{"id":355930,"date":"2025-06-16T08:44:04","date_gmt":"2025-06-16T11:44:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=355930"},"modified":"2025-06-16T08:44:04","modified_gmt":"2025-06-16T11:44:04","slug":"festas-juninas-misturam-devocao-comidas-e-dancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/festas-juninas-misturam-devocao-comidas-e-dancas\/","title":{"rendered":"Festas juninas misturam devo\u00e7\u00e3o, comidas e dan\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>As tradicionais festas juninas brasileiras nasceram na Europa cat\u00f3lica e foram introduzidas no pa\u00eds pelos portugueses durante o per\u00edodo colonial, celebrando as solenidades cat\u00f3licas de Santo Ant\u00f4nio, S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo. Com fogueira, quermesse e quadrilha, as festas trazem afetividade, ensinamentos religiosos e narrativas que atravessam s\u00e9culos de hist\u00f3ria popular.<\/p>\n<p>Segundo a doutora em Teologia e professora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR) Ana Beatriz Dias Pinto, no Brasil, mais do que datas lit\u00fargicas, s\u00e3o experi\u00eancias coletivas que misturam devo\u00e7\u00e3o, comida, dan\u00e7a e mem\u00f3ria afetiva.<\/p>\n<p>\u201cCada arraial, cada fogueira acesa e cada simpatia feita com f\u00e9 expressam uma catequese viva, transmitida n\u00e3o por livros, mas por gestos, sabores e ritmos que fazem universo de sentidos para a religiosidade popular e dizem muito sobre nossa cultura\u201d, diz.<\/p>\n<p>A professora, explica que a tradi\u00e7\u00e3o da fogueira vem de um acordo entre Isabel e Maria, primas gr\u00e1vidas. Elas combinaram que, quando Jo\u00e3o nascesse, Isabel acenderia uma fogueira para avisar Maria. &#8220;Assim surgiu o sinal, que se acende at\u00e9 hoje em cada quermesse do Brasil para celebrar o nascimento do \u00fanico santo festejado no dia em que nasceu, e n\u00e3o no dia da morte&#8221;.<\/p>\n<p>A fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o representa a luz da vida para os momentos de escurid\u00e3o, a expectativa de exteriorizar e queimar pelo fogo tudo aquilo que tira a alegria da vida, explica professora. H\u00e1 ainda o ato de pular a fogueira, que representa purifica\u00e7\u00e3o, renascimento, desejo realizado.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, isso se popularizou ao ponto de virar a cantiga Pula a fogueira, ioi\u00f4. Esse gesto \u00e9 arqu\u00e9tipo de purifica\u00e7\u00e3o, de queimar energias e experi\u00eancias negativas, reduzindo a cinzas o que n\u00e3o \u00e9 bom para a vida&#8221;, .<\/p>\n<p>Outro s\u00edmbolo tradicional das festas juninas, o arraial \u00e9 a recria\u00e7\u00e3o de uma aldeia tempor\u00e1ria e sagrada, onde h\u00e1 sempre uma igreja, um padre, um casamento e padrinhos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma miniatura da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o social cat\u00f3lica, mas numa vers\u00e3o colorida e brincante, homenageando o povo caipira, o povo que oferece aos centros urbanos o alimento&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Quadrilha, pau de sebo e quermesse<\/strong><br \/>\nDe acordo com Ana Beatriz, a origem da quadrilha, uma dan\u00e7a de casais que se abrasileirou nos nossos arraiais, tem origem nas dan\u00e7as de sal\u00e3o francesas. Aos poucos se transformou em uma dan\u00e7a coreografada no Brasil.<\/p>\n<p>O pau de sebo tamb\u00e9m faz parta da folia junina. &#8220;Enquanto alguns o veem simbolismo f\u00e1lico, como pecado, algo do dem\u00f4nio, outros veem s\u00f3 como divers\u00e3o. O fato \u00e9 que pela cultura popular, o pau de sebo \u00e9 t\u00e3o somente uma brincadeira de festa junina. Em sua ponta, sempre h\u00e1 uma imagem de Santo Ant\u00f4nio ou um pr\u00eamio cobi\u00e7ado. Quem consegue apanhar \u00e9 o vencedor&#8221;.<\/p>\n<p>O termo quermesse para denominar a festa da igreja vem do flamengo kerkmisse, palavra que nasceu da l\u00edngua falada na regi\u00e3o da Flandres (atualmente parte da B\u00e9lgica). A festa nasceu como evento beneficente e, com o tempo, incorporou forr\u00f3, barracas de jogo, bingo e cachorro-quente aqui no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;No fundo, continua sendo celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, de agradecimento pelas colheitas e para celebrar que o povo quer missa, mas tamb\u00e9m quer festa, uni\u00e3o, conviv\u00eancia e amizade. Valores presentes \u00e0 forma\u00e7\u00e3o social brasileira no campo e na cidade&#8221;, explica Ana Beatriz.<\/p>\n<p><strong>Comidas e bebidas<\/strong><br \/>\nAs festas juninas no Brasil coincidem com a colheita de alguns alimentos, como o milho, amendoim, pinh\u00e3o, uva. Desses produtos resultam pratos como a canjica, a pamonha, o bolo de milho, o curau, o p\u00e9-de-moleque, pinh\u00e3o cozido ou assado. As bebidas, como o quent\u00e3o e o vinho quente, que t\u00eam origem portuguesa, surgiram como fun\u00e7\u00e3o social de aquecer o corpo e a alma.<\/p>\n<p>&#8220;Todos representam uma forma de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as a um plantio bem-sucedido, em forma de gratid\u00e3o disfar\u00e7ada de quitute&#8221;, explica a professora de teologia.<\/p>\n<p><strong>Papel das festas<\/strong><br \/>\nPara Ana Beatriz, as festas juninas s\u00e3o ainda mais importantes no per\u00edodo atual, com a exist\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o digital e das redes sociais, como ritual coletivo, mem\u00f3ria afetiva e express\u00e3o de uma espiritualidade popular leg\u00edtima falando de pertencimento, alegria e esperan\u00e7a por meio das dan\u00e7as, das brincadeiras e da celebra\u00e7\u00e3o da colheita dos alimentos t\u00edpicos do inverno.<\/p>\n<p>&#8220;As festas juninas s\u00e3o express\u00e3o simb\u00f3lica do imagin\u00e1rio devocional e cultural brasileiro, com direito a muitas ora\u00e7\u00f5es, simpatias e \u00e0 consci\u00eancia simb\u00f3lica de que o ano chegou \u00e0 sua metade, convidando cada um de n\u00f3s a olhar para tr\u00e1s, agradecer, e reacender a f\u00e9 para o que ainda est\u00e1 por vir&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tradicionais festas juninas brasileiras nasceram na Europa cat\u00f3lica e foram introduzidas no pa\u00eds pelos portugueses durante o per\u00edodo colonial, celebrando as solenidades cat\u00f3licas de Santo Ant\u00f4nio, S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo. 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