{"id":359854,"date":"2025-08-03T02:00:28","date_gmt":"2025-08-03T05:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=359854"},"modified":"2025-08-03T06:31:13","modified_gmt":"2025-08-03T09:31:13","slug":"tereza-a-bebe-mulher-que-viveu-para-matar-cobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tereza-a-bebe-mulher-que-viveu-para-matar-cobras\/","title":{"rendered":"Tereza, a beb\u00ea-mulher que viveu para matar cobras"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar da mulher que matava cobras, que teria vivido no entorno do Distrito Federal, quando tudo ainda era Goi\u00e1s. Tereza dos Santos. Ou seria da Silva? Que fosse dos Santos da Silva ou mesmo da Silva dos Santos, isso n\u00e3o importa, pois, at\u00e9 onde fui informado, sobrenomes n\u00e3o alteram destinos. Quer dizer, n\u00e3o os da Silva ou dos Santos, t\u00e3o corriqueiros pelas bandas deste pa\u00eds imenso chamado Brasil, mas que tamb\u00e9m j\u00e1 foi conhecido por Pindorama.<\/p>\n<p>Tereza teria nascido no dia 31 de outubro de 1900, \u00faltimo ano do s\u00e9culo XIX. O parto, de t\u00e3o complicado, n\u00e3o poupou sua m\u00e3e, que foi enterrada dois dias depois. Sem a mulher para alimentar a rec\u00e9m-nascida, o pai tratou de arranjar uma cabra vermelha. O animal, que era muito apegado \u00e0 menina, tinha at\u00e9 nome: Bafom\u00e9.<\/p>\n<p>Aconteceu no anivers\u00e1rio de um ano da pequena Tereza, na presen\u00e7a de Bafom\u00e9, que ainda servia de m\u00e3e-de-leite. Enquanto a garotinha se divertia com os pr\u00f3prios p\u00e9s, a cabra sentiu a aproxima\u00e7\u00e3o de uma jararaca. Para quem visse tal cena, certamente imaginaria que a cabra n\u00e3o estava nem a\u00ed para o que pudesse vir a acontecer com a sua filha, ainda mais porque deu dois passos para tr\u00e1s, como se deixasse a serpente passar tranquilamente.<\/p>\n<p>E l\u00e1 foi a maldita venenosa. N\u00e3o tardou, estava a menos de meio palmo de dist\u00e2ncia da mi\u00fada. Esta, assim que percebeu a presen\u00e7a da jararaca, lhe mandou um inocente sorriso quase desprovido de dentes. N\u00e3o se sabe o que passou pela mente da v\u00edbora, pois ela ergueu um ter\u00e7o do corpo e, certeira que nem ca\u00e7adora experiente, fincou as presas naquelas tenras carnes.<\/p>\n<p>Aquilo seria o fim para qualquer beb\u00ea, caso n\u00e3o fosse por um por\u00e9m. Tereza nem pareceu sentir dor, pois, inesperadamente, seu sorriso se transformou em quase gargalhada. Quanto \u00e0 jararaca, s\u00f3 n\u00e3o levou um tombo porque n\u00e3o tinha pernas. Pois n\u00e3o \u00e9 que a pobre da cobra, naquele exato instante, partiu para o mundo do al\u00e9m? Dif\u00edcil de acreditar ou n\u00e3o, foi o que aconteceu.<\/p>\n<p>A not\u00edcia correu ligeira que nem pre\u00e1 fugindo de gato-do-mato. Como n\u00e3o tinha m\u00e9dico no vilarejo, foi chamado o padre, ainda mais porque os entendidos sabiam que era o mais apropriado. Chegou o vig\u00e1rio, chegou um bando de curiosos.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, perceberam que Tereza n\u00e3o havia sido batizada. O pai da garota foi questionado, mas n\u00e3o havia explica\u00e7\u00e3o a dar. Resolveu contar a verdade, que n\u00e3o era nenhuma. Que deixassem a filha em paz e fossem tomar conta das desgra\u00e7as das pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p>O imbr\u00f3glio durou quase toda a seca, mas algo n\u00e3o parece ter chamado a aten\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m. \u00c9 que n\u00e3o houve nem sequer uma v\u00edtima de picada de serpente desde o ocorrido. Seja como for, Tereza, o pai e a cabra tiveram que deixar a regi\u00e3o at\u00e9 a chegada das chuvas. E foi o que fizeram.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe se foi coincid\u00eancia ou coisa do Dem\u00f4nio o que se deu desde ent\u00e3o. \u00c9 que houve uma infesta\u00e7\u00e3o de jararacas, cascav\u00e9is e at\u00e9 surucucu. Toda a pequena popula\u00e7\u00e3o foi picada. Ningu\u00e9m sobreviveu.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe exatamente o que aconteceu com a pequena Tereza. Alguns afirmam que vive l\u00e1 pelos lados de Luzi\u00e2nia. Seu pai teria morrido em 1914 ou 1915. Entretanto, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, Bafom\u00e9 ainda protege a filha adotiva. Se \u00e9 verdade ou hist\u00f3ria inventada, n\u00e3o sou eu que irei desdizer o que me contaram numa roda de fogueira l\u00e1 pelos lados de Padre Bernardo, pertinho de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro \u201957 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor Muito Velho\u2019<\/strong><\/p>\n<p><strong>Compre aqui<\/strong>\u00a0<img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/16.0.1\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar da mulher que matava cobras, que teria vivido no entorno do Distrito Federal, quando tudo ainda era Goi\u00e1s. 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