{"id":360548,"date":"2025-08-10T01:27:22","date_gmt":"2025-08-10T04:27:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=360548"},"modified":"2025-08-10T01:27:22","modified_gmt":"2025-08-10T04:27:22","slug":"pais-e-avos-que-se-chamavam-fernando-joao-e-jacob","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pais-e-avos-que-se-chamavam-fernando-joao-e-jacob\/","title":{"rendered":"Pais e av\u00f3s que se chamavam Fernando, Jo\u00e3o e Jacob"},"content":{"rendered":"<p>Em algum momento da vida, a gente come\u00e7a a cuidar de todo mundo que ama como se fosse pai. N\u00e3o \u00e9 planejado. Acontece. A gente passa a orientar, dar carona, lembrar do casaco, perguntar se comeu, se chegou bem, se precisa de alguma coisa. \u00c9 um tipo de amor mais calmo, mas muito mais atento. Vai se espalhando sem alarde.<\/p>\n<p>Com filhos e netos \u00e9 natural, mas percebo isso tamb\u00e9m com os amigos, irm\u00e3s mais novas, sobrinhos, os que ainda est\u00e3o tateando a vida. \u00c9 como se a experi\u00eancia viesse acompanhada de um impulso silencioso de acolher. Talvez seja isso que chamam de maturidade. Ou s\u00f3 uma forma mais discreta de amor.<\/p>\n<p>Mas neste Dia dos Pais, o que mais me bateu foi a saudade de ser filho. De ter meu pai por perto. De escutar aquela voz baixa que, mesmo com poucas palavras, dizia tudo o que eu precisava ouvir.<\/p>\n<p>Meu pai se chamava Fernando. N\u00e3o era de falar muito. Mas quando falava, deixava claro o que pensava. E mesmo no sil\u00eancio, a presen\u00e7a dele preenchia a casa. N\u00e3o era homem de fazer cena. Era homem de estar. E isso, para mim, sempre bastou. Quando penso nele, penso em seguran\u00e7a. N\u00e3o aquela que se grita, mas a que se sente.<\/p>\n<p>Dos meus av\u00f4s, conheci apenas um. Jacob. Pouco. O suficiente para guardar uma imagem distante. Jo\u00e3o, o outro, morreu antes de eu nascer. Deixou apenas o nome. E \u00e0s vezes o nome \u00e9 tudo que resta. Uma ponte entre gera\u00e7\u00f5es que quase se tocaram.<\/p>\n<p>Ser pai, hoje, \u00e9 parte da minha vida. Ser av\u00f4 tamb\u00e9m. Mas sigo sendo filho. Porque ningu\u00e9m deixa de ser. A gente s\u00f3 aprende a viver com a aus\u00eancia. Aprende que amor tamb\u00e9m se manifesta na falta que faz.<\/p>\n<p>Chamavam-se Fernando, Jo\u00e3o e Jacob. E continuam comigo. N\u00e3o como presen\u00e7a espiritual ou sensa\u00e7\u00e3o misteriosa. Continuam como refer\u00eancia. Como alicerce. Como mem\u00f3ria que ensina.<\/p>\n<p>E mesmo com o passar dos anos, sigo achando importante n\u00e3o perder de vista o menino que fui. \u00c9 ele que me lembra o que me emociona de verdade, o que me diverte, o que me faz rir de coisas simples. Ser adulto exige muito, mas a gente n\u00e3o precisa deixar para tr\u00e1s tudo o que nos fazia bem quando era mais novo.<\/p>\n<p>Algumas responsabilidades a gente assume porque cresceu. Outras, porque aprendeu. E outras, ainda, porque entendeu que crescer n\u00e3o precisa significar endurecer.<\/p>\n<p>Feliz Dia dos Pais. A quem teve, a quem tem, e a quem segue aprendendo com o tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em algum momento da vida, a gente come\u00e7a a cuidar de todo mundo que ama como se fosse pai. N\u00e3o \u00e9 planejado. Acontece. A gente passa a orientar, dar carona, lembrar do casaco, perguntar se comeu, se chegou bem, se precisa de alguma coisa. \u00c9 um tipo de amor mais calmo, mas muito mais atento. 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