{"id":356671,"date":"2025-06-27T01:34:44","date_gmt":"2025-06-27T04:34:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=356671"},"modified":"2025-06-27T01:36:12","modified_gmt":"2025-06-27T04:36:12","slug":"doce-aroma-da-cana-nordestina-volta-a-girar-o-motor-do-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/doce-aroma-da-cana-nordestina-volta-a-girar-o-motor-do-progresso\/","title":{"rendered":"Doce aroma da cana nordestina volta a girar o motor do progresso"},"content":{"rendered":"<p>Na plan\u00edcie quente do agreste, onde o sol amadurece a cana e o suor dos homens vira a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool, uma not\u00edcia correu como vento em canavial seco: o governo federal decidiu aumentar para 30% a adi\u00e7\u00e3o de etanol \u00e0 gasolina. Uma medida t\u00e9cnica, diriam os engravatados de Bras\u00edlia. Mas, para os usineiros do Nordeste, soou como hino de reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pequena cidade de Moreno, em Pernambuco, onde o apito da usina acorda os galos e embala os domingos, Seu Agenor, mestre de moenda e contador de causos, escutou a not\u00edcia no radinho velho encostado \u00e0 parede da tulha. N\u00e3o se conteve: \u201cAgora vai!\u201d, gritou, espantando as galinhas e trazendo dona Zuleide \u00e0 varanda, ainda com o avental sujo de goma.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o, mais que um n\u00famero, representa um alento a uma cadeia produtiva que vinha trope\u00e7ando entre safras escassas, pre\u00e7os vol\u00e1teis e concorr\u00eancia predat\u00f3ria. Com a nova mistura, o etanol nordestino \u2014 filho leg\u00edtimo da cana de sol e do trabalho bra\u00e7al \u2014 ganha passaporte garantido para circular nos tanques dos carros brasileiros.<\/p>\n<p>As destilarias, muitas das quais andavam meio enferrujadas, com caldeiras frias e oper\u00e1rios migrando para outros sert\u00f5es, agora se preparam para girar a todo vapor. O cheiro de fermenta\u00e7\u00e3o volta a dominar o ar nas madrugadas. O emprego, que andava escasso como chuva em agosto, come\u00e7a a bater de novo nas portas das casas simples de barro e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os usineiros, antes cabisbaixos em reuni\u00f5es cheias de planilhas e d\u00edvidas, erguem os olhos com brilho renovado. Est\u00e3o animados, sim, mas n\u00e3o apenas por lucro. Sentem que, enfim, o Nordeste da cana est\u00e1 sendo olhado com seriedade estrat\u00e9gica, n\u00e3o s\u00f3 como pe\u00e7a de folclore agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Claro, h\u00e1 quem tor\u00e7a o nariz. Os puristas do petr\u00f3leo, os defensores do carro el\u00e9trico instant\u00e2neo, os c\u00e9ticos de prancheta. Mas aqui, onde o canavial \u00e9 poesia e economia, cada litro de etanol \u00e9 suor destilado \u2014 \u00e9 autonomia energ\u00e9tica com sabor de rapadura e futuro.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do governo \u00e9 acertada. Une matriz limpa com incentivo regional. Movimenta o campo, aquece a ind\u00fastria e coloca o Brasil na estrada da sustentabilidade sem esquecer suas ra\u00edzes. Porque, afinal, que pa\u00eds quer avan\u00e7ar deixando para tr\u00e1s o povo que faz crescer o que se planta?<\/p>\n<p>Na encruzilhada entre o passado da monocultura e o futuro da bioenergia, o Nordeste escolhe caminhar com os p\u00e9s fincados no barro f\u00e9rtil da cana \u2014 e com os olhos postos no horizonte onde o motor ronca e o etanol brilha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na plan\u00edcie quente do agreste, onde o sol amadurece a cana e o suor dos homens vira a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool, uma not\u00edcia correu como vento em canavial seco: o governo federal decidiu aumentar para 30% a adi\u00e7\u00e3o de etanol \u00e0 gasolina. Uma medida t\u00e9cnica, diriam os engravatados de Bras\u00edlia. 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