{"id":360150,"date":"2025-08-06T06:31:56","date_gmt":"2025-08-06T09:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=360150"},"modified":"2025-08-06T06:42:42","modified_gmt":"2025-08-06T09:42:42","slug":"temos-um-corpo-preso-em-casa-que-nem-o-diabo-aceita-abrir-as-portas-do-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/temos-um-corpo-preso-em-casa-que-nem-o-diabo-aceita-abrir-as-portas-do-inferno\/","title":{"rendered":"Temos um corpo preso em casa que nem o Diabo aceita abrir as portas do Inferno"},"content":{"rendered":"<p>Em um pa\u00eds de bizarrices e de comicidades at\u00e9 nos templos religiosos, nos quais o prazer \u00e9 destruir o que n\u00e3o \u00e9 igual a eles, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para ser s\u00e9rio. Portanto, quando perceber que est\u00e3o batendo palmas, bata tamb\u00e9m, mesmo n\u00e3o sabendo para o que ou para quem \u00e9. Na d\u00favida, oremos, pois os esp\u00edritos malignos insistem em perambular como entidades errantes e politicamente incorretas\u00a0pelo Congresso Nacional e, agora, pela Casa Branca. Para bom entendedor, meia palavra basta. Entretanto, como conhe\u00e7o um pouquinho do meu Brasil com Z, nunca \u00e9 demais ser expl\u00edcito para aqueles que ainda comem com\u00a0<i>galfo<\/i>, barrem a casa,\u00a0<i>dibram<\/i>\u00a0os\u00a0<i>pobremas<\/i>, almo\u00e7a p\u00e3o com\u00a0<i>mortandela<\/i>\u00a0e\u00a0<i>iorgute<\/i>\u00a0e fazem a cesta na\u00a0<i>tauba<\/i>.<\/p>\n<p>Refiro-me aos que\u00a0apoiam o tarifa\u00e7o que, a pedido do cl\u00e3 Bolsonaro, Donald Trump prometeu para hoje (06) e que usam a trag\u00e9dia di\u00e1ria como forma de vida supostamente eterna. Por isso, n\u00e3o aceitam a morte pol\u00edtica e, como um encosto vacilante, choram o leite derramado e diuturnamente lutam para n\u00e3o abandonar um corpo perdido que nem o Diabo quer receber. Como um cachorro que corre atr\u00e1s do rabo, re\u00fane seus simpatizantes para encontros regionais, nos mesmos moldes do ch\u00e1 das cinco da Academia Brasileira de Letras, definida por Mill\u00f4r Fernandes como uma reuni\u00e3o de quase quatro dezenas de membros e um morto rotativo.<\/p>\n<p>Embora tenha perdido a esperan\u00e7a, n\u00e3o custa lembrar mais uma vez ao povo da bandeira enrolada no pesco\u00e7o que\u00a0<i>verba mollia et efic\u00e1cia<\/i>, isto \u00e9, as boas palavras custam pouco e valem muito. Diria mais:\u00a0<i>Fallitur visio<\/i>, o mesmo que as apar\u00eancias enganam. Diria, mas n\u00e3o digo por que \u00e9 chover no molhado. Se o fizer, talvez me respondam com aquele prov\u00e9rbio que nenhum integrante da Confraria do Morro do Peru Molhado gostaria de ouvir: Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha. O jeito \u00e9 se resignar com a ideia de que cada panela tem sua tampa.<\/p>\n<p>Sou daqueles que sabe onde o sapato aperta. Tamb\u00e9m sou catedr\u00e1tico na diferen\u00e7a entre democracia e ditadura. Por esses motivos, escolho bem minhas companhias e meus candidatos. Para mim, j\u00e1 passou da hora de repensarmos o futuro. De que adianta brigar com os vivos e levar flores para os mortos? Da mesma forma, \u00e9 dif\u00edcil explicar porque ficamos anos sem conversar com um vivo, mas nos desculpamos e o homenageamos quando\u00a0ele morre. Nada mais bizarro do que chamar de ladr\u00e3o e desejar a morte dos vivos, mas se agarrar desesperado quando esses morrem.<\/p>\n<p>Coisas do ser humano c\u00f4mico desde o ber\u00e7o. J\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, tenho de me acostumar a viver na estranheza, na esquisitice do parceiro de reparti\u00e7\u00e3o, de condom\u00ednio, de supermercado ou de alcova. \u00c9 o fim do mundo, mas o mais bizarro \u00e9 ter de provar diariamente a verdade para esclarecer mentiras. M\u00e1rio Quintana estava at\u00e9 a alma de raz\u00e3o quando escreveu um de seus versos mais atuais: \u201cEu estava dormindo e me acordaram. E me encontrei, assim, num mundo estranho e louco&#8230;E quando come\u00e7ava a compreend\u00ea-lo um pouco, j\u00e1 era hora de dormir de novo\u201d.<\/p>\n<p>Mais radical e n\u00e3o menos atual, Bob Marley disse o que eu adoraria ter dito: \u201cSou louco porque vivo em um mundo que n\u00e3o merece minha lucidez\u201d. Se algu\u00e9m duvida, basta lembrar que s\u00e3o os certinhos que fazem bombas, que invadem pr\u00e9dios p\u00fablicos e que ficam loucos quando percebem o fracasso do golpe. Entre a bizarrice, a comicidade e a loucura, a \u00fanica certeza \u00e9 que tem coisas estranhas acontecendo. Tem alguma coisa de f\u00fanebre e de podre no ar. O mais estranho \u00e9 a forma estranha que determinados grupos encontraram para endeusar os estranhos. O que sei \u00e9 que o mundo e o Brasil n\u00e3o est\u00e3o como deveriam estar.\u00a0Eduardo e Jair Bolsonaro que o digam.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um pa\u00eds de bizarrices e de comicidades at\u00e9 nos templos religiosos, nos quais o prazer \u00e9 destruir o que n\u00e3o \u00e9 igual a eles, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para ser s\u00e9rio. Portanto, quando perceber que est\u00e3o batendo palmas, bata tamb\u00e9m, mesmo n\u00e3o sabendo para o que ou para quem \u00e9. 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