{"id":356883,"date":"2025-06-29T00:00:56","date_gmt":"2025-06-29T03:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=356883"},"modified":"2025-06-29T14:02:58","modified_gmt":"2025-06-29T17:02:58","slug":"apos-interdicao-ato-pede-fechamento-de-lixao-perto-de-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/apos-interdicao-ato-pede-fechamento-de-lixao-perto-de-brasilia\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s interdi\u00e7\u00e3o, ato pede fechamento de lix\u00e3o perto de Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Respirar revolta. Essa foi a forma com que a aposentada Rosileuda Rodrigues, de 57 anos, encontrou para se manter com esperan\u00e7as. Ela \u00e9 indignada diante do vizinho que tornou a sua vida e de sua comunidade um pesadelo desde 2016. O vizinho \u00e9 o lix\u00e3o de Padre Bernardo, chamado de Aterro Sanit\u00e1rio Ouro Verde, que desabou no \u00faltimo dia 18 e foi interditado pela justi\u00e7a na \u00faltima quinta-feira (26). Mas nem isso fez com que Rosileuda ficasse otimista.<\/p>\n<p>Logo depois do desabamento, a moradora do distrito de Monte Alto chegou a ficar internada por tr\u00eas dias por problemas respirat\u00f3rios. \u201cMesmo depois de interditado, o cheiro continua forte. Acho que nunca mais nosso lugar vai ser o que j\u00e1 foi\u201d, lamenta. Para lutar pelo seu antigo para\u00edso, a aposentada, que fazia transporte de moto no Distrito Federal, tamb\u00e9m respira saudades.<\/p>\n<p>Saudades de cheirar a mata nativa do cerrado, ouvir os passarinhos, de ir at\u00e9 a beira do c\u00f3rrego Santa B\u00e1rbara com a comunidade ouvir os passarinhos e de sentir o vento com a vista encantada do Recreio do Itapety. Tudo ficou pior naquela manh\u00e3, por volta de 9h, em que houve o desabamento. Algu\u00e9m da comunidade filmou e espalhou as cenas pelos grupos de WhatsApp. As autoridades foram informadas pelos respons\u00e1veis pelo lix\u00e3o apenas no fim da tarde.<\/p>\n<p><strong>Ato de protesto<\/strong><br \/>\nRosileuda \u00e9 uma das moradoras da comunidade que estar\u00e1 neste domingo (29), \u00e0s 14h, em um ato que pede o fechamento definitivo do aterro Ouro Verde. Outro morador, o vigilante Sebasti\u00e3o Fernandes, que tamb\u00e9m faz parte da lideran\u00e7a comunit\u00e1ria, afirma que os moradores est\u00e3o desesperados.<\/p>\n<p>\u201cO nosso ato \u00e9 para chamar aten\u00e7\u00e3o da sociedade para que nunca mais reabra. E que toda essa montanha de lixo seja retirada de nossa comunidade. Nunca mais pode funcionar\u201d, diz.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o tem importantes motivos, segundo o engenheiro florestal F\u00e1bio Miranda, do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). Ele, que \u00e9 chefe da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental da Bacia do Rio Descoberto, explica que o lix\u00e3o de Ouro Verde, monitorado desde a sua implanta\u00e7\u00e3o, se tornou um desastre ambiental sem precedentes na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cForam diferentes autua\u00e7\u00f5es e embargos. N\u00e3o havia autoriza\u00e7\u00e3o ambiental, nem licenciamento e funcionava sob liminar. Essa \u00e1rea j\u00e1 era embargada h\u00e1 bastante tempo pelo ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade] e pelo Estado e mesmo assim continuava funcionando\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Miranda avalia que a popula\u00e7\u00e3o era vigilante e sempre denunciava. Ap\u00f3s o desabamento no dia 18, o Minist\u00e9rio P\u00fablico levou, de novo, \u00e0 Justi\u00e7a o pedido para interditar o lugar. No dia 26, o juiz federal T\u00e1rsis Augusto de Santana Lima, de Luzi\u00e2nia, em Goi\u00e1s, tomou a decis\u00e3o que voltou a animar a comunidade, o que incluiu bloquear R$ 10 milh\u00f5es das contas da empresa e deixar indispon\u00edveis bens avaliados em R$ 2,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cFicamos mais otimistas com essa decis\u00e3o da justi\u00e7a. Representa esperan\u00e7a\u201d, diz Fernandes, que mora com a fam\u00edlia h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas na comunidade. Ele tamb\u00e9m \u00e9 um dos moradores que tem mobilizado os vizinhos para ningu\u00e9m desistir da causa.<\/p>\n<p><strong>O maior desastre<\/strong><br \/>\nO desmoronamento, segundo F\u00e1bio Miranda, do ICMBio, foi o maior desastre da regi\u00e3o. \u201c\u00c9 uma montanha de 40 mil metros c\u00fabicos de lixo que est\u00e1 despejando um l\u00edquido altamente poluidor, que vai contaminar por muito tempo esse curso d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>A gente ainda n\u00e3o tem dimens\u00e3o at\u00e9 onde ele vai chegar\u201d, acrescenta. Esse lixo, explica o engenheiro, vem de empresas privadas do Distrito Federal que enviam para a regi\u00e3o \u201cporque teriam um valor mais em conta de recursos\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, s\u00e3o lixos de diferentes caracter\u00edsticas sem qualquer separa\u00e7\u00e3o ou tratamento, como poderia se esperar de um aterro sanit\u00e1rio. \u201cA gente tem at\u00e9 dificuldade de mensurar o que esses res\u00edduos caracterizam\u201d. Ele explica que o Rio Maranh\u00e3o est\u00e1 na bacia do Rio Tocantins-Araguaia, uma das principais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cNesse momento, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 tentar minimizar os efeitos para a popula\u00e7\u00e3o de um desastre dessa propor\u00e7\u00e3o. Agora, a gente ainda vai demorar um tempo para mensurar esse dano\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Para o presidente da Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental (ONG) Amigos das Veredas, Fl\u00e1vio do Carmo, o chorume comprometeu o len\u00e7ol fre\u00e1tico no C\u00f3rrego Santa B\u00e1rbara, que faz parte da Bacia do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma \u00e1rea hist\u00f3rica. Pela rota do Rio do Sal havia o com\u00e9rcio no Brasil Col\u00f4nia\u201d, acentua. O ambientalista contextualiza que esse lugar tem for\u00e7a e maior potencial para o ecoturismo, por exemplo. \u201cMas hoje essa polui\u00e7\u00e3o comprometeu a fauna, a produ\u00e7\u00e3o rural e o abastecimento de \u00e1gua para as pessoas. \u00c9 preciso ter um processo de compensa\u00e7\u00e3o ambiental para a comunidade\u201d, opina.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o do C\u00f3rrego Santa B\u00e1rbara e do Rio do Sal e o espalhamento da fuligem t\u00f3xica colocaram em alerta o munic\u00edpio de Padre Bernardo, o Estado de Goi\u00e1s e o Distrito Federal.<\/p>\n<p>\u201cO nosso esfor\u00e7o \u00e9 para que todas as a\u00e7\u00f5es de descontamina\u00e7\u00e3o e de retirada desse lixo sejam feitas antes do per\u00edodo chuvoso. As a\u00e7\u00f5es emergenciais t\u00eam que ser tomadas nesse per\u00edodo de 90 dias at\u00e9 o in\u00edcio das chuvas\u201d, acentua F\u00e1bio Miranda, do ICMBio.<\/p>\n<p>Segundo autoridades locais, as primeiras an\u00e1lises mostraram um aumento \u201cmuito grande\u201d tamb\u00e9m de poluentes na \u00e1gua. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel de Goi\u00e1s (Semad) identificou maior presen\u00e7a de s\u00f3lidos totais dissolvidos, altera\u00e7\u00e3o na salinidade e redu\u00e7\u00e3o do pH da \u00e1gua [medida do grau de acidez ou alcalinidade da \u00e1gua].<\/p>\n<p><strong>\u201cA gente tinha avisado\u201d<\/strong><br \/>\nA comunidade tem recebido com desconfian\u00e7a a presen\u00e7a de gestores municipais. Quando a equipe de reportagem da AG\u00caNCIA Brasil esteve no local, os moradores mostraram descontentamento.<\/p>\n<p>\u201cA gente tinha avisado que essa trag\u00e9dia estava anunciada para acontecer\u201d, garante a professora Joana D\u00b4Arc Sousa, de 51 anos, ao prefeito Joseleide L\u00e1zaro. \u201cAgora, a gente precisa dessa solu\u00e7\u00e3o nesse momento. Porque n\u00f3s estamos sofrendo com isso aqui\u201d, reclama.<\/p>\n<p>Em resposta, o prefeito garantiu que a gest\u00e3o est\u00e1 lado a lado com a popula\u00e7\u00e3o \u201cdesde o primeiro dia que aconteceu essa trag\u00e9dia\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto o prefeito defendia a posi\u00e7\u00e3o, representantes da comunidade discordavam. Mas ele disse que seria necess\u00e1rio interditar o lix\u00e3o. \u201cQualquer empreendimento que cause danos a terceiros n\u00e3o pode funcionar (&#8230;) Quem tem compet\u00eancia para licenciar aterros sanit\u00e1rios \u00e9 o Estado. Infelizmente, naquela \u00e9poca, foi licenciado e foi renovado em 2018\u201d, defende-se L\u00e1zaro.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 dois meses<\/strong><br \/>\nO superintendente de fiscaliza\u00e7\u00e3o da secretaria estadual, Marcelo Salles, explica que a a\u00e7\u00e3o principal neste momento \u00e9 liberar a parte do lixo que est\u00e1 sobre o manancial. \u201cCessar essa contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Em seguida, a gente vai acompanhar todas as a\u00e7\u00f5es para a retirada desse lixo com o menor impacto ambiental poss\u00edvel\u201d. Para ele, esse trabalho deve durar entre um e dois meses.<\/p>\n<p>Mesmo antes do desabamento, a professora de geografia Joana D\u00b4arc Sousa disse que s\u00e3o incont\u00e1veis os vizinhos que deixaram suas casas para tr\u00e1s porque sabem que a recupera\u00e7\u00e3o tende a demorar \u201cmuitos anos\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a comunidade sonha em ter sua hist\u00f3ria de volta. As pessoas eram orgulhosas de viver em meio \u00e0 natureza. \u201cHoje, a gente est\u00e1 aqui, mas amanh\u00e3 estar\u00e3o os nossos netos e bisnetos, [eles] podem n\u00e3o encontrar uma beleza como essa, uma cachoeira e um cen\u00e1rio bonito para olhar\u201d, finaliza Rosileuda Rodrigues.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respirar revolta. Essa foi a forma com que a aposentada Rosileuda Rodrigues, de 57 anos, encontrou para se manter com esperan\u00e7as. Ela \u00e9 indignada diante do vizinho que tornou a sua vida e de sua comunidade um pesadelo desde 2016. 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