{"id":358111,"date":"2025-07-14T10:46:55","date_gmt":"2025-07-14T13:46:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=358111"},"modified":"2025-07-14T10:47:41","modified_gmt":"2025-07-14T13:47:41","slug":"pesquisador-indigena-anota-150-plantas-medicinais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisador-indigena-anota-150-plantas-medicinais\/","title":{"rendered":"Pesquisador ind\u00edgena anota 150 plantas medicinais"},"content":{"rendered":"<p><!--StartFragment --><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">A meta inicial era encontrar tratamentos para as tr\u00eas enfermidades mais recorrentes do povo Patax\u00f3 <\/span><span class=\"cf0\">H\u00e3-H\u00e3-H\u00e3i<\/span><span class=\"cf0\">, da Terra Ind\u00edgena Caramuru\/<\/span><span class=\"cf0\">Paraguassu<\/span><span class=\"cf0\">, no sul da Bahia: verminoses, diabetes e hipertens\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Assim come\u00e7ou a pesquisa do <\/span><span class=\"cf0\">etnobot\u00e2nico<\/span> <span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\"> Dantas dos Santos Patax\u00f3 <\/span><span class=\"cf0\">H\u00e3h\u00e3h\u00e3i<\/span><span class=\"cf0\">, que &#8211; como o pr\u00f3prio nome indica &#8211; pertence a etnia e \u00e9 doutorando do Instituto de Ci\u00eancias Ambientais, Qu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Depois, j\u00e1 no \u00e2mbito formal da pesquisa acad\u00eamica, <\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\"> ampliou seu estudo e catalogou 175 plantas medicinais utilizadas pelo seu povo. A inten\u00e7\u00e3o foi resgatar os saberes ancestrais no uso de tais plantas, perdidos ao longo dos tempos.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Entre as v\u00e1rias descobertas ao longo da pesquisa, <\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\"> constatou que, curiosamente, muitas das plantas medicinais utilizadas s\u00e3o esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, introduzidas posteriormente no territ\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Para o pesquisador, isso demonstra a fragmenta\u00e7\u00e3o e o deslocamento for\u00e7ado da popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, acompanhados da devasta\u00e7\u00e3o ambiental, a\u00e7\u00f5es de grileiros e instala\u00e7\u00e3o de grandes fazendas.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">A hist\u00f3ria da terra ind\u00edgena, territ\u00f3rio da pesquisa de <\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\">, \u00e9 mesmo atribulada. Tamb\u00e9m conhecida como Terra Ind\u00edgena Caramuru\/<\/span><span class=\"cf0\">Paraguassu<\/span><span class=\"cf0\">, tem uma extens\u00e3o de 54.105 hectares. Em 1926, foi tornada reserva ind\u00edgena pelo ent\u00e3o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI).<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Na d\u00e9cada de 40, com a expans\u00e3o da cultura cacaueira, as terras foram invadidas por fazendeiros, expulsando boa parte dos ind\u00edgenas do local. Nos anos de 1970, o governo da Bahia chegou a extinguir a reserva e concedeu t\u00edtulos de propriedade a invasores.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">No in\u00edcio dos anos 80, a Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai), depois de uma longa batalha litigiosa na Justi\u00e7a, conseguiu o reconhecimento das terras novamente aos ind\u00edgenas, o que n\u00e3o impediu de existirem confrontos pela terra na regi\u00e3o at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201cGrande parte da cobertura de mata hoje se perdeu, virou pastagem. E, com isso, muitas das plantas citadas pelos anci\u00f5es da aldeia foram muito dif\u00edceis de localizar e outras mesmo desapareceram\u201d, disse <\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\">, ao comentar sobre as principais dificuldades que enfrentou no transcorrer da pesquisa.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201cQuando eles voltam na d\u00e9cada de 1980, muitas coisas tinham mudado, todo o cen\u00e1rio, ent\u00e3o n\u00e3o tinha mais floresta, agora s\u00f3 pasto, as plantas foram perdidas. Ent\u00e3o, o que foi interessante, que ele (<\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\">) cita bastante, foi ter entrado em contato com esse conhecimento sobre essas plantas do passado, dos anci\u00f5es, que conheciam as plantas que existiam nas florestas antes da expuls\u00e3o na d\u00e9cada de 1940, e de tomar consci\u00eancia de que era o conhecimento desses anci\u00f5es\u201d, completou Eliana Rodrigues, orientadora do doutorando na pesquisa.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\"> No que diz respeito propriamente aos resultados do estudo, o pesquisador descobriu 43 plantas utilizadas para o tratamento de tr\u00eas enfermidades <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 diabetes, verminoses e hipertens<\/span><span class=\"cf0\">\u00e3o. E a mais comum para as verminoses utiliza-se o mastruz. No combate a diabetes, a moringa, e para hipertens\u00e3o, os ind\u00edgenas recorrem ao <\/span><span class=\"cf0\">capim-cidreira<\/span><span class=\"cf0\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Al\u00e9m disso, a investiga\u00e7\u00e3o verificou que 79% das 175 plantas pesquisadas t\u00eam seus usos em conson\u00e2ncia com apontamentos da literatura cient\u00edfica recente.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Eliana destacou que o trabalho n\u00e3o representa apenas o registro do conhecimento do seu povo: \u201cMas ele tamb\u00e9m est\u00e1 resgatando\u201d. Segundo Eliana, muitos dos conhecimentos do passado foram perdidos, mas ainda muito o que foi conservado como se pode ver no estudo.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201c<\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\"> \u00e9 o primeiro pesquisador <\/span><span class=\"cf0\">etnobot\u00e2nico<\/span><span class=\"cf0\"> do mundo\u201d, disse Eliana sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o pesquisador ind\u00edgena e seu objeto de pesquisa.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">O termo \u201c<\/span><span class=\"cf0\">etnobot\u00e2nico<\/span><span class=\"cf0\">\u201d, inclusive, diz respeito \u00e0 ci\u00eancia que descreve a rela\u00e7\u00e3o entre diferentes povos e suas plantas. \u201cRegistra o conhecimento sobre determinadas culturas sobre suas plantas e usos, para qualquer finalidade, como medicinal, alimentar, constru\u00e7\u00e3o civil e naval, para qualquer coisa\u201d, explica Eliana.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">As descobertas da pesquisa de <\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\"> dever\u00e3o resultar em um livro sobre a pesquisa, outro de receitas para uso seguro das plantas e um audiovisual. Al\u00e9m disso, um viveiro de plantas foi implantado em uma aldeia para utiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u201cJ\u00e1 est\u00e3o desenvolvendo mudas no canteiro para poder distribuir ali entre os ind\u00edgenas que moram naquelas aldeias pr\u00f3ximas, al\u00e9m da aldeia de <\/span><span class=\"cf0\">Hemerson<\/span><span class=\"cf0\">\u201d, completou a orientadora. <\/span><\/p>\n<p><!--EndFragment --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A meta inicial era encontrar tratamentos para as tr\u00eas enfermidades mais recorrentes do povo Patax\u00f3 H\u00e3-H\u00e3-H\u00e3i, da Terra Ind\u00edgena Caramuru\/Paraguassu, no sul da Bahia: verminoses, diabetes e hipertens\u00e3o. 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