{"id":356561,"date":"2025-06-26T01:40:03","date_gmt":"2025-06-26T04:40:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=356561"},"modified":"2025-06-26T01:41:30","modified_gmt":"2025-06-26T04:41:30","slug":"planalto-e-invadido-por-baratas-tontas-apos-o-congresso-derrubar-iof","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/planalto-e-invadido-por-baratas-tontas-apos-o-congresso-derrubar-iof\/","title":{"rendered":"Planalto \u00e9 invadido por baratas tontas ap\u00f3s o Congresso derrubar IOF"},"content":{"rendered":"<p>Foi num cochilo entre um cafezinho aguado e uma reuni\u00e3o esvaziada que o governo Lula 3 levou mais uma rasteira no Congresso. Desta vez, o golpe veio camuflado de tecnicalidade tribut\u00e1ria, mas o veneno era pol\u00edtico, com a C\u00e2mara e o Senado enterrando, com solenidade e um certo deboche, o IOF \u2014 aquele Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras que ningu\u00e9m entende direito, mas que todo brasileiro sente no bolso.<\/p>\n<p>O que parecia um ajuste pontual virou um manifesto silencioso: o Planalto perdeu o controle da pauta. E o Centr\u00e3o, aquele polvo que governa sem assumir, deixou um recado claro, como quem diz \u201cquem manda agora somos n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>No Pal\u00e1cio, o susto foi geral. Ministros esbaforidos tentavam explicar o inexplic\u00e1vel. Como \u00e9 que uma medida de impacto fiscal foi pro ch\u00e3o sem que ningu\u00e9m da base governista piscasse? A resposta, murmurada nos corredores de carpete cinza, doeu mais que a derrota. Afinal, \u00e9 palp\u00e1vel a falta de articula\u00e7\u00e3o, falta de lideran\u00e7a, e, sobretudo, falta de medo do governo.<\/p>\n<p>Barata tonta. Foi essa a imagem que circulou entre deputados e senadores quando se falou da rea\u00e7\u00e3o presidencial. Correria sem dire\u00e7\u00e3o, telefonemas desesperados, promessas lan\u00e7adas ao vento. Mas ningu\u00e9m ouviu \u2014 e quem ouviu, riu.<\/p>\n<p>O Centr\u00e3o, esse partido informal que responde apenas aos seus pr\u00f3prios interesses, farejou fraqueza e armou o bote. Mais do que a revoga\u00e7\u00e3o do IOF, a mensagem foi pol\u00edtica. Agora o governo n\u00e3o apita mais nem na mesa do cafezinho. Se n\u00e3o negociar de joelhos, n\u00e3o leva nem parab\u00e9ns.<\/p>\n<p>Hugo Mptta, presidente da C\u00e2mara, Lira, com sua diplomacia de le\u00e3o de ch\u00e1cara, n\u00e3o precisou levantar a voz. O gesto foi mais eloquente, uma vez que se aprovou o que se quis, como se o Planalto fosse um espectador distra\u00eddo. E Lula, que j\u00e1 presidiu um pa\u00eds em tempos de vacas gordas e maioria s\u00f3lida, agora tenta governar com fiapos de alian\u00e7as, costuradas com linha de pescar.<\/p>\n<p>A base derrete. O MDB, o Uni\u00e3o Brasil, e at\u00e9 os risonhos pedetistas j\u00e1 falam em \u201creavaliar apoios\u201d. Tradu\u00e7\u00e3o: querem mais verbas, mais cargos, mais poder \u2014 ou n\u00e3o garantem nem o qu\u00f3rum. O governo, encurralado, tenta reagir com discursos, enquanto os advers\u00e1rios jogam xadrez com granadas.<\/p>\n<p>E as consequ\u00eancias? Al\u00e9m do rombo nas contas e da instabilidade fiscal, h\u00e1 um efeito mais corrosivo. \u00c9 o cheiro de fim de festa. Aquelas reuni\u00f5es sorridentes com l\u00edderes aliados agora parecem jantares de vel\u00f3rio. O governo, desidratado politicamente, j\u00e1 n\u00e3o pauta, n\u00e3o lidera, e \u2014 pior \u2014 n\u00e3o mete medo.<\/p>\n<p>Lula, veterano das guerras de plen\u00e1rio, assiste ao in\u00edcio de um motim silencioso. N\u00e3o \u00e9 golpe. \u00c9 desinteresse. A ingovernabilidade, quando chega, n\u00e3o bate \u00e0 porta com tanques. Ela se insinua com votos silenciosos, derrotas pontuais e sorrisos c\u00ednicos.<\/p>\n<p>A barata tonta do Planalto ainda cambaleia. Mas se continuar nesse ritmo, vai acabar pisada \u2014 n\u00e3o por advers\u00e1rios declarados, mas por seus pr\u00f3prios \u201caliados\u201d.<\/p>\n<p>Para se der ideia da crise reinante, no plen\u00e1rio da C\u00e2mara, onde a l\u00f3gica se rende ao fisiologismo e os acordos valem o tempo de um cafezinho requentado, o Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras \u2014 o IOF \u2014 caiu com um baque surdo. O estalo, por\u00e9m, ecoou nos corredores do Planalto como se fosse tiro. E l\u00e1 estava eles, assessores palacianos, andando em c\u00edrculos no terceiro andar do Pal\u00e1cio, murmurando que &#8220;tiraram o IOF sem nem perguntar&#8230; Isso n\u00e3o \u00e9 Congresso, \u00e9 curral&#8221;, numa suposta refer\u00eancia ao &#8216;gado&#8217; bolsonarista.<\/p>\n<p>A deputada Gleisi Hoffman, transformada em articuladora pol\u00edtica por obra de uma cota obscura do pr\u00f3prio PT, fazia liga\u00e7\u00f5es fren\u00e9ticas: &#8220;Al\u00f4? Deputado? Ainda t\u00e1 com a gente? N\u00e3o?! Como assim &#8220;decidiu pensar no futuro do pa\u00eds&#8221;? Que futuro \u00e9 esse sem emenda?! Gleisi desligava e berrava com o secret\u00e1rio:<\/p>\n<p>\u2014 Manda um caminh\u00e3o de retroescavadeira pro reduto dele, r\u00e1pido! Antes que ele mude de novo!<\/p>\n<p>Do outro lado da Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, o presidente da C\u00e2mara, mais conhecido como &#8220;Centr\u00e3o em Pessoa&#8221;, abria uma Coca-cola zero e brindava com seus pares:<\/p>\n<p>\u2014 Derrubamos o IOF. E nem precisei levantar da cadeira.<\/p>\n<p>\u2014 O Planalto t\u00e1 mole, Presidente \u2014 comentou um parlamentar do Uni\u00e3o, dono de gabinetes na Esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>\u2014 Mole? \u2014 respondeu Hugo Motta. \u2014 O Planalto t\u00e1 \u00e9 oco. S\u00f3 n\u00e3o percebe quem ainda acredita em nota oficial.<\/p>\n<p>No Senado, uma senadora que virou s\u00edmbolo da &#8220;nova pol\u00edtica&#8221; por ter deixado a m\u00e1quina de costura em troca do or\u00e7amento secreto, resumiu assim o quadro: &#8220;Esse governo fala bonito, mas n\u00e3o distribui direito. A base t\u00e1 passando fome de emenda. E sem emenda, meu filho, at\u00e9 santo troca de lado&#8221;.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Lula, ou melhor, o Velho Paj\u00e9 do Sert\u00e3o, reunia seu conselho tribal no Alvorada. Olhava o fogo simb\u00f3lico da lareira artificial e dizia:<\/p>\n<p>\u2014 T\u00e3o matando o governo com palavras doces e facadas sorrateiras. O pior inimigo \u00e9 o aliado cansado.<\/p>\n<p>Mas quem prestava aten\u00e7\u00e3o? O ministro Sid\u00f4nio Palmeira, que jogou pimenta no lixo para fazer nada com coisa alguma, apenas respondia com enigmas:<\/p>\n<p>\u2014 Presidente, o Centr\u00e3o \u00e9 como siri em lata: se abrir, vaza; se fechar, te belisca. O senhor precisa mais de anzol que de discurso.<\/p>\n<p>A verdade? O IOF foi s\u00f3 a primeira pe\u00e7a. O Centr\u00e3o farejou sangue, e agora ronda o Pal\u00e1cio como urubu pol\u00edtico em busca de ossada. O governo, perdido entre cargos prometidos e promessas descumpridas, trope\u00e7a nas pr\u00f3prias narrativas. O pior \u00e9 que, a cada rasteira que eu leva, Lula, andando em c\u00edrculos como cachorro sarnento querendo morder o pr\u00f3prio rabo, come\u00e7a a desconfiar, sabe-se l\u00e1 sob o efeito de qu\u00ea, \u00e9 que o tapete e que anda.<\/p>\n<p>E a barata tonta continua, sem saber se corre, se voa, ou se entrega-se de vez \u00e0 chinelada.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Marta Nobre \u00e9 Editora Executiva de Notibras<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi num cochilo entre um cafezinho aguado e uma reuni\u00e3o esvaziada que o governo Lula 3 levou mais uma rasteira no Congresso. 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