{"id":357101,"date":"2025-07-02T09:00:57","date_gmt":"2025-07-02T12:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=357101"},"modified":"2025-07-02T09:02:27","modified_gmt":"2025-07-02T12:02:27","slug":"o-dia-em-que-lauro-covarde-de-carteirinha-foi-desafiado-por-valentao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-dia-em-que-lauro-covarde-de-carteirinha-foi-desafiado-por-valentao\/","title":{"rendered":"O dia em que Lauro, covarde de carteirinha, foi desafiado por valent\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Cheiro de medo. Apesar de nunca ter escutado aquilo, logo reconheceu que n\u00e3o poderia ser outra coisa e, por isso, tratou de absorver aquele sentimento de maneira natural, sem demonstrar a fraqueza que lhe era t\u00e3o pr\u00f3pria. N\u00e3o que o hero\u00edsmo fosse algo pertinente ao seu ser, mas a covardia, apesar de conhecida, precisava ser camuflada para n\u00e3o se tornar presa f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Lauro, era esse o nome do sujeito, terceiro filho macho de Gumercindo Lisboa, afamado matador de aluguel da regi\u00e3o de Brazl\u00e2ndia, quase Goi\u00e1s, mas ainda Distrito Federal. Longe de ter herdado a braveza do pai, era o menos afeito dos irm\u00e3os a rompantes de enfrentamento, sempre preferindo apaziguar os \u00e2nimos e, assim, evitar pendengas desnecess\u00e1rias. O homem n\u00e3o estava de todo errado, ainda mais porque aquela \u00e1rea era tomada de apagamentos de registros naturais, o que abarrotava os bolsos do propriet\u00e1rio da \u00fanica funer\u00e1ria da cidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o pense voc\u00ea que, por ser desprovido de coragem, Lauro fosse capaz de se livrar de todos imbr\u00f3glios. N\u00e3o por falta de vontade, diga-se de passagem, mas por mera exposi\u00e7\u00e3o do fato, que grudava que nem batom de mo\u00e7a-falada na boca do povo. Desse modo, n\u00e3o tinha como se esquivar do embate, por mais pessimistas que fossem as chances de sair, ao menos, vivo.<\/p>\n<p>E o que se deu, e olha que se deu de fato, se deu por um desses acasos t\u00e3o improv\u00e1veis como ganhar na loteria. E, caso o azar de Lauro fosse proporcional \u00e0 sorte do novo milion\u00e1rio, a premia\u00e7\u00e3o certamente estaria acumulada.<\/p>\n<p>Coitado! Antes tivesse provocado a desfeita de n\u00e3o ir \u00e0 festa junina na casa do seu Alfredo, poderoso fazendeiro local, l\u00e1 pelos idos de 1972. Antes n\u00e3o tivesse tamb\u00e9m aceitado o convite de Rosinha para um arrasta-p\u00e9. Pelo menos, se antes Rosinha n\u00e3o fosse comprometida com Dami\u00e3o, pernambucano de Garanhuns, pistoleiro t\u00e3o temido quanto Gumercindo. Por qu\u00ea? Por que essas coisas de tantos antes se, pelo menos e sei l\u00e1 mais o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Inocente? Talvez. Puro? Nananinan\u00e3o! Besta? Certamente. O fato \u00e9 que o assustadi\u00e7o Lauro foi desafiado pelo encolerizado namorado da quase donzela. E, sem ter para onde correr, teve que aceitar o ingrato destino. Entretanto, no entanto e todavia, n\u00e3o deixou barato.<\/p>\n<p>\u2014 Enfrento, sim, senhor! Mas nas minhas condi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>\u2014 Oxente! Que condi\u00e7\u00f5es, cabra?<\/p>\n<p>\u2014 Hoje \u00e9 dia de Santo Ant\u00f4nio. N\u00e3o \u00e9 dia de duelar.<\/p>\n<p>\u2014 T\u00e1 com medo, \u00e9?<\/p>\n<p>\u2014 Que medo que nada! Sou \u00e9 homem!<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o o qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 Pois quando vai ser?<\/p>\n<p>\u2014 Amanh\u00e3, pouco antes do meio-dia. E que seja r\u00e1pido, pois n\u00e3o gosto de atrasar pro almo\u00e7o.<\/p>\n<p>O duelo foi marcado em frente ao Santu\u00e1rio Menino Jesus de Praga, que acabara de ser constru\u00eddo. E, quando beirava as 10h, os curiosos j\u00e1 come\u00e7avam a chegar. \u00c0s 11h30, foi a vez de Dami\u00e3o se aproximar montado em um belo mesti\u00e7o tordilho.<\/p>\n<p>O desafiante, antes de apear do cavalo, deu uma boa olhada ao redor. Apertou os olhos e nada do Lauro. Cad\u00ea aquele covarde? Nem sinal. N\u00e3o apareceu naquele dia nem nunca mais. Escafedeu-se e, ainda por cima, levou a Rosinha com ele.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro 57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor Muito Velho\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/15.0.3\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cheiro de medo. 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