{"id":359239,"date":"2025-07-27T03:00:38","date_gmt":"2025-07-27T06:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=359239"},"modified":"2025-07-24T16:36:20","modified_gmt":"2025-07-24T19:36:20","slug":"muito-alem-de-um-carro-um-estilo-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/muito-alem-de-um-carro-um-estilo-de-vida\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m de um carro, um estilo de vida"},"content":{"rendered":"<p>Velho companheiro de olhos grandes<\/p>\n<p>E forma de esfera rota, azul no espa\u00e7o<\/p>\n<p>De harmonia l\u00edquida, flu\u00edda, que passa<\/p>\n<p>Pelas estradas como um peda\u00e7o de universo.<\/p>\n<p>No barulho do teu assovio, descanso<\/p>\n<p>E fico dentro de voc\u00ea como num planeta<\/p>\n<p>Do qual sou o rei, o dono e o juiz.<\/p>\n<p>Ah, viatura t\u00e3o vivida<\/p>\n<p>Quantas hist\u00f3rias escondem teus bancos<\/p>\n<p>Gastos e barulhentos?<\/p>\n<p>Muito mais hist\u00f3rias do que eu sei<\/p>\n<p>S\u00e3o cinco anos, dez anos, vinte anos,<\/p>\n<p>Quarenta e cinco ou mais nos quais viveste<\/p>\n<p>Com a mesma cara, as mesmas cores, formas e texturas.<\/p>\n<p>Melhoraste, ainda, nos \u00faltimos anos, sob meus cuidados.<\/p>\n<p>Eu que te cuido como a um companheiro e amigo<\/p>\n<p>E tu me respondes secretamente no brilho<\/p>\n<p>Dos aros dos teus far\u00f3is redondos apagados.<\/p>\n<p>Vem o dia. Levo a chave gasta e p\u00e1lida \u00e0 fechadura<\/p>\n<p>Que d\u00e1 o teu contato.<\/p>\n<p>Tudo vibra neste universo particular de curvas<\/p>\n<p>De pl\u00e1sticos, de cheiros e de poeira.<\/p>\n<p>L\u00e1 atr\u00e1s, como das narinas de um touro<\/p>\n<p>Sai uma fuma\u00e7a branca, normal para a tua idade<\/p>\n<p>E teus cilindros se entrechocam<\/p>\n<p>Metal contra metal, parede contra parede<\/p>\n<p>Na fric\u00e7\u00e3o ideal de meu passeio.<\/p>\n<p>O \u00f3leo circula, passa, esquenta<\/p>\n<p>E, quente, lubrifica teu cora\u00e7\u00e3o antigo<\/p>\n<p>Rodado.<\/p>\n<p>A concha com p\u00e9rola na alavanca que aponta a primeira<\/p>\n<p>\u00c9 ainda mais misteriosa.<\/p>\n<p>Saio.<\/p>\n<p>Teus ru\u00eddos met\u00e1licos j\u00e1 me s\u00e3o bem conhecidos.<\/p>\n<p>Em cada curva te comportas como animal selvagem<\/p>\n<p>Um cavalo em que vou montado sobre caminhos<\/p>\n<p>Estradas, pastos<\/p>\n<p>E que n\u00e3o treme diante das asperezas do solo.<\/p>\n<p>Um \u00edndio e um bandeirante me encaram<\/p>\n<p><em>Paulistarum terra mater<\/em>.<\/p>\n<p>O canto da tua m\u00e1quina \u00e9 m\u00fasica<\/p>\n<p>Faz-me dispensar qualquer outra<\/p>\n<p>Mas, ao alcance da minha m\u00e3o direita<\/p>\n<p>Posso tamb\u00e9m ligar o r\u00e1dio<\/p>\n<p>Que nas ondas curtas me traz vozes de regi\u00f5es long\u00ednquas.<\/p>\n<p>Quatro tiras de borracha v\u00e3o imprimindo minha hist\u00f3ria<\/p>\n<p>No solo.<\/p>\n<p>Quanto j\u00e1 andei, estive e voltei!<\/p>\n<p>O negro arco do teu volante faz<\/p>\n<p>A \u00f3rbita da minha liberdade.<\/p>\n<p>Teus poucos espelhos me fazem deixar para tr\u00e1s<\/p>\n<p>Os problemas, as preocupa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>E tua fronte em forma de montanha<\/p>\n<p>Corta o vento \u00e0 minha frente.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina sempre pronta, nervosa, r\u00e1pida<\/p>\n<p>Leva-me e leva-me e leva-me.<\/p>\n<p>Pedes t\u00e3o pouco em troca.<\/p>\n<p>Companheiro fiel, forte como um cavalo<\/p>\n<p>Cinquenta e dois deles juntos!<\/p>\n<p>Macio como um gato, obediente como um c\u00e3o<\/p>\n<p>Eu te quero sempre inteiro<\/p>\n<p>Para, juntos, escrevermos nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>.<strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Marchi (@prof.danielmarchi) \u00e9 editor-executivo de Notibras.com, onde, com Eduardo Mart\u00ednez e Cec\u00edlia Baumann, comanda o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio. Carioca, \u00e9 advogado e professor. Poeta, escreveu os livros \u201cA Verdade nos Seres\u201d e \u201cTerrit\u00f3rio do Sonho\u201d (no prelo).<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Velho companheiro de olhos grandes E forma de esfera rota, azul no espa\u00e7o De harmonia l\u00edquida, flu\u00edda, que passa Pelas estradas como um peda\u00e7o de universo. No barulho do teu assovio, descanso E fico dentro de voc\u00ea como num planeta Do qual sou o rei, o dono e o juiz. 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