{"id":359367,"date":"2025-08-12T02:36:14","date_gmt":"2025-08-12T05:36:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=359367"},"modified":"2025-08-12T02:38:08","modified_gmt":"2025-08-12T05:38:08","slug":"era-uma-vez-uma-historia-que-nao-tinha-nada-a-ver-com-os-contos-de-fadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/era-uma-vez-uma-historia-que-nao-tinha-nada-a-ver-com-os-contos-de-fadas\/","title":{"rendered":"Era uma vez uma hist\u00f3ria que n\u00e3o tinha nada a ver com os contos de fadas"},"content":{"rendered":"<p>Em uma outra dimens\u00e3o, em uma dobra do espa\u00e7otempo, n\u00e3o muito longe da ilha das amazonas, havia outra ilha chamada Lian, que abrigava um pa\u00eds do mesmo nome. Lian, o pa\u00eds, era diferente dos reinos dos contos de fadas. Primeiro, n\u00e3o tinha rei nem rainha, era uma rep\u00fablica, governada por um gestor eleito pelos cidad\u00e3os. Segundo, abrigava uma grande quantidade de animais trazidos da nossa dimens\u00e3o: vacas e touros, \u00e9guas e cavalos, galinhas e galos. Sorte deles, na ilha n\u00e3o havia predadores nem serpentes venenosas e toda a popula\u00e7\u00e3o era vegetariana. Matar um bicho para comer sua carne era algo inimagin\u00e1vel. Seria o maior dos crimes, praticamente t\u00e3o grave quanto matar uma pessoa.<\/p>\n<p>Lian era uma rep\u00fablica havia bem pouco tempo, apenas 14 anos. Antes, como os reinos dos contos de fadas, tinha rei, rainha e uma linda princesinha, mas os tr\u00eas haviam desaparecido em um naufr\u00e1gio do iate real, golpeado por terr\u00edvel tempestade. Seus corpos jamais foram encontrados. Desolada, a popula\u00e7\u00e3o aboliu a monarquia e proibiu o uso dos nomes das tr\u00eas v\u00edtimas \u2013 Leon\u2019nel, o rei; Leia\u2019a, a rainha, e Lian\u2019na, a princesinha \u2013 para as crian\u00e7as nascidas depois daquele dia triste.<\/p>\n<p>Mas havia pelo menos outra Lian\u2019na no pa\u00eds. Era uma jovem de quase 16 anos, nascida antes da trag\u00e9dia ocorrida com a princesa. Mesmo assim, muitas vezes era criticada por gente intolerante (h\u00e1 pessoas assim por toda parte, at\u00e9 mesmo nas rep\u00fablicas vegetarianas situadas em uma dimens\u00e3o paralela \u00e0 nossa), que a censuravam por insistir em manter sua denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Muda de nome, menina teimosa! \u2013 ela ouvia todos os dias. &#8211; \u00c9 o m\u00ednimo que voc\u00ea pode fazer, em respeito \u00e0 princesinha desaparecida.<\/p>\n<p>Mas ela ignorou as censuras e conservou o nome escolhido pelos pais. E por uma raz\u00e3o: Lian\u2019na lembrava de tudo.<\/p>\n<p>Em seus frequentes pesadelos, e mesmo em momentos de vig\u00edlia, ela revivia o naufr\u00e1gio, as velas se rasgando, as madeiras se estilha\u00e7ando e todos a bordo sendo tragados pelas \u00e1guas. Sobrevivera n\u00e3o sabia como, estava desfalecida, mas tinha uma vaga lembran\u00e7a de que, pouco antes de perder os sentidos, uma foca se aproximou e transmitiu-lhe a mensagem:<\/p>\n<p>&#8211; Pobre menina, vou lev\u00e1-la at\u00e9 a praia!<\/p>\n<p>Fazia sentido, pois Lian\u2019na desde bebezinha podia conversar, em pensamento, com toda esp\u00e9cie de animais.<\/p>\n<p>\u00c0 beira da morte, a pequena n\u00e1ufraga foi resgatada por uma fam\u00edlia de agricultores que vivia perto da costa. Teve uma inf\u00e2ncia sem luxos mas sem grandes dificuldades, at\u00e9 porque a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade eram gratuitos para todos os habitantes da ilha. Foi uma filha obediente para o casal sem outras crian\u00e7as, exceto em um ponto: recusou-se a aceitar o nome da m\u00e3e de sua salvadora.<\/p>\n<p>&#8211; Meu nome \u00e9 Lian\u2019na desde que nasci, e vai continuar sendo! \u2013 repetia, sempre que os pais tentavam cham\u00e1-la pelo nome da av\u00f3 posti\u00e7a.<\/p>\n<p>Resignados, eles tiveram de cham\u00e1-la de Liana, sem a dobra de consoantes e a aspa simples identificadoras dos nomes da nobreza \u2013 e que, \u00e9 evidente, s\u00f3 eram percebidas na escrita.<\/p>\n<p>Lian\u2019na, Liana para os pais e os demais habitantes da pequena comunidade, jamais se proclamou princesa. Na inf\u00e2ncia, n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o do que o t\u00edtulo significava, sabia apenas que havia perdido sua mam\u00e3e e seu papai t\u00e3o queridos. Depois, quando os bichos, reconhecendo sua ess\u00eancia, come\u00e7aram a cham\u00e1-la de princesa, considerou uma brincadeirinha, algo divertido, n\u00e3o mais que isso. Mais tarde, quando soube do desaparecimento, no mar, da fam\u00edlia real, achou mais prudente guardar sil\u00eancio. N\u00e3o tinha a menor inten\u00e7\u00e3o de reivindicar a coroa e estava consciente de que se revelar poderia causar problemas para seus pais de cria\u00e7\u00e3o, seus salvadores. A rep\u00fablica era jovem, rec\u00e9m-fundada, havia muitos nobres poderosos que cobi\u00e7avam a gest\u00e3o suprema e fariam de tudo para afastar novos concorrentes, em especial se viessem das camadas sociais mais humildes.<\/p>\n<p>A menina cresceu ajudando a fam\u00edlia nos trabalhos agr\u00edcolas. Ocasionalmente, ganhava um dinheiro extra prestando servi\u00e7os a terceiros no pastoreio \u2013 algo bem f\u00e1cil para ela, devido a seu dom de se comunicar telepaticamente com todos os bichos.<\/p>\n<p>O tempo passou. Aos 15 anos, Liana era uma jovem alta e forte, apesar do corpo esguio. Adorava esportes, todos, mas sa\u00eda-se melhor nas disputas de arco e flecha, nas corridas a cavalo e no futebol. Este \u00faltimo fora importado de nossa dimens\u00e3o e se transformou na grande paix\u00e3o da gente da ilha. As regras eram quase id\u00eanticas \u00e0s do chamado esporte bret\u00e3o do nosso planeta, mas havia diferen\u00e7as importantes.<\/p>\n<p>Primeiro, as equipes reuniam rapazes e mo\u00e7as, a igualdade de sexos era uma realidade do cotidiano em Lian. Segundo, n\u00e3o havia as chamadas faltas t\u00e1ticas, para impedir um ataque perigoso do advers\u00e1rio; quem procedesse assim era sumariamente afastado, por pelo menos uma temporada, por falta de esp\u00edrito esportivo. Terceiro, quando algu\u00e9m, por inabilidade, por chegar atrasado na disputa da pelota, atingia gravemente um atleta do outro time, ficava sem jogar at\u00e9 que sua v\u00edtima regressasse aos campos esportivos. E, al\u00e9m disso, ouvia vaias ensurdecedoras, pontilhadas por gritos de \u201cgrosso\u201d e \u2018brutamontes\u201d vindos de ambas as torcidas, Quarto, como n\u00e3o havia ind\u00fastria de pl\u00e1sticos no pa\u00eds, as bolas eram feitas de couro macio de filhotes de foca, retirado depois que estes morriam de causas naturais ou v\u00edtimas de predadores marinhos e s\u00f3 parcialmente devorados. Assim, eram poucas, tidas como objetos de grande valor. Finalmente, n\u00e3o havia equipes profissionais, todos eram amadores e tinham suas pr\u00f3prias profiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi nas disputas de arco e flecha e nas corridas de velocidade a cavalo que Luana se inscreveu, para as comemora\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio do pa\u00eds, abertas a homens e mulheres maiores de 15 anos. Para seu terceiro esporte, o futebol, a mo\u00e7a foi inscrita por sua equipe, \u00c1guias, onde atuava como meio-campista.<\/p>\n<p><strong>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<\/strong><\/p>\n<p><strong>A parte II deste folhetim ser\u00e1 publicada na quarta-feira, 13.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma outra dimens\u00e3o, em uma dobra do espa\u00e7otempo, n\u00e3o muito longe da ilha das amazonas, havia outra ilha chamada Lian, que abrigava um pa\u00eds do mesmo nome. Lian, o pa\u00eds, era diferente dos reinos dos contos de fadas. Primeiro, n\u00e3o tinha rei nem rainha, era uma rep\u00fablica, governada por um gestor eleito pelos cidad\u00e3os. 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