{"id":358229,"date":"2025-07-15T13:51:33","date_gmt":"2025-07-15T16:51:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=358229"},"modified":"2025-07-15T13:53:12","modified_gmt":"2025-07-15T16:53:12","slug":"trump-em-declinio-tenta-entrar-na-sucessao-para-afundar-brasil-na-lama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/trump-em-declinio-tenta-entrar-na-sucessao-para-afundar-brasil-na-lama\/","title":{"rendered":"Trump, em decl\u00ednio, tenta entrar na sucess\u00e3o para afundar Brasil na lama"},"content":{"rendered":"<p><!--StartFragment --><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\"><em>&#8220;Palavras, palavras, palavras&#8221;<\/em> <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 Shakespeare, Hamlet<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf1\">Numa cena memor<\/span><span class=\"cf0\">\u00e1vel de &#8220;Wall Street <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 Poder e Gl<\/span><span class=\"cf0\">\u00f3ria&#8221; (1987), de Oliver Stone, o especulador inescrupuloso Gordon <\/span><span class=\"cf0\">Gekko<\/span><span class=\"cf0\">, interpretado por Michael Douglas, explica a seu pupilo bestificado as regras do jogo em que sempre vence: &#8220;O 1% mais rico possui metade da riqueza do pa\u00eds, cinco trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Noventa por cento dos americanos l\u00e1 fora possuem pouco ou nenhum patrim\u00f4nio l\u00edquido. [&#8230;] Eu n\u00e3o crio nada. Eu sou o propriet\u00e1rio. N\u00f3s \u00e9 que fazemos os regulamentos; n\u00f3s tiramos o coelho da cartola enquanto todo o mundo se pergunta como \u00e9 que a gente consegue. Mas voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 inocente a ponto de achar que vivemos numa democracia, n\u00e9, Buddy? \u00c9 o livre mercado. E voc\u00ea faz parte dele.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Quando o filme <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 uma cr<\/span><span class=\"cf0\">\u00edtica de Stone, filho de um corretor da bolsa de valores, a esse universo amoral e parasit\u00e1rio <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 foi lan<\/span><span class=\"cf0\">\u00e7ado, Donald John Trump contava 41 anos de idade e comandava o imp\u00e9rio imobili\u00e1rio de sua fam\u00edlia, com foco em projetos extravagantes de arranha-c\u00e9us, hot\u00e9is e cassinos (aproveitando o crescimento de uma bolha que n\u00e3o tardaria a estourar), e aperfei\u00e7oava o dom de usar a seu favor as facilidades de um sistema financeiro e uma ordem jur\u00eddica moldados para beneficiar o homem branco endinheirado. Embevecidos, os meios de comunica\u00e7\u00e3o exaltavam o seu &#8220;toque de Midas&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Havendo iniciado sua trajet\u00f3ria na d\u00e9cada anterior, Trump estava habituado aos usos e costumes da m\u00e1fia nova-iorquina, especialmente os <\/span><span class=\"cf0\">capi<\/span><span class=\"cf0\"> do setor de constru\u00e7\u00e3o, como Paul <\/span><span class=\"cf0\">Castellano<\/span><span class=\"cf0\"> (chefe da fam\u00edlia <\/span><span class=\"cf0\">Gambino<\/span><span class=\"cf0\">) e Anthony &#8220;Fat Tony&#8221; Salerno (capo do cl\u00e3 <\/span><span class=\"cf0\">Genovese<\/span><span class=\"cf0\">). Al\u00e9m disso, o estramb\u00f3tico <\/span><span class=\"cf0\">businessmanalardeava<\/span><span class=\"cf0\"> seu flerte com a carreira pol\u00edtica por meio de entrevistas e an\u00fancios pagos na imprensa, e lan\u00e7ava, com \u00eaxito, The <\/span><span class=\"cf0\">Art<\/span> <span class=\"cf0\">of<\/span> <span class=\"cf0\">the<\/span> <span class=\"cf0\">Deal<\/span><span class=\"cf0\">, o primeiro dos livros que assinou, testemunho de seu apre\u00e7o pela automistifica\u00e7\u00e3o, pela hip\u00e9rbole como recurso ret\u00f3rico e pela mentira como ferramenta de trabalho.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">A interessante s\u00e9rie &#8220;Trump <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 Um sonho americano&#8221; (Netflix), conta boa parte dessa hist<\/span><span class=\"cf0\">\u00f3ria, mostrando caracter\u00edsticas do personagem como a megalomania, a misoginia e o uso instrumental da chantagem e da intimida\u00e7\u00e3o, bem como seu narcisismo patol\u00f3gico (registra-se, por exemplo, que ele teria pronunciado um discurso eg\u00f3latra e triunfalista no enterro do pr\u00f3prio pai). Singularidades \u00e0 parte, j\u00e1 no t\u00edtulo a s\u00e9rie deixa claro: Trump \u00e9 t\u00e3o americano quanto a torta de ma\u00e7\u00e3.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Talvez esta seja uma pista para interpretarmos a apatia de universidades estadunidenses (a prestigiada Columbia \u00e9 um exemplo consp\u00edcuo), grupos de comunica\u00e7\u00e3o, escrit\u00f3rios de advocacia etc. diante dos ataques frontais de Donald, agora presidente reeleito em um pleito consagrador, aos institutos da chamada democracia liberal <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 como, por exemplo, a liberdade de express<\/span><span class=\"cf0\">\u00e3o. <\/span><span class=\"cf0\">Jodi<\/span><span class=\"cf0\"> Dean (&#8220;<\/span><span class=\"cf0\">Cowardice<\/span> <span class=\"cf0\">Is<\/span> <span class=\"cf0\">Constagious<\/span><span class=\"cf0\"> Too&#8221;) observa que esses institutos eram e s\u00e3o falhos, ficando muitas vezes aqu\u00e9m da ret\u00f3rica que os embala e dos ideais que os sustentam&#8230; mas agora esses ideais est\u00e3o sendo simplesmente demolidos. E a rea\u00e7\u00e3o tem sido t\u00edmida.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">\u00c9 como se Trump, com sua linha pol\u00edtica centrada na crueldade e no uso da extors\u00e3o como pr\u00e1tica cotidiana, pr\u00f3pria dos chefes mafiosos, retirasse um manto de hipocrisia de sobre um modelo de democracia que de democr\u00e1tico sempre teve muito pouco (como bem sabem os <\/span><span class=\"cf0\">Gordons<\/span> <span class=\"cf0\">Gekkos<\/span><span class=\"cf0\"> da fic\u00e7\u00e3o e do mundo real), ou mostrasse que os pilares do edif\u00edcio est\u00e3o comidos por cupim. Por isso, a pensadora socialista evita a armadilha de defender o retorno ao <\/span><span class=\"cf0\">statu<\/span><span class=\"cf0\"> quo ante: para ela, a luta contra o extremismo de direita <\/span><span class=\"cf0\">epitomizado<\/span><span class=\"cf0\"> pelo magnata n\u00e3o nos deve levar ao resgate de institui\u00e7\u00f5es carcomidas, mas \u00e0 busca de algo melhor: uma nova economia centrada na satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades humanas (e n\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de lucro), e em &#8220;rela\u00e7\u00f5es sociais de igualdade e respeito m\u00fatuo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Num ensaio de 2018, &#8220;The <\/span><span class=\"cf0\">Cruelty<\/span> <span class=\"cf0\">Is<\/span> <span class=\"cf0\">the<\/span><span class=\"cf0\"> Point&#8221;, o jornalista Adam <\/span><span class=\"cf0\">Serwer<\/span><span class=\"cf0\"> argumentava que o apelo de Trump junto a uma parcela expressiva do eleitorado n\u00e3o se resumia a queixas de ordem econ\u00f4mica ou &#8220;incorre\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;, mas envolvia, ainda, a crueldade compartilhada como mecanismo de uni\u00e3o. Seus apoiadores teriam encontrado solidariedade, um ch\u00e3o comum, no ato coletivo de menosprezar os outros <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 seja rindo das v<\/span><span class=\"cf0\">\u00edtimas do furac\u00e3o em Porto Rico, zombando das mulheres do movimento #MeToo ou ridicularizando pessoas com defici\u00eancia. Essa din\u00e2mica, que n\u00e3o nos \u00e9 estranha, estaria historicamente enraizada, segundo o escriba, na viol\u00eancia racial dos EUA, onde o espet\u00e1culo p\u00fablico da crueldade, como os linchamentos de homens negros, foi um aglutinador para algumas comunidades (&#8220;As \u00e1rvores do sul d\u00e3o uma fruta estranha \/ Sangue nas folhas e sangue na raiz&#8221;, canta Billie Holiday, maravilhosamente, em &#8220;<\/span><span class=\"cf0\">Strange<\/span> <span class=\"cf0\">Fruit<\/span><span class=\"cf0\">&#8220;).<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">No segundo mandato, como temos visto, a natureza e a intensidade da crueldade evolu\u00edram (e talvez n\u00e3o haja melhor exemplo disso que a grotesca ca\u00e7a a imigrantes por mil\u00edcias de encapuzados, sobre a qual a &#8220;comunidade internacional&#8221; tem guardado um sil\u00eancio c\u00famplice): n\u00e3o se trata mais, apenas, de estabelecer la\u00e7os por meio da humilha\u00e7\u00e3o grupal, mas de produzir instabilidade generalizada como estrat\u00e9gia de governan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">H\u00e1 tamb\u00e9m um outro fen\u00f4meno que permite vislumbrar onde entramos n\u00f3s nessa hist\u00f3ria, que \u00e9 o ineg\u00e1vel decl\u00ednio do imp\u00e9rio americano: os EUA seguem sendo a principal pot\u00eancia militar, financeira e cultural do mundo, mas sua influ\u00eancia relativa est\u00e1 diminuindo, sobretudo na economia e na diplomacia, enquanto seu maior rival decola. A China (principal parceiro comercial de mais de 130 pa\u00edses, Brasil inclu\u00eddo) produz hoje 30% dos bens manufaturados do mundo (os EUA, 16%) e j\u00e1 ultrapassou a terra do Tio Sam em produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, ao mesmo tempo em que forma novas alian\u00e7as (como o BRICS) que desafiam a lideran\u00e7a global dos EUA e contribuem para a redu\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia de sua moeda: em 2001, o d\u00f3lar estadunidense representava 72% das reservas cambiais globais; em 2023, esse percentual ca\u00edra para 58%.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Trump \u00e9, tamb\u00e9m, uma rea\u00e7\u00e3o a esse decl\u00ednio, que sinaliza um reordenamento global.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">E isto nos leva, por fim, \u00e0 carta endere\u00e7ada a Lula que o mandat\u00e1rio estadunidense, em vez de encaminhar pelos meios adequados, divulgou nas redes sociais na semana passada. Coincidentemente ou n\u00e3o, a mensagem veio a lume no \u00faltimo dia 09\/07, quando se encerrava a c\u00fapula do BRICS no Rio de Janeiro, evento em que o Brasil estendera o tapete vermelho a Narendra Modi, l\u00edder de uma \u00cdndia que \u00e9 hoje o pa\u00eds mais populoso do mundo, com cerca de 1,450 bilh\u00e3o de habitantes, PIB de U$ 3,4 trilh\u00f5es e proje\u00e7\u00e3o de crescimento de 6,5% para 2024-2025 (mantendo, assim, um ritmo robusto de expans\u00e3o, ainda que mais moderado que no bi\u00eanio anterior).<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Com ofensas \u00e0 gram\u00e1tica, redund\u00e2ncias e emprego de uma ret\u00f3rica mais afeita a campanha pol\u00edtica e propaganda comercial que a instrumentos diplom\u00e1ticos, inclusive fazendo uso de uma agressividade inadmiss\u00edvel, o petardo de Trump, como j\u00e1 se comentou, parte de um ataque \u00e0s institui\u00e7\u00f5es brasileiras pelos infort\u00fanios do golpista Jair Bolsonaro, e afinal se queixa de um super\u00e1vit comercial do Brasil em rela\u00e7\u00e3o aos EUA <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 algo que n<\/span><span class=\"cf0\">\u00e3o ocorre h\u00e1 mais de 15 anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">A amea\u00e7a do capo <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 aplicar um tarifa<\/span><span class=\"cf0\">\u00e7o de 50% a todas as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para os EUA <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 decerto pode gerar preju<\/span><span class=\"cf0\">\u00edzos para os nossos setores de manufaturados, agroind\u00fastria, petr\u00f3leo e derivados (entre outros), resultando em desemprego; mas pode tamb\u00e9m elevar os custos de setores industriais estadunidenses que hoje carecem de insumos brasileiros (como a\u00e7o, alum\u00ednio, celulose), gerando press\u00e3o dom\u00e9stica, e contribuir para estreitar os la\u00e7os entre Bras\u00edlia e Beijing.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Extasiado com o pr\u00f3prio umbigo, Donald esquece que tudo tem, ao menos, dois lados.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">O fiasco do rugido presidencial, neste caso, se assemelharia ao do cassino Taj Mahal, um de seus muitos empreendimentos fracassados <\/span><span class=\"cf1\">\u2013 o qual, afundado em d<\/span><span class=\"cf0\">\u00edvidas, entrou em fal\u00eancia apenas um ano ap\u00f3s ser inaugurado com pompa e circunst\u00e2ncia (patrim\u00f4nio da humanidade, o magn\u00edfico Taj Mahal indiano subiste h\u00e1 quase 4 s\u00e9culos).<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Um dado curioso: investido no papel de <\/span><span class=\"cf0\">bully<\/span><span class=\"cf0\"> global, Trump enviara, dois dias antes, cartas id\u00eanticas entre si (e quase id\u00eanticas \u00e0 que endere\u00e7aria a Lula) aos l\u00edderes de Coreia do Sul, Lee <\/span><span class=\"cf0\">Jae-myung<\/span><span class=\"cf0\">, e Jap\u00e3o, <\/span><span class=\"cf0\">Ishiba<\/span> <span class=\"cf0\">Shigeru<\/span><span class=\"cf0\">. Tamb\u00e9m atravessadas por erros gramaticais e problemas de estilo, as cartas padronizadas ostentam um tom autocongratulat\u00f3rio descabido, passam ao largo do que se conhece como diplomacia e ignoram o modo como negocia\u00e7\u00f5es comerciais se d\u00e3o entre na\u00e7\u00f5es soberanas: ao lado da amea\u00e7a de eleva\u00e7\u00e3o de &#8220;<\/span><span class=\"cf0\">Tariffs<\/span><span class=\"cf0\">&#8221; (assim mesmo, com mai\u00fascula), o magnata convida os contrapartes a &#8220;participar da extraordin\u00e1ria economia dos Estados Unidos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Prato cheio para estudos nas \u00e1reas de lingu\u00edstica, psican\u00e1lise e, claro, rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Refor\u00e7ando o mergulho no bizarro, e a impress\u00e3o de que o pa\u00eds de Abraham Lincoln n\u00e3o est\u00e1 sendo governado por um adulto funcional, os perfis da Casa Branca e do pr\u00f3prio Trump no <\/span><span class=\"cf0\">ex-Twitter<\/span><span class=\"cf0\"> exibiram, dias depois, uma imagem do presidente retratado como Superman. \u00c9, sem d\u00favida, desafiador interpretar essa avalanche semi\u00f3tica. Por onde come\u00e7ar? Para o fil\u00f3sofo italiano Franco <\/span><span class=\"cf0\">Berardi<\/span><span class=\"cf0\">, &#8220;Trump \u00e9 a erup\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica do inconsciente branco senil; ele \u00e9 a forma pol\u00edtica monstruosa na qual se manifesta a inumer\u00e1vel multid\u00e3o de fantasmas que assombram a mem\u00f3ria e a autopercep\u00e7\u00e3o desse povo infeliz&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">A carta ao presidente Lula provocou rea\u00e7\u00f5es diversas no Brasil, por exemplo: os presidentes da C\u00e2mara e do Senado exibiram, juntos, a covardia que deles se espera, o jornal\u00e3o dos Mesquita teve um arroubo nacionalista inusitado e um diplomata de pijama sentenciou, sabuj\u00edssimo, que &#8220;o assunto \u00e9 t\u00e9cnico; politiz\u00e1-lo \u00e9 um erro&#8221;. Como se habitasse um universo paralelo, o presidenci\u00e1vel governador de SP (que dia desses posou para fotografia exibindo um bon\u00e9 com o lema &#8220;Make <\/span><span class=\"cf0\">America<\/span> <span class=\"cf0\">Great<\/span> <span class=\"cf0\">Again<\/span><span class=\"cf0\">&#8220;) saiu-se com esta: &#8220;Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse \u00e9 o resultado.&#8221; As redes sociais foram inundadas por express\u00f5es de rep\u00fadio \u00e0 agress\u00e3o norte-americana (com direito a um hil\u00e1rio <\/span><span class=\"cf0\">vampeta\u00e7o<\/span><span class=\"cf0\">), e uma manifesta\u00e7\u00e3o em defesa da soberania nacional convocada pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, al\u00e9m de sindicatos, levou mais de 15 mil pessoas \u00e0 Avenida Paulista.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Registre-se, para os anais da indignidade de um Congresso que mais e mais se rebaixa: horas ap\u00f3s a diatribe de Trump ganhar as manchetes, a Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Defesa Nacional da C\u00e2mara dos Deputados, comandada pelo partido do <\/span><span class=\"cf0\">ex-capit\u00e3o<\/span><span class=\"cf0\">, aprovou uma &#8220;mo\u00e7\u00e3o de louvor&#8221; ao mandat\u00e1rio estadunidense. Sem medo ou pejo do rid\u00edculo, o proponente da coisa (um deputado fluminense ligado a Silas Malafaia), se permitiu justificar a homenagem &#8220;pelo brilhante trabalho desenvolvido por ele como presidente da maior na\u00e7\u00e3o e pela incans\u00e1vel luta em defesa da democracia e da liberdade de express\u00e3o em todo o planeta&#8221;. Uma p\u00e9rola da vassalagem.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">H\u00e1 quem diga que, na semana que passou, a corrida presidencial de 2026 come\u00e7ou para valer. \u00c9 poss\u00edvel. Seja como for, o governo Lula finalmente demonstrou acerto na estrat\u00e9gia comunicacional, reagindo com firmeza \u00e0 agress\u00e3o, e mostrando que a paralisia pelo medo n\u00e3o funcionar\u00e1 por aqui. O ataque de Trump, pondo a nu o car\u00e1ter conspirat\u00f3rio, antinacional, de Bolsonaro e sua gangue (que j\u00e1 fornece condi\u00e7\u00f5es para a pris\u00e3o cautelar), tamb\u00e9m os exp\u00f5e a conflitos com sua pr\u00f3pria base; al\u00e9m disso, permite a Lula sair da defensiva e dar passos na dire\u00e7\u00e3o da frente ampl\u00edssima com que sonha a socialdemocracia.<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">O caminho pelo centro, contudo, tende a ser tortuoso, dif\u00edcil, como s\u00e3o os ensaios de concilia\u00e7\u00e3o de classes neste pa\u00eds moldado pela desigualdade abissal, e dominado por uma elite avessa a compromissos. Vejamos, para refrescar a mem\u00f3ria, o que dizia o Valor Online em 21\/09\/2018, em mat\u00e9ria sobre a queda do d\u00f3lar, que vinha em trajet\u00f3ria de alta: &#8220;O al\u00edvio no mercado brasileiro se d\u00e1 pela leitura de que Jair Bolsonaro se firma como o candidato forte para o 2\u00ba turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial. Por mais que n\u00e3o seja o candidato ideal para parte dos profissionais de mercado, o presidenci\u00e1vel \u00e9 apontado como o principal ponto de resist\u00eancia contra a volta de governos \u00e0 esquerda.&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"pf0\"><span class=\"cf0\">Nossos <\/span><span class=\"cf0\">Gordons<\/span> <span class=\"cf0\">Gekkos<\/span> <span class=\"cf1\">\u2013 grandes e pequenos \u2013 topam tudo, tudo mesmo, para deter qualquer amea<\/span><span class=\"cf0\">\u00e7a de redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social, isto \u00e9, para evitar a substitui\u00e7\u00e3o disso que a\u00ed est\u00e1 pelo &#8220;<\/span><span class=\"cf0\">something<\/span> <span class=\"cf0\">better<\/span><span class=\"cf0\">&#8221; que, como aponta a camarada <\/span><span class=\"cf0\">Jodi<\/span><span class=\"cf0\"> Dean, \u00e9 algo que podemos conquistar.<\/span><\/p>\n<p><!--EndFragment --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Palavras, palavras, palavras&#8221; \u2013 Shakespeare, Hamlet &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; Numa cena memor\u00e1vel de &#8220;Wall Street \u2013 Poder e Gl\u00f3ria&#8221; (1987), de Oliver Stone, o especulador inescrupuloso Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas, explica a seu pupilo bestificado as regras do jogo em que sempre vence: &#8220;O 1% mais rico possui metade da riqueza do pa\u00eds, cinco trilh\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":222834,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-358229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358229"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":358232,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358229\/revisions\/358232"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/222834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}