{"id":358498,"date":"2025-07-21T05:00:42","date_gmt":"2025-07-21T08:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=358498"},"modified":"2025-07-17T13:35:11","modified_gmt":"2025-07-17T16:35:11","slug":"rafael-conhecido-por-redcap-ao-completar-30-anos-se-depara-com-mulher-misteriosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rafael-conhecido-por-redcap-ao-completar-30-anos-se-depara-com-mulher-misteriosa\/","title":{"rendered":"Rafael, conhecido por Redcap, ao completar 30 anos, se depara com mulher misteriosa"},"content":{"rendered":"<p>Sob os ladrilhos reluzentes diante de uma noite chuvosa, em meio a penumbra presente na esquina da Rua das Tenta\u00e7\u00f5es, Redcap, como era chamado Rafael, pensava sobre a sua vida at\u00e9 ent\u00e3o vivida. A vida que como um sopro atravessou gera\u00e7\u00f5es, guerras, epidemias, revolu\u00e7\u00f5es de todos os tipos.<\/p>\n<p>Redcap n\u00e3o imaginava que se sentiria t\u00e3o infeliz at\u00e9 a chegada daquele momento. A madrugada de 17 de julho de 2025. Uma madrugada solit\u00e1ria, silenciosa, exceto pelo som do chuvisco que ca\u00eda sobre as cal\u00e7adas, ruas, avenidas e vielas. Poucos postes de luz no local. Um cheiro repugnante de urina e cerveja. Sombras de todos os tipos faziam-se presentes, homenageando a penumbra outrora citada. Sombras do passado, do presente e, talvez, de um futuro.<\/p>\n<p>Naquela noite sem fim, onde completava seus 30 anos de vida neste planeta azul, ele tentava acender um cigarro em meio a umidade local. Falhou nove vezes. Assim como falhou com seu trabalho, suas amizades, sua fam\u00edlia, sua noiva, e por \u00faltimo, consigo mesmo.<\/p>\n<p>Redcap era morno, no sentido mais figurado que a palavra pudesse expressar. Morno \u00e9 aquela figura med\u00edocre, j\u00e1 dizia seu av\u00f4. N\u00e3o andava para frente, mas tamb\u00e9m n\u00e3o recuava. Ajudava os outros, mas nem sempre. Trabalhava, mas n\u00e3o \u00e9 especial no que faz. Estudava, mas seu desempenho era apenas &#8220;ok&#8221;. Aplicando esta mesma compara\u00e7\u00e3o com as falhas de Redcap, entendemos que ele apenas carregava consigo o peso de n\u00e3o ser visto de maneira diferente em nada , seja no amor, no dinheiro, no servi\u00e7o, nos la\u00e7os com os outros. Apenas um cara razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>Voc\u00ea deve estar se perguntando porque Rafael \u00e9 chamado de Redcap. \u00c9 um apelido bobo, mas acabou perdurando e virou sua marca registrada. Quando ele tinha 10 anos, decidiu que estava crescido demais e queria se diferenciar dos outros, que na escola usavam o mesmo corte de cabelo, tinham a mesma cor de pele e falavam sobre as mesmas coisas. Inocentemente, o garoto decidiu usar um bon\u00e9 vermelho, com um s\u00edmbolo da empresa que produzia aquele produto na traseira (perto do regulador). Ocorre que Redcap n\u00e3o desistiu dessa ideia, e mesmo com os apelidos, continuava a usar o mesmo bon\u00e9 at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>Naquela madrugada, pela primeira vez, ele cedeu as suas emo\u00e7\u00f5es mais profundas e chorou. Mas como chovia, n\u00e3o eram l\u00e1grimas, dizia. Lembrava do seu passado e como lhe do\u00eda a solid\u00e3o entre pessoas. Estar diante de tanta gente, em meio ao centro da cidade carioca, e ainda assim, perdurar por aquelas bandas at\u00e9 ser o \u00faltimo a ficar. Vagar sozinho pelas ruelas, como se uma entidade fosse. Era estranho aquele v\u00e1cuo de inexist\u00eancia de import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha medo. N\u00e3o tinha pavor. Nada mais lhe afetava. O vazio das palavras n\u00e3o ditas, dos sentimentos n\u00e3o vividos, das ang\u00fastias mal resolvidas e dos excessos que se arrependeu, faziam estrondos em sua mente. Ele temia dormir, porque n\u00e3o conseguiria. Por isso, como continuaria por ali, decidiu acender o d\u00e9cimo cigarro. Uma falha a mais n\u00e3o faria diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Enquanto tentava, identificou um assobio. Um barulho leve, brando, agudo e que lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o, do mesmo modo que, em contraponto, causou-lhe horror e temor. A conclus\u00e3o era a mesma para ambos os sentimentos: n\u00e3o estava sozinho.<\/p>\n<p>No meio da viela, em uma madrugada abandonada, na solid\u00e3o da escurid\u00e3o, Redcap estava acompanhando. Logo a figura se revelou. Era uma mulher de preto. Cabelos m\u00e9dios, negros, pele branca como a neve. Olhos de felina enciumada, com um l\u00e1pis de olho aplicado ao redor. Voz mansa, calma, pausada. O rosto fino, esculpido por deuses.<\/p>\n<p>&#8211; Ol\u00e1, Redcap. Como se sente esta noite? &#8211; indagou a mulher, ainda distante do rapaz, enquanto se aproximava com passos ritmados.<br \/>\n&#8211; Quem \u00e9 voc\u00ea? Como sabe meu nome? &#8211; contestou Redcap, desconfiado, enquanto levantava a aba do seu bon\u00e9 vermelho para enxergar melhor.<br \/>\n&#8211; Eu sou a sua consci\u00eancia. &#8211; ela disse, enquanto dava uma gargalhada sat\u00edrica.<br \/>\n&#8211; Que pena. Est\u00e1 fazendo um p\u00e9ssimo trabalho. &#8211; ele respondeu, com um sorriso de canto de boca.<\/p>\n<p>Redcap n\u00e3o sabia, entretanto, que aquele era o come\u00e7o do fim. Ou, quem sabe, o come\u00e7o definitivo de um novo amanh\u00e3. O dia em que daria adeus a este Mundo.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>A parte II deste folhetim ser\u00e1 publicada na ter\u00e7a-feira, 22<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob os ladrilhos reluzentes diante de uma noite chuvosa, em meio a penumbra presente na esquina da Rua das Tenta\u00e7\u00f5es, Redcap, como era chamado Rafael, pensava sobre a sua vida at\u00e9 ent\u00e3o vivida. A vida que como um sopro atravessou gera\u00e7\u00f5es, guerras, epidemias, revolu\u00e7\u00f5es de todos os tipos. Redcap n\u00e3o imaginava que se sentiria t\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":358501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-358498","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358498"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":358503,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358498\/revisions\/358503"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/358501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}