue bom, amor! Esse hotel \u00e9 um dos mais \u201camig\u00e1veis\u201d, deixam a gente entrar sem complicar, alguns barram nossa entrada e s\u00f3 liberam \u00e0 base de uma caixinha. Em um minuto estarei a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>Tive a impress\u00e3o de que em apenas alguns segundos bateu \u00e0 porta. Abri e pude olhar bem para ela. Era mesmo muito linda, embora, dava pra ver pela raiz dos cabelos crescendo que n\u00e3o era loura aut\u00eantica. Outra constata\u00e7\u00e3o: talvez fosse um pouco mais velha. Mas nada disso tirava dela o encanto&#8230;<\/p>\n<p>Fizemos o que devia ser feito. Ela sempre gentil e sensual, perguntou se podia tomar um banho. Claro, consenti!<\/p>\n<p>Ela, ap\u00f3s pegar o dinheiro, se demorou mais um pouco. Perguntou meu nome, de onde eu vinha, se era casado, se estava na cidade a passeio ou a trabalho, enfim, tive mesmo a sensa\u00e7\u00e3o de que estava interessada em me conhecer melhor. Depois de alguns minutos, se despediu educadamente, me agradecendo e se colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para outras vezes.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que, se j\u00e1 tinha me simpatizado com Camila, sem mesmo saber seu nome, depois daquela noite, ne cativou definitivamente, a ponto de eu me acostumar com sua companhia. Ficava com ela pelo menos uma vez durante minha estada quando retornava \u00e0 cidade. Passamos a conversar e nos conhecermos melhor nos minutos em que permanecia no meu apartamento ap\u00f3s prestar seus servi\u00e7os, afinal, precisava voltar \u00e0 rua, pois a vida n\u00e3o estava ganha.<\/p>\n<p>Uma certa noite, por\u00e9m, diferentemente do usual, perguntou-me se podia se demorar mais um pouco comigo. Disse estar muito cansada por ter tido um dia muito agitado com uma s\u00e9rie de quest\u00f5es pessoais a resolver, impedindo-a de dormir o suficiente ap\u00f3s chegar do trabalho, alta madrugada.<\/p>\n<p>Ficamos mais de duas horas conversando sobre a vida e at\u00e9 fizemos sexo mais uma vez. Falei un pouco sobre neu trabalho. Falei dos filhos e de alguns planos. Mas n\u00e3o me alonguei demais. Deixei-a falar sobre si. Ela queria confidenciar suas aventuras e desabafar um pouco seus problemas e ang\u00fastias.<\/p>\n<p>Disse-me que nascera em um pequeno munic\u00edpio rural no interior de Minas Gerais e trabalhara na ro\u00e7a at\u00e9 o in\u00edcio da idade adulta. Levantava-se \u00e0s 4 da manh\u00e3, pegava um caminh\u00e3o de boias-frias, junto com seus pais e cinco irm\u00e3os, e iam todos para a planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. A labuta s\u00f3 parava nos r\u00e1pidos intervalos para alimenta\u00e7\u00e3o, feita ali mesmo no meio da lavora, e terminava \u00e0s 5 da tarde. Exaustos, voltavam para a casa no mesmo caminh\u00e3o, jantavam e por volta das 7 da noite j\u00e1 estavam dormindo.<\/p>\n<p>Quando completou 18 anos, saiu de casa para tentar a vida na cidade grande. Chegando l\u00e1, por interm\u00e9dio de uma empresa de contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra, foi trabalhar como empregada dom\u00e9stica num apartamento de alto luxo onde residia um rapaz solteiro dos seus 30 anos, chamado Beto, bem estabelecido profissional e socialmente.<\/p>\n<p>J\u00e1 no primeiro dia, apesar de sua apar\u00eancia simpl\u00f3ria, tanto no comportamento quanto na vestimenta e no modo caipira de falar, mas muito perspicaz e desconfiada; com todo seu carisma, beleza, educa\u00e7\u00e3o e sensualidade, percebeu o olhar interessado de seu novo patr\u00e3o. Embora tenha se assustado um pouco com essa percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recusou o trabalho, pois a remunera\u00e7\u00e3o era muito boa, o local era excelente e havia um espa\u00e7o amplo na \u00e1rea de servi\u00e7o, onde ficavam as depend\u00eancias de empregada que pareciam garantir sua privacidade.<\/p>\n<p>Pela manh\u00e3, o \u00fanico contato entre os dois era no caf\u00e9 da manh\u00e3, servido por ela, pontualmente \u00e0s 8, ficava por perto, caso ele desejasse mais alguma coisa. Ap\u00f3s isso, Beto saia para o trabalho e s\u00f3 voltava \u00e0 noite para o jantar. Mas, muitas vezes, n\u00e3o o via chegar, pois a avisava que teria algum com promisso fora e a dispensava do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando chegou do interior desde as Minas Gerais, ela era praticamente analfabeta, mal sabia reconhecer algumas silabas e escrever o pr\u00f3prio nome. Mas, com grande for\u00e7a de vontade, matriculou-se em uma escola de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia e conseguiu concluir o ensino fundamental no EJA. Chegou a se matricular na mesma escola para realizar o ensino m\u00e9dio, mas antes de concluir o primeiro semestre, sua vida deu uma guinada de 180\u00b0. Para explicar o acontecido, entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio voltarmos um pouco nos fatos contados por ela naquela noite.<\/p>\n<p>Embora os primeiros meses de trabalho tenham transcorrido de forma bem tranquila, depois de algum tempo as coisas come\u00e7aram a fugir do controle. Ou seja, aquele suposto interesse da parte de Beto, intu\u00eddo por ela no dia em que se conheceram, come\u00e7ou a se manifestar novamente e de forma mais intensa.<\/p>\n<p>Ela, na sua inexperi\u00eancia e principalmente humildade, n\u00e3o sabia como agir. Tentava se esquivar, mas n\u00e3o conseguia. No fundo, sentia-se tentada a ceder. Afinal, o rapaz era muito atraente: jovem, bonito, bem-educado e gentil; n\u00e3o que tivesse interesse no dinheiro dele, que, embora n\u00e3o fosse rico, pertencia \u00e0 classe m\u00e9dia alta; mas isso a intimidava e aumentava o poder que exercia sobre ela.<\/p>\n<p>Da\u00ed a se envolverem, n\u00e3o tardou. Logo estava em seus bra\u00e7os, e pior, completamente apaixonada. Acreditava ser paix\u00e3o rec\u00edproca, mas disso nunca teve certeza.<\/p>\n<p>Ele passou a chegar mais cedo em casa com maior frequ\u00eancia e fazia quest\u00e3o de que Camila se sentasse \u00e0 mesa e jantassem juntos, em clima rom\u00e2ntico, com velas e tudo o que tinham direito. Depois iam para o quarto de Beto. Ap\u00f3s o ato de amor, no entanto, dizia a ela para retornar aos aposentos de empregada, pois n\u00e3o deviam misturar a rela\u00e7\u00e3o amorosa com a de emprego.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil suspeitar que alguma consequ\u00eancia adviria dessa rela\u00e7\u00e3o pouco usual. E foi o que aconteceu: n\u00e3o demorou para Camila engravidar. Beto insistiu para ela fazer um aborto, afirmando conhecer uma cl\u00ednica muito boa na qual poderia fazer o procedimento com toda a seguran\u00e7a; ele arcaria com a despesa. Mas Camila n\u00e3o concordou, disse que aquilo ia contra seus princ\u00edpios, afinal, tinha sido educada pelos pais na religi\u00e3o crist\u00e3, al\u00e9m do mais, nunca havia feito algo de forma clandestina.<\/p>\n<p>Assim, a gesta\u00e7\u00e3o teve continuidade. Apesar da contrariedade, Beto n\u00e3o alterou seu comportamento, continuou a trat\u00e1-la de forma carinhosa e o romance continuou. Custeou o acompanhamento pr\u00e9-natal, parecia at\u00e9 estar curtindo o advento do primeiro filho. No entanto, a contradi\u00e7\u00e3o persistia, ao mesmo tempo em que dava demonstra\u00e7\u00f5es de estar envolvido com ela e com toda a situa\u00e7\u00e3o, a mantinha separada em seu quarto de empregada dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Quando Camila deu \u00e0 luz, assumiu a paternidade e se responsabilizou pelo sustento, mas n\u00e3o se envolveu afetivamente com o menino e manteve a pr\u00e1tica, incluindo agora a crian\u00e7a morando junto da m\u00e3e. Foi nesse momento, com a necessidade de criar o filho, al\u00e9m da casa e do patr\u00e3o, em que ela abandonou os estudos.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre os dois teve continuidade e Camila n\u00e3o tardou em engravidar novamente. O enredo se repetiu: o comportamento de Beto foi id\u00eantico \u00e0 primeira vez. Cuidou para que tudo corresse bem com ela durante a gesta\u00e7\u00e3o e assumiu a crian\u00e7a quando nasceu, dessa vez uma menina. Agora eram tr\u00eas morando nas depend\u00eancias de empregada.<\/p>\n<p>Quando as crian\u00e7as estavam com tr\u00eas e dois anos, a situa\u00e7\u00e3o se alterou radicalmente. Beto passou a tratar Camila friamente e a demonstrar desinteresse. N\u00e3o fazia mais quest\u00e3o de t\u00ea-la junto no jantar e as noites de amor eram cada vez mais raras. Manteve, no entanto, o sustento e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades materiais da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Uma certa noite, ao chegar em casa, procurou por ela dizendo que precisavam conversar seriamente: teria de dispens\u00e1-la do servi\u00e7o. Havia alugado uma pequena quitinete mobiliada para ela se mudar j\u00e1 no dia seguinte e apresentou a minuta de um termo de responsabilidade, preparada por seu advogado, assumindo o compromisso de uma pequena pens\u00e3o aliment\u00edcia para os filhos.<\/p>\n<p>O documento previa ainda o pagamento de uma boa indeniza\u00e7\u00e3o, suficiente para sustent\u00e1-la at\u00e9 arrumar um novo emprego. Ela deveria assinar, dando ampla e irrestrita quita\u00e7\u00e3o de toda e qualquer pend\u00eancia por eventuais responsabilidades trabalhistas. Beto estava apaixonado por uma outra mulher e pretendia lev\u00e1-la para morar junto dele. Camila teria de desparecer e eles nunca mais poderiam se ver. A nova namorada n\u00e3o poderia jamais desconfiar da exist\u00eancia dela e, principalmente, que eles tinham dois filhos.<\/p>\n<p>Camila perdeu o ch\u00e3o. Sonhava com o dia em que ele a pediria em casamento e assumiria integralmente a fam\u00edlia. Imaginava ele, um dia, com a maturidade, se transformando em un pai de verdade para seus filhos. Entrou em depress\u00e3o profunda e s\u00f3 se segurou porque n\u00e3o poderia largar duas crian\u00e7as pequenas sem prote\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tinha \u00e2nimo para procurar um novo emprego.<\/p>\n<p>Ser empregada dom\u00e9stica nunca foi o que desejou para si, embora fosse a \u00fanica coisa que aprendeu a fazer na cidade. Quando trabalhava na casa de Beto tinha dois est\u00edmulos que compensavam a insatisfa\u00e7\u00e3o com o tipo de emprego: o bom sal\u00e1rio e a rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o patr\u00e3o. Sabia que n\u00e3o conseguiria novamente nenhuma das duas coisas, bom sal\u00e1rio e amor.<\/p>\n<p>Foi quando uma amiga lhe apresentou a \u201cprofiss\u00e3o das ruas\u201d. Da mesma forma, n\u00e3o era com o que sonhara para sua vida, mas os ganhos compensavam, davam para garantir o sustento das crian\u00e7as e ainda para guardar um bom dinheiro para o futuro da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O menino, Thomaz, j\u00e1 estava com 11 anos e Beatriz, com 10, ambos no ensino fundamental. Bem protegidos e alimentados. Inclusive j\u00e1 estava quase conseguindo comprar \u00e0 vista seu pr\u00f3prio apartamento. Apesar da apar\u00eancia 10 anos mais velha, consequ\u00eancia da vida dif\u00edcil que teve desde crian\u00e7a, Camila, na verdade, iria completar 30, mas, mesmo desgastada pelas agruras de sua hist\u00f3ria, continuava bela e encantadora.<\/p>\n<p>Acalentava, ainda, mais um sonho, encontrar um bom homem que a amasse de verdade e que quisesse se casar com ela, mesmo conhecendo seu passado, pois jamais mentiria para ele. Nesse dia, abandonaria a profiss\u00e3o, mesmo que ele n\u00e3o tivesse una boa renda, pois o dinheiro guardado por ela seria suficiente para montarem um neg\u00f3cio pr\u00f3prio para sustentar os filhos e, quando estes estivessem criados, a velhice de ambos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Camila me comoveu profundamente. Embora sempre a tenha tratado com respeito, a partir daquele dia passei a admir\u00e1-la ainda mais e nos tornamos ainda melhores amigos. Continuamos a nos encontrar e ela n\u00e3o queria mais me cobrar por seus servi\u00e7os, o que nunca aceitei. J\u00e1 faz alguns meses que retorno \u00e0 cidade a trabalho e n\u00e3o a encontro. Sinto muito sua falta. Mas acredito que finalmente tenha encontrado seu parceiro de estrada e abandonado a vida das ruas, como planejou.<\/p>\n<p>Tor\u00e7o muito para que isso seja verdade, apesar de saber que nunca mais a verei. Guardo at\u00e9 hoje, no fundo da carteira, o cart\u00e3ozinho cor-de-rosa, ainda resta nele um resqu\u00edcio esmaecido daquele perfume sensual. Ao ler a frase no verso, penso comigo: \u201cnunca vou me arrepender!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na rua do hotel em que me hospedava sempre que ia \u00e0 trabalho \u00e0quela cidade, as neninas desfilavan todas as noites at\u00e9 altas horas da madrugada. Algumas mais jovens, mais bonitas e bem arrumadas do que outras, mas havia garotas para todos os gostos. Elas se insinuavam a todos que passavam. 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