{"id":358778,"date":"2025-07-30T00:46:30","date_gmt":"2025-07-30T03:46:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=358778"},"modified":"2025-07-19T10:47:25","modified_gmt":"2025-07-19T13:47:25","slug":"amigos-durante-a-adolescencia-se-reencontram-depois-de-velhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/amigos-durante-a-adolescencia-se-reencontram-depois-de-velhos\/","title":{"rendered":"Amigos durante a adolesc\u00eancia se reencontram depois de velhos"},"content":{"rendered":"<p>Um her\u00f3i civilizador, que nem o Kukulk\u00e1n maia, a Serpente emplumada ou a Estrela d\u2019alva, a quem os astecas chamavam de Quetzalcoatl: era essa a opini\u00e3o de Eduardo sobre seu amigo Aguinaldo. Os dois se conheceram nos long\u00ednquos anos 1970, quando Eduardo come\u00e7ou a namorar uma grande amiga do Kukulk\u00e1n paulistano. (Eduardo casou com a mo\u00e7a e descasou, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria)<\/p>\n<p>O que deu \u00e0 Estrela d\u2019Alva da paulic\u00e9ia sua dimens\u00e3o de desbravador cultural foi um epis\u00f3dio, atribu\u00eddo a ele, que conquistou multid\u00f5es urbi et orbi. Diz o relato que Aguinaldo, por volta dos quatorze anos, estava em casa de um amigo, quando a m\u00e3e dele perguntou, sol\u00edcita.<\/p>\n<p>&#8211; Aguinaldinho, meu filho, voc\u00ea vai jantar conosco, n\u00e3o vai? Gosta de f\u00edgado com jil\u00f3? (Ou outra coisa incom\u00edvel, a crit\u00e9rio do leitor.)<\/p>\n<p>Aguinaldo respondeu, todo cortesia:<\/p>\n<p>&#8211; Gosto. Mas n\u00e3o a ponto de comer.<\/p>\n<p>Esse di\u00e1logo ficou famoso entre os amigos de Eduardo, que o utilizaram a torto e a direita, na maior parte das vezes com conota\u00e7\u00f5es libidinosas. E mais, atribu\u00edram a p\u00e9rola de resposta a Eduardo, por mais que o atleta o desmentisse, fiel ao preceito b\u00edblico de dar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, dar a Deus o que \u00e9 de Deus, dar a Aguinaldo o que \u00e9 de Aguinaldo.<\/p>\n<p>Os dois passavam horas jogando xadrez e trocando farpas, com o humor ferino que era a marca registrada de ambos. Curtiam, em especial, a brincadeira de calhorda, tirada, creio, de uma tirinha de O Pasquim (a mem\u00f3ria deste escriba \u00e9 uma lama). Consistia em afirmar o \u00f3bvio e emendar, no final, um \u201cn\u00e9, calhorda?\u201d. Tipo assim:<\/p>\n<p>&#8211; Lendo este texto, n\u00e9 calhorda?<\/p>\n<p>&#8211; Sim.<\/p>\n<p>&#8211; Concordando comigo, n\u00e9 calhorda?<\/p>\n<p>E por a\u00ed seguia, at\u00e9 que um dos dois, cansado da brincadeira, dissesse:<\/p>\n<p>&#8211; Calhorda \u00e9 voc\u00ea!<\/p>\n<p>E ent\u00e3o vinha<em> il gran finale<\/em>:<\/p>\n<p>&#8211; Me chamando de calhorda, n\u00e9 calhorda?<\/p>\n<p>Ambos riam dessa bobagem. Era uma del\u00edcia ser bobo e jovem, nos anos 1970.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, como ensinou Cazuza, o tempo n\u00e3o para, Aguinaldo e Eduardo seguiram trajet\u00f3rias diferentes, nunca mais se viram. Foram se reencontrar mais de 40 anos depois, no anivers\u00e1rio da ex-esposa de Eduardo, que permanecera amiga dele.<\/p>\n<p>Os dois ve\u00ednhos se olharam. Aguinaldo foi o primeiro a falar, visivelmente emocionado:<\/p>\n<p>&#8211; Oi Eduardo, a quanto tempo! Que saudade, amigo!<\/p>\n<p>A bola ficou viva na \u00e1rea, Eduardo encheu o p\u00e9. Gostava de Aguinaldo, mas n\u00e3o a ponto de deixar passar uma oportunidade daquelas. E fuzilou:<\/p>\n<p>&#8211; Ficou emocionado, n\u00e9 calhorda? Me cumprimentando, n\u00e9 calhorda? Vendo que os anos passaram, n\u00e9 calhorda? Sentindo saudade, n\u00e9 calhorda? Me chamando de amigo, n\u00e9 calhorda?<\/p>\n<p>E se afastou, vitorioso, enquanto o amigo tentava recuperar as regras de um jogo, desbotadas pelo tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um her\u00f3i civilizador, que nem o Kukulk\u00e1n maia, a Serpente emplumada ou a Estrela d\u2019alva, a quem os astecas chamavam de Quetzalcoatl: era essa a opini\u00e3o de Eduardo sobre seu amigo Aguinaldo. Os dois se conheceram nos long\u00ednquos anos 1970, quando Eduardo come\u00e7ou a namorar uma grande amiga do Kukulk\u00e1n paulistano. 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