{"id":357442,"date":"2025-07-06T05:16:30","date_gmt":"2025-07-06T08:16:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=357442"},"modified":"2025-07-06T05:16:30","modified_gmt":"2025-07-06T08:16:30","slug":"rosas-mortas-de-medo-colhidas-com-espinhos-no-quintal-da-ilusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rosas-mortas-de-medo-colhidas-com-espinhos-no-quintal-da-ilusao\/","title":{"rendered":"Rosas mortas de medo colhidas com espinhos no quintal da ilus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Fui ao quintal e colhi<br \/>\nCinco rosas mortas de medo<br \/>\nExtra\u00ed um espinho de cada<br \/>\nUm furo para cada dedo<br \/>\nCom \u00e1gua vermelha nas m\u00e3os<br \/>\nOcupei toda manh\u00e3, desde cedo<br \/>\nPintei uma alvorada luminosa de aquarela<br \/>\nTentando apagar o escuro do meu medo<br \/>\n(<strong>Cassiano Silveira<\/strong>)<\/p>\n<p>Espinhos no pinho da cara de pau<br \/>\nNa rosa murcha do intestino<br \/>\nA podrid\u00e3o letal<br \/>\nPodrid\u00e3o mais que da carne:- putrefa\u00e7\u00e3o de esc\u00f3rias<br \/>\nEspinhos hist\u00f3ricos, mentiras e inf\u00e2mias<br \/>\nPara sempre nas tristes mem\u00f3rias<br \/>\n(<strong>Gilberto Motta<\/strong>)<\/p>\n<p>Fui ao Congresso e vi<br \/>\nArtistas mortos de espanto<br \/>\nTirei fotos do que vi<br \/>\nE enviei a cada canto.<br \/>\nCom aquarela na m\u00e3o,<br \/>\nJejuava no tel\u00e3o<br \/>\num deputado em miss\u00e3o<br \/>\nContra o or\u00e7amento secreto<br \/>\n(<strong>Edna Domenica Merola<\/strong>)<\/p>\n<p>Andei por mem\u00f3rias desabitadas, revi<br \/>\nCen\u00e1rios da casa redesenhando luas<br \/>\nAvoado, desenhei-me ent\u00e3o em asas<br \/>\nRevivi afoito: tantas hist\u00f3rias novas<br \/>\nCom olhos correntes mais um cora\u00e7\u00e3o alado<br \/>\nBrinquei afoito, brinquei sem os minutos contados<br \/>\nColhi frutos, semei rosas, todas as vozes<br \/>\nRetornei triste: tantos sonhos abandonados<br \/>\n(<strong>Antonio Gil Neto<\/strong>)<\/p>\n<p>Fui na areia do mar<br \/>\nAdmirei os barcos para pescar<br \/>\nOuvi o vento avisar<br \/>\nO outono aqui est\u00e1<br \/>\nCom os raios de sol no rosto<br \/>\nApaguei lentamente a solid\u00e3o<br \/>\nVi o mar, a montanha<br \/>\nApaziguar meu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nDei de encontro com o ser<br \/>\nIn\u00fatil, f\u00fatil, superficial<br \/>\nOlhos vazios, bolsos cheios<br \/>\nFanfarr\u00e3o, um iludir descaradamente<br \/>\nSorriu solenemente, deixou-se fotografar<br \/>\nQuantas ilus\u00f5es provocam<br \/>\nEm escrotos servos bo\u00e7ais<br \/>\n\u2014Dem\u00f4nio nacional brasileiro!<br \/>\n(<strong>Ta\u00eds Palhares<\/strong>)<\/p>\n<p>Vozes ou\u00e7o, por todos os cantos<br \/>\nVozes ecoam, vozes falam<br \/>\nVozes clamam por justi\u00e7a, vozes vazias<br \/>\nS\u00f3 o tempo nos responder\u00e1 um dia<br \/>\nSomos semelhantes, somos sementes<br \/>\nSomos gentes, somos pensantes<br \/>\nSomos ignorantes, somos s\u00f3lidos<br \/>\nSomos constantes, somos instantes<br \/>\nOu\u00e7a, n\u00e3o imaginei<br \/>\nEnxerguei lindos colibris<br \/>\nFlores e jasmins \u00e0 luz da lua<br \/>\nOfuscaram minha alegria<br \/>\n(brotaram sorrisos e fantasia)<br \/>\n(<strong>Marlene Xavier Nobre<\/strong>)<\/p>\n<p>Rosas, rosas e mais rosas<br \/>\nT\u00e3o p\u00e1lidas e t\u00e3o espalhafatosas<br \/>\nTroquei-as por ilus\u00f5es<br \/>\nSopradas em bolhas de sab\u00e3o<br \/>\nCa\u00eddas no ch\u00e3o<br \/>\nIlustravam a imagina\u00e7\u00e3o<br \/>\nDois sorrisos distra\u00eddos<br \/>\nQue evaporavam na contram\u00e3o<br \/>\n(<strong>Rosilene Souza<\/strong>)<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p>SOBRE OS AUTORES<\/p>\n<p><strong>ANTONIO GIL NETO<\/strong> nasceu em Taia\u00e7u, cidadezinha do interior paulista, em 1950. Graduou-se em Pedagogia e Letras. Ainda jovem, mudou-se para S\u00e3o Paulo, onde construiu sua carreira profissional na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o. Atuou em projetos de forma\u00e7\u00e3o de educadores e em publica\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas vinculadas ao ensino de l\u00edngua. Autor de livros de literatura juvenil: A flor da pele e Cartas Marcadas, (Ed. Cortez\/SP) e tamb\u00e9m organizador e autor de A mem\u00f3ria brinca: ciranda de hist\u00f3rias do ensino municipal paulistano, (Imprensa Oficial\/SP). No primeiro livro que escreveu \u2013 Brado Retumbante, (Ed. Olho d&#8217;\u00c1gua\/SP) \u2013 teve a gra\u00e7a de receber na contracapa generosas palavras de Paulo Freire. Participou da colet\u00e2nea Tudo poderia ser diferente \u2013 inclusive o t\u00edtulo, e-book Amazon, 2022. Autor dos livros de poemas &#8220;In\u00e9ditos, inexatos \u2013 uma cole\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e vidro&#8221;, pela editora Folheando; &#8220;Sem saber o Amor&#8221; (Ed. Primata); &#8220;Desertos, P\u00e1ssaros, Quintais&#8221; (Caravana Editorial); &#8220;Sil\u00eancios, seus estilha\u00e7os de seda&#8221; (Ed. Folheando); &#8220;\u00c1gua, pedra, flor&#8221; (Mondru Editora).<\/p>\n<p><strong>CASSIANO SILVEIRA<\/strong> nasceu em Florian\u00f3polis\/SC e reside em Palho\u00e7a (SC). Historiador, atua na \u00e1rea da arqueologia desde 2010. Entre 2016 e 2017 trouxe a p\u00fablico, atrav\u00e9s do Facebook, as tirinhas c\u00f4micas Os Cabe\u00e7udos, discutindo sobre o cotidiano de forma um tanto nonsense. Publicou artigos cient\u00edficos: Os Caix\u00f5es F\u00fanebres na Capela de Nossa Senhora das Dores: Uso e Tipologia (Revista Tempos Acad\u00eamicos, 2012); e poemas: Cama de M\u00e1rmore (Revista Poit\u00e9, 2006), Vel\u00f3rio e Olho-mar (ambos PerSe, 2021) e contos: Patos (InVerso, 2021), Os dois hemisf\u00e9rios da alma (Persona, 2021) e A perfei\u00e7\u00e3o (SENAI\/CIMATEC, 2021), que lhe valeu men\u00e7\u00e3o honrosa no 1\u00b0 Concurso Cultural Literatec &#8211; A vida numa sociedade tecnol\u00f3gica. Participou das colet\u00e2neas Tudo poderia ser diferente \u2013 inclusive o t\u00edtulo, e corpo ao corpus (Rocha Solu\u00e7\u00f5es Gr\u00e1ficas, 2022), como autor, como respons\u00e1vel pela capa, projeto gr\u00e1fico e diagrama\u00e7\u00e3o. \u00c9 autor do livro Sobre o medo, a morte e a vida, dispon\u00edvel em formato f\u00edsico e tamb\u00e9m em e-book na Amazon.com.br. Em 2025, publica textos no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio. Contatos Instagram @siano_silveira<\/p>\n<p><strong>EDNA DOMENICA<\/strong> nasceu, cresceu, estudou, trabalhou e se aposentou em S\u00e3o Paulo \u2013 SP. Bacharel em Letras, Psicologia e Pedagogia; especialista em Psicodrama e em Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da pessoa idosa, mestre em Educa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o. desenvolveu pesquisa sobre as aplica\u00e7\u00f5es do Psicodrama em oficinas de escrita criativa, parcialmente publicadas em Aquecendo a produ\u00e7\u00e3o na sala de aula (Nativa, 2001) ede Rel\u00f3gios de Mem\u00f3rias \u2013 cartas de uma artes\u00e3 da escrita (Postmix,2017). \u00c9 autora de poemas: Cora, cora\u00e7\u00e3o (Nova Letra, 2011) e de fic\u00e7\u00e3o em prosa:A volta do contador de hist\u00f3rias (Nova Letra, 2011), No ano do drag\u00e3o (Postmix, 2012), De que s\u00e3o feitas as hist\u00f3rias (Postmix, 2014), As Marias de San Gennaro (Insular, 2019), O Set\u00eanio (T\u00e3o Livros Editora, 2024). Participou de v\u00e1rias colet\u00e2neas das quais ressalta as que comparece como organizadora: Tudo poderia ser diferente, inclusive o t\u00edtulo (Amazon e-book, 2022) e Do corpo ao corpus (Rocha Solu\u00e7\u00f5es Gr\u00e1ficas, 2022). Em 2024 e em 2025, publicou textos curtos individuais e coletivos no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>GILBERTO MOTTA<\/strong> nasceu e cresceu em um pequeno circo-teatro no interior de S\u00e3o Paulo. Formou-se em Jornalismo e virou rep\u00f3rter de r\u00e1dio e TV, escritor e professor universit\u00e1rio. \u00c9 professor-mestre e aprendiz da vida. Rodou mundos e, aposentado, vive em 2025, numa cabana que fica numa pequena pousada na Guarda do Emba\u00fa, SC. Publicou v\u00e1rios textos nas colet\u00e2neas: Tudo poderia ser diferente, inclusive o t\u00edtulo(Amazon e-book, 2022) e Do corpo ao corpus (Rocha Solu\u00e7\u00f5es Gr\u00e1ficas,2022). Em 2024 e 2025, publicou in\u00fameros textos curtos individuais e coletivos no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>MARLENE XAVIER NOBRE<\/strong> nasceu, cresceu, casou e teve tr\u00eas filhos em Florian\u00f3polis, SC. Mudou para S\u00e3o Jos\u00e9,SC, e a\u00ed vieram os netos. Em 2016, os v\u00e1rios cadernos preenchidos com suas escritas e guardados ao longo dos anos passaram a ser vistos por ela com novo olhar devido a sua ida ao NETI(UFSC, campus Florian\u00f3polis) para cursar oficinas de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que utilizava recursos como a dan\u00e7a grupal e espont\u00e2nea ao som de m\u00fasicas cl\u00e1ssicas. Em 2017, logo ap\u00f3s participar de uma colet\u00e2nea organizada pela ministrante das oficinas, lan\u00e7ou seu primeiro livro solo: A meus queridos netos \u2013 cartas (Postmix, 2017). Em 2019, cursou outra oficina, desta vez na Biblioteca do CIC, em Florian\u00f3polis,onde conheceu o editor da cole\u00e7\u00e3o Palavra de Mulher \u2013 Nelson Rolim de Moura. Em 2020, lan\u00e7ou, naquela cole\u00e7\u00e3o, seu segundo livro solo: Lembran\u00e7as e esperan\u00e7as de uma mulher. Em 2022, participou das colet\u00e2neas: Tudo poderia ser diferente, inclusive o t\u00edtulo (Amazon e-book, 2022) e Do corpo ao corpus (Rocha Solu\u00e7\u00f5es Gr\u00e1ficas, 2022). Em 2025, publica textos no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>ROSILENE SOUZA<\/strong>, mineira, desenvolve pesquisa nas linguagens art\u00edsticas: colagem, escrita criativa,fotografia e defici\u00eancia visual. Investiga o excesso de imagens e escritas consumidas e produzidas na sociedade. Participa de exposi\u00e7\u00f5es, feiras e mostras de Arte. Tem trabalhos art\u00edsticos e liter\u00e1rios publicados em revistas, cat\u00e1logos, blogs,sites e livros. Participou das colet\u00e2neas &#8220;Do corpo ao corpus&#8221;, organizada por Edna Domenica Merola, em 2022, e &#8220;Ningu\u00e9m escreve por mim&#8221;, organizada por Claudio Carvalho, em 2024. Em 2025, publica contos e ilustra\u00e7\u00f5es no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>TA\u00cdS PALHARES<\/strong>. paulistana, participou do Ateli\u00ea de Escrita da Biblioteca do CIC \u2013 Floripa, SC \u2013 em 2019. \u00c9 leitora de fic\u00e7\u00e3o que sabe o que quer. Em 2025, participou do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio Notibras nos textos coletivos com os t\u00edtulos: &#8220;Daqueles tempos distantes como &#8220;Baby, eu sei que \u00e9 assim&#8221; &#8220;, &#8220;Do interior para a senzala da cidade&#8230; e um beb\u00ea do patr\u00e3o&#8221;, &#8220;Conserta-se discos voadores&#8221;, &#8220;Do que voc\u00ea gosta? &#8211; Quem vive sem gostar sabe sabor do desgostar&#8221;, &#8220;Algoritmos de sangue &#8211; \u00c9brio, s\u00f3brio, louco? Oco, revelo-me desfilando o sonambulismo&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui ao quintal e colhi Cinco rosas mortas de medo Extra\u00ed um espinho de cada Um furo para cada dedo Com \u00e1gua vermelha nas m\u00e3os Ocupei toda manh\u00e3, desde cedo Pintei uma alvorada luminosa de aquarela Tentando apagar o escuro do meu medo (Cassiano Silveira) Espinhos no pinho da cara de pau Na rosa murcha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":357444,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-357442","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357442"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":357445,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357442\/revisions\/357445"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/357444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}