{"id":360082,"date":"2025-08-05T00:29:24","date_gmt":"2025-08-05T03:29:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=360082"},"modified":"2025-08-05T11:34:48","modified_gmt":"2025-08-05T14:34:48","slug":"evento-reune-5-mil-mulheres-indigenas-em-busca-de-protecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/evento-reune-5-mil-mulheres-indigenas-em-busca-de-protecao\/","title":{"rendered":"Evento re\u00fane 5 mil mulheres ind\u00edgenas em busca de prote\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Foram mais de 32 horas de estrada dentro de um \u00f4nibus para a matriarca Pangroti Kayap\u00f3, de 60 anos, e a neta Nhaikapep, de 22, viajarem de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (AM) at\u00e9 Bras\u00edlia para participar da 1\u00aa Confer\u00eancia Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas, evento que come\u00e7ou na noite de segunda-feira (4).<\/p>\n<p>Para ambas, a confer\u00eancia pode ser um espa\u00e7o de den\u00fancia. Uma oportunidade para mostrar ao pa\u00eds todo como a comunidade ainda est\u00e1 ainda abalada pelas atividades do garimpo ilegal, na regi\u00e3o em que suas ancestrais nasceram e foram criadas para defender a natureza e seu modo de vida.<\/p>\n<p>A neta, que estudou em escola n\u00e3o ind\u00edgena, traduz para o portugu\u00eas o sentimento emocionado da av\u00f3, que se comunica apenas em seu idioma origin\u00e1rio:<\/p>\n<p>\u201cPara que a gente proteja a natureza, pedimos prote\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, para nosso ambiente e nossa cultura\u201d, diz Pangroti.<\/p>\n<p>Nhaikapep conta que os rios Fresco, Iriri e Xingu, que atravessam as regi\u00f5es de comunidades kayap\u00f3, est\u00e3o contaminados pelos metais.<\/p>\n<p>\u201cNos sentimos amea\u00e7adas e afetadas mesmo em nossa comunidade, que teve o territ\u00f3rio demarcado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ministras<\/strong><br \/>\nA estimativa \u00e9 de que o evento conte com a participa\u00e7\u00e3o de cinco mil mulheres ind\u00edgenas que, assim como Pangroti e Nhaikapep, devem compartilhar os desafios que enfrentam em todos os biomas brasileiros.<\/p>\n<p>Cinco ministras de Estado participaram da abertura da confer\u00eancia, que precede a IV Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas na quinta-feira (7).<\/p>\n<p>As ministras S\u00f4nia Guajajara (Povos Ind\u00edgenas), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima), M\u00e1rcia Lopes (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura) e Maca\u00e9 Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania) discursaram na noite desta segunda, sobre os esfor\u00e7os e as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Outro tema abordado foi o Projeto de Lei (PL) 2.159\/21, chamado PL do Licenciamento por uns e PL da Devasta\u00e7\u00e3o por cr\u00edticos e ambientalistas. O PL flexibiliza e simplifica a obten\u00e7\u00e3o de licenciamento ambiental no Brasil.<\/p>\n<p>Aprovado pelo Congresso Nacional em 17 de julho, o projeto aguarda san\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Pesquisadores e povos da floresta pedem o veto ao projeto.<\/p>\n<p>Para S\u00f4nia Guajajara, o texto vai fragilizar a luta dos ind\u00edgenas em defesa da floresta. Al\u00e9m disso, ela argumentou que as mulheres t\u00eam sido v\u00edtimas de racismo e machismo.<\/p>\n<p>&#8220;Temos aqui a presen\u00e7a de mulheres de todos os biomas (&#8230;) Hoje estamos aqui para resistir\u201d, afirmou. Para S\u00f4nia, as mulheres n\u00e3o v\u00e3o se sentir livres enquanto continuarem a ser mortas e violentadas em suas terras:<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o aceitaram a nossa presen\u00e7a. N\u00f3s enfrentamos retrocessos e ataques todos os dias. \u00c9 dever do Estado desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a ministra dos Povos Ind\u00edgenas, o evento vai propor a forma\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho interministerial com a miss\u00e3o de elaborar estrat\u00e9gias de fortalecimento da prote\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas<\/p>\n<p>Ainda no evento, a presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai), Jo\u00eania Wapichana, defendeu que as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres ind\u00edgenas precisam ser fortalecidas no planejamento or\u00e7ament\u00e1rio no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos com a\u00e7\u00f5es de enfrentamentos contra viol\u00eancia. Precisamos dar um basta\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mais prejudicadas<\/strong><br \/>\nA ministra Marina Silva acrescentou que o governo federal promoveu a desintrus\u00e3o de invasores de oito terras ind\u00edgenas nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m reconheceu que o desafio \u00e9 \u201cmuito grande\u201d do ponto de vista ambiental. \u201cAquelas que menos destru\u00edram s\u00e3o as mais prejudicadas\u201d, disse ao se referir \u00e0s mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Por isso, ela defendeu pol\u00edticas p\u00fablicas para garantir o estilo de vida ind\u00edgena de preserva\u00e7\u00e3o e uso dos recursos da natureza com sabedoria. Marina ponderou que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas levam o mundo para a \u201cbeira do abismo\u201d e criticou l\u00edderes estrangeiros que n\u00e3o apoiam a\u00e7\u00f5es ambientais brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cEm lugar de fazer guerra contra o clima, fazem guerra tarif\u00e1ria\u201d, disse em uma refer\u00eancia ao presidente dos EUA, Donald Trump.<\/p>\n<p>Marina ainda aproveitou para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro por ter sido contr\u00e1rio \u00e0s demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas no Brasil, durante seu mandato. Bolsonaro teve pris\u00e3o domiciliar decretada na noite de ontem.<\/p>\n<p><strong>Agrot\u00f3xicos<\/strong><br \/>\nOs discursos das autoridades eram ouvidos com aten\u00e7\u00e3o pelas mulheres presentes na confer\u00eancia, montada na regi\u00e3o central de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Soraya Kaingang, de 44 anos, era uma das presentes com seus quatro filhos \u2013 um deles no colo dormindo. J\u00e1 era mais de 22h, mas ela disse n\u00e3o ter cansada mesmo depois de mais de 20 horas de viagem de Londrina (PR) para Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Moradora da Aldeia Apucaraninha, Soraya lamentou que, diferentemente da \u00e9poca em que ela era crian\u00e7a, os menores nos dias de hoje est\u00e3o expostos aos agrot\u00f3xicos espalhados pelos produtores rurais brancos que foram invadindo o territ\u00f3rio em que ela nasceu e cresceu.<\/p>\n<p>\u201cA gente produz milho, mandioca e feij\u00e3o, mas est\u00e1 dif\u00edcil. Vir at\u00e9 aqui \u00e9 um jeito para que a gente conte nossas hist\u00f3rias, n\u00e9?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram mais de 32 horas de estrada dentro de um \u00f4nibus para a matriarca Pangroti Kayap\u00f3, de 60 anos, e a neta Nhaikapep, de 22, viajarem de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (AM) at\u00e9 Bras\u00edlia para participar da 1\u00aa Confer\u00eancia Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas, evento que come\u00e7ou na noite de segunda-feira (4). 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