{"id":358126,"date":"2025-07-15T01:00:52","date_gmt":"2025-07-15T04:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=358126"},"modified":"2025-07-14T20:16:38","modified_gmt":"2025-07-14T23:16:38","slug":"a-assustadora-realidade-que-atinge-a-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-assustadora-realidade-que-atinge-a-todos-nos\/","title":{"rendered":"A assustadora realidade que atinge a todos n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;[&#8230;] sem essa aranha&#8230; sem essa aranha&#8230;sem essa aranha, nem a sanha arranha o carro, nemo sarro arranha a Espanha.&#8221;<br \/>\n(Qualquer coisa, Caetano Veloso)<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de modismos e apropria\u00e7\u00f5es, navegando pelos livros e tratados e p\u00e1ginas e sites nas redes, o som do sil\u00eancio no vazio permanece em boa parte um mist\u00e9rio para a humanidade.<\/p>\n<p>Uma filosofia\/doutrina amorosa que \u00e9-, por sua pr\u00f3pria natureza e defini\u00e7\u00e3o incomensur\u00e1vel e intransmiss\u00edvel, uma postura sem r\u00f3tulo, f\u00e9 que n\u00e3o se explica, escapa \u00e0 linguagem, desmonta por completo nosso mecanismo nacionalizante e limitado Na verdade, o \u00fanico que a maioria de n\u00f3s conhece.<\/p>\n<p>Somos avessos a contrastes desafiadores como o sil\u00eancio. Assustadora realidade.<\/p>\n<p>Estamos t\u00e3o aferrados a n\u00f3s mesmos que fica dif\u00edcil alcan\u00e7armos a beleza luminosa e despida do jeito de viver no sil\u00eancio e no vazio; mas nada nos impede de apreci\u00e1-los. O som \u00e9 lindo, mas o sil\u00eancio e o vazio s\u00e3o infinitos. O sagrado e o divino, em suas m\u00faltiplas formas e interpreta\u00e7\u00f5es, est\u00e3o presentes ali.<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o do infinito particular e o limitado arranjo coletivo habita o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>A unidade configura o vazio.<\/p>\n<p>Para a aranha macho apaixonado \u00e9 importante ter o ritmo exato do sil\u00eancio e da m\u00fasica\/som. Deve fazer mesmo &#8220;tlang tleng&#8221; e n\u00e3o, por exemplo, &#8220;tlong tlong&#8221;. Tudo ali \u00e9 uma quest\u00e3o de detalhes. Basta a menor amea\u00e7a de vibra\u00e7\u00e3o diferente para que a bela aranha, em vez de se virar sorrindo para o futuro namorado, pule em cima dele e o devore num instante: Z\u00e1s!<\/p>\n<p>\u00c9 isto mesmo.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o &#8220;tlong tlong&#8221; para uma aranha faminta, quer dizer exatamente isto:<\/p>\n<p>&#8220;Sou uma mosca apetitosa e ca\u00ed na armadilha, devore-me logo&#8221;.<br \/>\nContudo, fora estes tristes desastres e equ\u00edvocos, de alguma forma tamb\u00e9m as aranhas conseguiam se comunicar entre elas antes pelo sil\u00eancio no vazio natural e procriar a exist\u00eancia, a vida.<\/p>\n<p>Entre o sil\u00eancio e a\u00e7\u00e3o vem antes o vazio e depois os sons.<\/p>\n<p>Emaranhado da seiva, estalos de galhos secos retorcidos, veredas em abra\u00e7os expl\u00edcitos.<\/p>\n<p>Veias internas bombeando vias-fluxos, caminhos surrados, destinos dependurados em teias.<\/p>\n<p>A vida fingindo inexistente antes no sil\u00eancio, passado o vazio ali presente.<\/p>\n<p>Pulsante.<\/p>\n<p>Intrincado mosaico no emaranhado parido na fus\u00e3o entre o sil\u00eancio, o vazio e os sons do viver.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>*Gilberto Motta: escritor, jornalista, professor universit\u00e1rio e v\u00eddeo-documentarista. M\u00fasico de nascen\u00e7a apenas para espantar o vazio do sil\u00eancio. Mora e escreve na pequena comunidade de pescadores da Guarda do Emba\u00fa SC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;[&#8230;] sem essa aranha&#8230; sem essa aranha&#8230;sem essa aranha, nem a sanha arranha o carro, nemo sarro arranha a Espanha.&#8221; (Qualquer coisa, Caetano Veloso) Para al\u00e9m de modismos e apropria\u00e7\u00f5es, navegando pelos livros e tratados e p\u00e1ginas e sites nas redes, o som do sil\u00eancio no vazio permanece em boa parte um mist\u00e9rio para a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":358128,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-358126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358126"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":358130,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358126\/revisions\/358130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/358128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}