{"id":359796,"date":"2025-08-03T05:00:40","date_gmt":"2025-08-03T08:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=359796"},"modified":"2025-08-03T06:33:23","modified_gmt":"2025-08-03T09:33:23","slug":"pedro-nava-quem-diria-guarda-parentesco-com-o-filho-do-daniel-marchipedro-nava-quem-diria-guarda-parentesco-com-francisco-filho-do-poeta-e-escritor-daniel-marchi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pedro-nava-quem-diria-guarda-parentesco-com-o-filho-do-daniel-marchipedro-nava-quem-diria-guarda-parentesco-com-francisco-filho-do-poeta-e-escritor-daniel-marchi\/","title":{"rendered":"Pedro Nava, quem diria, guarda parentesco com o filho do Daniel Marchi"},"content":{"rendered":"<p>O Nordeste brasileiro recebeu, em tempos idos, um imigrante italiano que foi parar no Cear\u00e1. Da descend\u00eancia, um de seus bisnetos acabou casando-se com certa dama, oriunda de uma das mais antigas fam\u00edlias de Minas Gerais. Deste casal nasceu, em 1903, na cidade de Juiz de Fora, Pedro Nava.<\/p>\n<p>A genealogia dos Nava e dos Jaguaribe, dos quais Pedro descendia, \u00e9 brilhantemente remontada no monumental &#8220;Ba\u00fa de Ossos&#8221;, primeiro volume de sua obra de mem\u00f3rias, lan\u00e7ado em 1973. Na \u00e9poca, o autor j\u00e1 havia deixado uma reconhecida carreira de professor e m\u00e9dico, decis\u00e3o avisada num lac\u00f4nico bilhete ao sobrinho, tamb\u00e9m m\u00e9dico, com quem, por anos, Pedro dividira um conjunto de salas no centro do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Na medicina, ele foi pioneiro, no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, na \u00e1rea da reumatologia. Artista pl\u00e1stico de talento, pintava quadros a \u00f3leo e dizia que \u201cmod\u00e9stia \u00e0 parte, umas pinceladas eu sei dar\u201d. Ele tamb\u00e9m sabia de poesia. Foi classificado como poeta bissexto, e assim apareceu na antologia preparada por seu amigo e paciente Manuel Bandeira. &#8220;Mestre Aur\u00e9lio entre as rosas&#8221;, e &#8220;O Defunto&#8221; s\u00e3o considerados poemas de grande import\u00e2ncia para a literatura brasileira.<\/p>\n<p>Sobre este \u00faltimo, h\u00e1 um detalhe interessante: em 1968, Pablo Neruda fez uma de suas visitas ao Brasil. Aqui, ficou alguns dias hospedado na casa de Rubem Braga, onde foi entrevistado pela ent\u00e3o rep\u00f3rter Clarice Lispector. Perguntado sobre os poetas brasileiros, Neruda mencionou Drummond, Jorge de Lima, Paulo Mendes Campos e Geir Campos. Mas disse que seu poema brasileiro predileto era &#8220;O Defunto&#8221;, de Pedro Nava, que recitava em todo lugar para seus amigos.<\/p>\n<p>Nava casou-se com sua conterr\u00e2nea Antonieta Penido, e n\u00e3o teve filhos. Transferindo-se para a ent\u00e3o capital da Rep\u00fablica, estabeleceu-se como m\u00e9dico da assist\u00eancia p\u00fablica, tornando-se conhecido e respeitado nos bairros &#8220;barra-pesada&#8221; do Rio de Janeiro. Antes disso, em sua passagem por Belo Horizonte, ap\u00f3s a morte de sua av\u00f3 materna em 1913 \u2014 Maria Lu\u00edza Pinto Coelho da Cunha Jaguaribe, cujo primeiro marido fora Henrique Halfeld, a quem se atribui a funda\u00e7\u00e3o de Juiz de Fora \u2014 Nava fora amigo pr\u00f3ximo de Carlos Drummond de Andrade e colega de Juscelino Kubitschek na faculdade de medicina.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias de Pedro Nava, que seguiram em volumes como &#8220;Ch\u00e3o de Ferro&#8221;, &#8220;Beira-Mar&#8221; e &#8220;Bal\u00e3o Cativo&#8221;, evocam um Brasil e um Rio de Janeiro extintos. A partir de Minas que o viu nascer, e o Cear\u00e1 de suas ra\u00edzes paternas, Nava constr\u00f3i um retrato fidedigno da sociedade de sua \u00e9poca, com seus costumes e preconceitos.<\/p>\n<p>Ele trabalhava ainda em um novo volume quando morreu voluntariamente, em 1984, em estranhas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Foi navegar em outros mares, feito poema, mem\u00f3ria, hist\u00f3ria e can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ia terminar esta coluna evocando os versos de uma balada que Vin\u00edcius de Moraes comp\u00f4s para Pedro Nava, dizendo: &#8220;Meu amigo Pedro Nava, em que navio embarcou? A bordo do Westphalia ou a bordo do Lidador?&#8221;<\/p>\n<p>Mas, em tempo, Cec\u00edlia Baumann, nossa editora-assistente, lembrou que, no livro &#8220;A Verdade nos Seres&#8221;, do nosso colega do Notibras, Daniel Marchi, h\u00e1 um poema alusivo a Nava \u2014 parente de seu filho Francisco, por trincadas genealogias. Assim, encerro com os versos do companheiro de reda\u00e7\u00e3o, que dizem:<\/p>\n<p>Pedro, Pedro, onde andar\u00e1?<br \/>\nFoi no cora\u00e7\u00e3o das meninas?<br \/>\nFoi nos caminhos de Minas,<br \/>\nOu no mar do Cear\u00e1?<\/p>\n<p>Pedro, Pedro, seu assunto<br \/>\nFoi o grande ba\u00fa de ossos,<br \/>\nBrancos e magros como os nossos,<br \/>\nE tamb\u00e9m o seu Defunto&#8230;<\/p>\n<p>Pedro, Pedro, que saudade<br \/>\nDa leitura despreocupada<br \/>\nSobre a vida de gente passada,<br \/>\nDe beleza ou fealdade.<\/p>\n<p>Pedro, Pedro, testemunha<br \/>\nDe toda a hist\u00f3ria obscura<br \/>\nQue se encerra na sepultura<br \/>\nDo bisav\u00f4 Luiz da Cunha&#8230;<\/p>\n<p>Pedro, Pedro, fico devendo<br \/>\nUm poema a seu respeito,<br \/>\nFeito a um amigo do peito<br \/>\nNo livro que estou escrevendo.<\/p>\n<p>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<\/p>\n<p><strong>Cassiano Cond\u00e9, 82, ga\u00facho, deixou de teclar reportagens nas reda\u00e7\u00f5es por onde passou. Agora finca os p\u00e9s nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai p\u00e9rolas que se transformam em cr\u00f4nicas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Nordeste brasileiro recebeu, em tempos idos, um imigrante italiano que foi parar no Cear\u00e1. Da descend\u00eancia, um de seus bisnetos acabou casando-se com certa dama, oriunda de uma das mais antigas fam\u00edlias de Minas Gerais. Deste casal nasceu, em 1903, na cidade de Juiz de Fora, Pedro Nava. 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