{"id":359274,"date":"2025-08-09T01:14:02","date_gmt":"2025-08-09T04:14:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=359274"},"modified":"2025-07-24T18:14:44","modified_gmt":"2025-07-24T21:14:44","slug":"samanta-alia-que-era-parece-que-se-apaixonou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/samanta-alia-que-era-parece-que-se-apaixonou\/","title":{"rendered":"Samanta, ali\u00e1 que era, parece que se apaixonou"},"content":{"rendered":"<p>Samanta tinha mem\u00f3ria de elefante. O que n\u00e3o chega a surpreender: ela era uma jovem ali\u00e1 (f\u00eamea de elefante, aprendi essa palavra no gin\u00e1sio, sempre quis usar). S\u00f3 tinha um problema, era t\u00e3o distra\u00edda quanto memoriosa.<\/p>\n<p>Ela pastava, em devaneios, pela savana, acompanhando os demais paquidermes. Mas pouco a pouco, afastou-se, atra\u00edda por algumas folhinhas tenras. E foi assim, isolada, que o formig\u00e3o a viu: uma besta magn\u00edfica, pestanuda, f\u00eamea at\u00e9 o \u00faltimo fiozinho de pelo, grande como uma montanha (pelo menos da perspectiva, digamos, terra a terra, de uma formiga). Foi olhar e apaixonar-se perdidamente.<\/p>\n<p>O formig\u00e3o aproximou-se e decidiu declarar o seu amor. Falou em voz suave:<\/p>\n<p>&#8211; Querida&#8230;<\/p>\n<p>Nenhuma rea\u00e7\u00e3o da elefanta. O macho viu que precisaria falar muito mais alto.<\/p>\n<p>&#8211; Querida!!! \u2013 berrou a plenos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>Samanta ouviu um murm\u00fario vindo do ch\u00e3o, voltou seus olhos pestanudos para o solo, viu uma formiguinha e perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; Que foi?<\/p>\n<p>&#8211; Te amo, f\u00eamea inesquec\u00edvel, amor da minha vida! \u2013 berrou a formiga. \u2013 Quero ter filhotes contigo, um formiante ou uma elemiga.<\/p>\n<p>A gargalhada de Samanta explodiu pela savana. Com sua mem\u00f3ria paquid\u00e9rmica, lembrou de uma historinha contada por exploradores brancos, \u00e0 luz da fogueira (n\u00e3o sei como animais entendem causos contados por humanos, s\u00f3 sei que foi assim).<\/p>\n<p>Era sobre um formig\u00e3o que se apaixona por uma ali\u00e1, segue-a pela mata, at\u00e9 que ela, compadecida ou entediada, decide aceitar suas propostas er\u00f3ticas. O machinho inicia os trabalhos, enquanto a f\u00eamea continua a vagar, em busca de folhas. L\u00e1 pelas tantas, um galho quebra e cai na cabe\u00e7a da elefanta, que solta um berro de dor. No mesmo momento o formig\u00e3o, preocupado e atencioso, perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; Machuquei-te, cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a levou Samanta a se compadecer de seu pretendente, t\u00e3o entregue a seus sonhos de amor quanto o da historinha.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o vem, sobe logo, porra!<\/p>\n<p>E continuou a pastar, distra\u00edda, enquanto o formig\u00e3o, mal acreditando em sua boa sorte, na concretiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de seus del\u00edrios er\u00f3ticos, subiu por uma das pernas at\u00e9 colar em suas partes altas (partes baixas de elefanta ficam bem alto, ainda mais da perspectiva de uma formiga).<\/p>\n<p>O formig\u00e3o ficou l\u00e1, suando a camisa que n\u00e3o usava, at\u00e9 terminar. E depois relaxou, suas patinhas amoleceram, e deslizou pelo lombo de Samanta. Ficou deitado na grama, feliz e realizado \u2013 e a elefanta, esquecida de sua exist\u00eancia, recuou para juntar-se \u00e0 manada e esmagou com uma das patonas seu pobre amante.<\/p>\n<p>Moral (?) da hist\u00f3ria: Morrer de amor \u00e9 rom\u00e2ntico, mas d\u00f3i pra ded\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samanta tinha mem\u00f3ria de elefante. O que n\u00e3o chega a surpreender: ela era uma jovem ali\u00e1 (f\u00eamea de elefante, aprendi essa palavra no gin\u00e1sio, sempre quis usar). S\u00f3 tinha um problema, era t\u00e3o distra\u00edda quanto memoriosa. Ela pastava, em devaneios, pela savana, acompanhando os demais paquidermes. 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